Segundo a ABCB Senepol, cruzamento pode acrescentar 30 kg ao peso do bezerro na desmama e elevar a receita bruta em 15%; procedência e seleção genética são decisivas na escolha do reprodutor
Com a estação de monta em curso no Brasil Central, a Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos Senepol (ABCB Senepol) recomenda o uso de touros registrados da raça na cobertura da vacada. Adaptado ao calor, o reprodutor pode contribuir para a produção de bezerros mais pesados e, segundo estimativas da entidade, elevar em 15% a receita bruta por animal no ciclo de cria.
A diferença está no peso à desmama. Na comparação apresentada pela associação, enquanto um bezerro zebuíno comum desmama com 200 kg, o meio-sangue Senepol chega a 230 kg. Considerando o preço de referência de R$ 17 por quilo, os 30 kg adicionais representam R$ 510 a mais por cabeça, com a receita passando de R$ 3.400 para R$ 3.910 por animal. O resultado efetivo depende do manejo, da alimentação, da genética das matrizes e das condições de comercialização.
Mais peso na desmama amplia o potencial de receita
As perspectivas para a pecuária em 2027 reforçam, na avaliação da ABCB Senepol, a importância econômica do cruzamento. A redução das escalas de abate e a retenção de fêmeas são apontadas como sinais de um cenário favorável à valorização do bezerro, no qual o peso adicional pode ampliar a receita do criador.
O acréscimo de receita bruta, porém, não equivale automaticamente a maior lucro. A rentabilidade também depende dos custos de produção e do investimento no reprodutor, além da eficiência reprodutiva e do número de bezerros desmamados.
O cruzamento também agrega características de interesse às novilhas meio-sangue Senepol. Segundo a entidade, elas apresentam precocidade sexual e habilidade materna, podendo atingir a puberdade por volta dos 15 meses, conforme o desenvolvimento e a condição corporal. Também têm aptidão para atuar como receptoras de embriões e integrar programas de Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF).
Eficiência a campo começa na escolha do touro
Na estação de monta, o desempenho do reprodutor influencia diretamente a próxima safra de bezerros. Alta libido, capacidade de percorrer grandes distâncias e adaptação ao calor favorecem o trabalho do Senepol na monta natural.
De acordo com a associação, um touro da raça, manejado adequadamente, pode cobrir mais de 40 vacas. A capacidade de serviço deve ser avaliada conforme idade, condição corporal, saúde reprodutiva e condições da propriedade.
A escolha, entretanto, exige mais do que observar a aparência do animal.
“O efeito da genética se prolonga por gerações dentro de um rebanho. Por isso, a procedência e os critérios de seleção precisam ser considerados na compra de um touro Senepol”, recomenda Maurício Borges, superintendente técnico da ABCB Senepol.
Maurício reforça que o cuidado vale especialmente para os chamados “touros de ponta de boiada”, escolhidos pela aparência, sem informações confiáveis sobre origem e desempenho. Segundo ele, essa prática pode comprometer os resultados das próximas safras.

O registro genealógico da ABCB Senepol oferece maior segurança quanto à origem do animal. A inspeção técnica avalia o padrão racial e a funcionalidade, com atenção a características como umbigo e aprumos.
Avaliações genéticas ajudam a direcionar o investimento
Os indicadores dos Programas de Melhoramento Genético do Senepol (PMGS) também orientam a decisão do pecuarista, permitindo selecionar reprodutores alinhados aos objetivos do sistema de produção.
A seleção conta ainda com marcadores genéticos para características de interesse. Entre elas estão a presença do gene Slick Hair, associado ao pelo curto e à adaptação ao calor, e a identificação de mutações indesejáveis no gene da miostatina.
A combinação entre procedência, avaliação genética e funcionalidade ajuda o produtor a escolher o touro conforme as características que pretende incorporar ao rebanho.
Ganhos podem se estender ao ciclo completo
Segundo a ABCB Senepol, os benefícios do cruzamento também podem aparecer na recria e na terminação, com animais superando 18 arrobas aos 24 meses de idade e rendimento médio de carcaça de 54%, conforme o sistema de produção.
Características como acabamento de gordura, maciez da carne e ganhos de heterose — o vigor proporcionado pelo cruzamento entre raças — podem contribuir para atender às exigências dos frigoríficos e acessar programas de remuneração por qualidade. Linhagens selecionadas para marmoreio também podem incrementar as características sensoriais da carne.
“O touro Senepol é um pacote tecnológico completo, oferecendo docilidade, fertilidade, precocidade e tantas outras vantagens estratégicas à pecuária moderna. A maioria dos usuários recebem ágio por qualidade de carcaça e de carne”, afirma Leonardo Lima Keller Gonçalves, presidente da ABCB Senepol.
A entidade também destaca o uso de touros Senepol sobre matrizes F1, em sistemas de cruzamento tricross. Segundo a associação, essa combinação tem permitido produzir novilhos de 20 a 21 arrobas aos 16 meses, em condições de genética, nutrição e manejo compatíveis com esse desempenho.
Sobre a ABCB Senepol
Sediada em Uberlândia (MG), a Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos Senepol atua no registro genealógico, melhoramento genético, fomento e representação dos criadores.
A primeira importação de embriões da raça ocorreu em 1999. No ano seguinte, chegaram os primeiros animais vivos. Segundo os dados apresentados pela entidade, o plantel nacional supera 100 mil bovinos registrados, e a associação reúne 222 associados.
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