Tragédia no pasto: jatobá cai durante temporal e mata três bezerros em fazenda; vídeo

Vídeo publicado por Bruno Indomáveis mostra os animais atingidos pela árvore e provoca debate sobre segurança do rebanho, preservação e burocracia para autorizar o corte de espécies nativas

Árvores frondosas oferecem sombra e conforto ao gado, mas também exigem atenção nas áreas de pastagem. Durante temporais, a queda de galhos ou de árvores inteiras pode atingir os animais e provocar perdas. Um vídeo publicado nas redes sociais pelo influenciador Bruno Indomáveis expõe essa situação: segundo o relato da gravação, três bezerros morreram após serem atingidos por um grande jatobá derrubado pelo vento.

O episódio ocorreu em uma fazenda após uma chuva acompanhada de ventos fortes. O município e a data da ocorrência não foram informados no material disponibilizado.

Conhecido pelos conteúdos sobre a vida no campo, a roça e a cultura caipira, Bruno compartilhou o registro que mostra as consequências da queda. Na narração, o responsável pela filmagem conta que estava a caminho de outra fazenda quando ouviu uma vaca berrando e decidiu verificar o que havia acontecido.

“Olha aqui, três bezerros que estavam no pasto, atingidos pela árvore que caiu”, relata.

O jatobá teria entre 20 e 25 metros de altura, conforme a estimativa feita na gravação. O narrador também encontra uma segunda árvore caída e procura outros animais sob os galhos, temendo que o prejuízo fosse ainda maior.

Ao final da vistoria, ele volta a lamentar a morte dos três bezerros: “A tristeza, três bezerros mortos. Prejuízo, rapaz, mas fazer o quê? O bom é que serve de alerta, ao menos o vídeo.”

Sombra é essencial, mas o manejo precisa de atenção

Durante o registro, o narrador reconhece a importância das árvores para o sombreamento das pastagens, mas questiona a permanência de exemplares muito altos nos locais frequentados pelo rebanho. Ele defende a busca por autorização ambiental quando houver perigo.

A preocupação com acidentes, porém, precisa caminhar junto com a preservação do conforto animal. Pesquisas da Embrapa mostram que a presença de árvores melhora o ambiente térmico das pastagens, ajudando a reduzir a exposição dos bovinos ao calor.

A sugestão apresentada no vídeo de priorizar árvores entre 10 e 15 metros representa a opinião do narrador, e não um limite técnico universal de segurança. A altura, isoladamente, não permite concluir que uma árvore cairá, tampouco que o acidente registrado poderia ter sido previsto.

Sinais como inclinação acentuada, raízes expostas, danos no tronco e galhos quebrados merecem avaliação. A Defesa Civil de Criciúma, por exemplo, relaciona essas condições entre os motivos para comunicar uma possível situação de risco e orienta evitar a proximidade de árvores durante tempestades.

Internautas discutem preservação e perdas no rebanho

Nos comentários encaminhados à reportagem, o episódio despertou manifestações de tristeza e discussões sobre a organização das áreas de pastagem.

“Imagine a força do vento para conseguir derrubar uma árvore desse porte”, comentou um internauta.

Outro participante questionou a prática de retirar a vegetação ao redor e manter apenas árvores isoladas. Na avaliação dele, preservar um capão mais amplo ajuda a proteger os animais das condições climáticas:

“Há quem pense que o boi suporta sol, chuva e frio em excesso e que, quanto mais pasto, mais produtiva será a propriedade. Mas não é assim na prática.”

Também surgiram relatos de experiências em outras regiões. “Aqui no Maranhão acontece muito, mas com palmeiras de babaçu. No período de ventos fortes, muitas caem sobre o gado”, escreveu um usuário.

Outro comentarista afirmou ter substituído árvores altas por mangueiras e cajueiros na propriedade, buscando sombra e frutos para os animais. O relato descreve uma escolha particular, cuja adequação depende das condições de cada fazenda e das exigências ambientais aplicáveis.

Burocracia para cortar árvores nativas entra no debate

A orientação do vídeo para procurar a Secretaria de Meio Ambiente provocou reações de produtores que relatam dificuldades para conseguir autorização. “É muito burocrático conseguir autorização para retirar uma árvore desse porte”, afirmou um internauta, que também criticou o atendimento prestado ao fazendeiro.

Outro contestou a ideia de que o procedimento seria simples: “Quem dera fosse assim como você falou. Pelo menos aqui no meu estado, é muito difícil conseguir autorização para derrubar uma árvore dessas, ainda mais estando verde e longe de casa”.

Esses depoimentos expressam experiências e percepções dos comentaristas. Sem informações sobre os pedidos e os órgãos envolvidos, não é possível verificar as circunstâncias de cada reclamação.

Na prática, o corte de árvores nativas está sujeito às regras do órgão ambiental competente. As exigências variam conforme a localização, a espécie e a situação da área. Em Minas Gerais, por exemplo, o IEF prevê autorização para o corte de árvores isoladas nativas vivas e possui um procedimento simplificado para situações que atendam a condições específicas.

Há também previsão federal que dispensa o uso do Sinaflor na emissão de autorizações de corte de árvores isoladas em casos de risco à vida ou ao patrimônio. Essa dispensa do sistema não equivale a uma liberação automática para derrubar a árvore.

A morte dos bezerros evidencia uma preocupação que merece resposta dos órgãos responsáveis: o produtor precisa de orientação clara e de análise dos pedidos de manejo compatível com o risco apresentado. Preservar árvores importantes para o ambiente e para o bem-estar do rebanho também exige caminhos acessíveis para avaliar e tratar situações de perigo.

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