De acordo com reportagem da agência Reuters, produtores não estariam cumprindo contratos para revender produto a preços maiores.
Tradings de commodities estão processando cafeicultores brasileiros, informa, nesta quinta-feira (4/11), a agência de notícias Reuters. De acordo com a reportagem, baseada em “fontes e documentos”, o não cumprimento de contratos de compra e venda deixou as empresas expostas a perdas.
A Reuters destaca que os preços do café arábica subiram cerca de 60% este ano devido à turbulência climática no Brasil. E que essa alta tem levado produtores a não cumprir os contratos, restringindo a oferta e agravando ainda mais um quadro afetado também por atrasos no transporte a disponibilidade reduzida de mão de obra.
Os três maiores produtores de arábica do mundo –Brasil, Colômbia e Etiópia– estão enfrentando um aumento nas taxas de inadimplência, segundo a publicação. Os agricultores estariam deixando de entregar o café contratado para tentar revendê-lo aos preços mais altos. Atribuindo a informação a advogados, a Reuters pontua que é a primeira vez que os cafeicultores brasileiros ficam inadimplentes.
Isso levou as empresas a contratarem advogados para entrar em contato com os agricultores, que estariam tentando revender por preços maiores safras comprometidas antecipadamente por outros valores. O diretor da Volcafe para as Américas do Sul e do Norte, Nicolas Rueda, disse à Reuters, no entanto, que conseguiu negociar a maioria dos casos, mas recorreu à Justiça em situações em que as negociações cessaram.
A Olam confirmou os casos de não conformidade e ações judiciais, mas disse que não são generalizados. Louis Dreyfus não comentou o assunto informa a reportagem da agência.
Ainda segundo a Reuters, um escritório de advocacia mencionou estar com 30 processos judiciais em nome de quatro corretoras. Em alguns casos, compradores estão obtendo na Justiça ordens de retirada do produto nas fazendas, inclusive, com apoio policial, nos Estados de São Paulo e Minas Gerais.
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Há situações, segundo a reportagem, de compradores que aceitam pedidos de adiamento de entregas de café para 2022. Dois corretores de café brasileiros locais disseram à agência que inadimplência atingiu praticamente todos os participantes do mercado, incluindo a Cooxupe, de Minas Gerais.
A Cooxupe, por sua vez, informou que, normalmente, negocia com agricultores que enfrentam problemas, mas acrescentou que não pode “tratar os agricultores associados de maneira diferente.”
Fonte: Reuters