Temporal de um minuto destrói fazenda durante ordenha de 110 vacas

Ventos fortes e granizo atingiram propriedade leiteira em Verê, no Sudoeste do Paraná; trabalhadores não se feriram e produtor calcula perdas superiores a R$ 3 milhões

Um temporal em uma fazenda leiteira de Verê, no Sudoeste do Paraná, causou danos severos às instalações utilizadas na produção enquanto cerca de 110 vacas estavam no local para a ordenha. A tempestade atingiu a Fazenda Pecenin, na comunidade de Plano Azul, por volta das 20h30 de domingo (1º). Funcionários também trabalhavam na propriedade, mas não houve registro de pessoas feridas.

O proprietário, Márcio Pecenin, relatou que a fase mais intensa do temporal teria durado aproximadamente um minuto. Nesse intervalo, o vento e o granizo atingiram coberturas, estruturas metálicas, o escritório e outras áreas ligadas à atividade leiteira. Pecenin calcula que os danos ultrapassem R$ 3 milhões, valor que deve ser tratado como estimativa do produtor enquanto não houver uma avaliação técnica consolidada das perdas. Continue a leitura e acompanhe o Compre Rural, onde informação de qualidade ajuda a fortalecer quem vive e produz no campo.

Temporal em fazenda leiteira atingiu estrutura em plena ordenha

Registros feitos depois da tempestade mostram partes das coberturas removidas, componentes metálicos deformados e materiais espalhados pela propriedade. Outros pontos das edificações também apresentaram danos nos telhados.

O momento em que o evento ocorreu aumentou o risco da situação. Aproximadamente 110 animais estavam nas instalações para serem ordenhados, enquanto trabalhadores executavam a rotina da propriedade. As informações divulgadas até agora não apontam feridos entre os funcionários. Também não há relato público de morte de animais em consequência do temporal.

Os danos atingiram justamente uma estrutura essencial para uma atividade que depende de regularidade. Diferentemente de operações que podem ser suspensas por períodos mais longos, a bovinocultura leiteira exige que alimentação, fornecimento de água, manejo e ordenha continuem sendo realizados diariamente.

A destruição de parte das instalações, portanto, cria um problema que vai além do custo de reconstrução. Dependendo dos equipamentos e sistemas comprometidos, o produtor precisa encontrar alternativas para manter a rotina do rebanho enquanto avalia os danos e recupera a infraestrutura.

Inmet já indicava risco de tempestade e granizo no Sudoeste do Paraná

As condições atmosféricas registradas naquele domingo eram favoráveis à formação de tempestades. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantinha para 1º de novembro um aviso de perigo potencial que incluía o Sudoeste Paranaense, com previsão de chuva intensa, ventos de 40 a 60 km/h e possibilidade de granizo. Esses valores correspondiam ao aviso meteorológico para a região e não a uma medição realizada na Fazenda Pecenin.

No mesmo dia, o Simepar registrou forte instabilidade em diferentes áreas do Paraná. Segundo o órgão, o tempo abafado e a presença de um sistema de baixa pressão sobre o Paraguai favoreceram a formação de áreas de tempestade. Durante a tarde já havia registro de granizo em municípios paranaenses e, no período da noite, as instabilidades permaneciam principalmente sobre a metade oeste do estado, com possibilidade de trovoadas e rajadas localizadas.

A situação meteorológica já exigia atenção de produtores rurais. Horas antes da ocorrência em Verê, havia previsão de tempestades com possibilidade de granizo e rajadas intensas em diferentes áreas do Paraná. O alerta abrangia também o Sudoeste do estado.

Verê produziu quase 40 milhões de litros de leite em 2025

O impacto ocorreu em um município onde a produção leiteira possui peso relevante na atividade rural. Dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), do IBGE, mostram que Verê produziu 39,62 milhões de litros de leite em 2025. O valor da produção municipal chegou a R$ 99,446 milhões naquele ano.

No conjunto do Paraná, a produção alcançou 4,8 bilhões de litros em 2025, movimentando aproximadamente R$ 12,67 bilhões segundo o levantamento do IBGE.

Esses números ajudam a dimensionar a importância das estruturas utilizadas na pecuária leiteira da região. Barracões, sala de ordenha, instalações elétricas, sistemas de resfriamento e equipamentos de manejo representam investimentos elevados e são diretamente relacionados à continuidade da produção.

Eventos extremos já causaram prejuízos milionários no campo paranaense

O episódio em Verê não é isolado entre os danos recentes provocados por tempestades no meio rural do Paraná.

Em setembro, uma propriedade avícola de Apucarana teve estruturas atingidas por uma tempestade que registrou rajada de 124,9 km/h na estação meteorológica do Simepar. O produtor estimou prejuízo de aproximadamente R$ 1,5 milhão, enquanto cerca de 20 mil aves morreram após o aviário perder a cobertura. A ocorrência mostrou o potencial de tempestades para comprometer estruturas produtivas em poucos minutos.

Poucos dias depois, outra sequência de tempestades deixou centenas de imóveis danificados no estado e também alcançou propriedades rurais. Em algumas localidades houve queda de granizo de grande tamanho e danos no campo.

No Sudoeste paranaense, o quadro de instabilidade vinha sendo recorrente. Levantamento da coordenação regional da Defesa Civil citado pelo Jornal de Beltrão apontou que 38 dos 42 municípios da região haviam sido atingidos por tempestades entre agosto e outubro. Na noite de 1º de novembro, também foram relatados danos em municípios como Clevelândia, Salto do Lontra e Verê.

Prejuízo de R$ 3 milhões ainda é uma estimativa

Embora diferentes publicações mencionem perdas superiores a R$ 3 milhões, todas remontam à avaliação inicial feita pelo proprietário. Não foi localizado até agora um levantamento independente detalhando quanto corresponde a edificações, equipamentos, instalações elétricas ou outros bens afetados.

Por essa razão, o valor não deve ser tratado como prejuízo definitivamente calculado. A dimensão financeira poderá mudar à medida que forem feitas vistorias e orçamentos para recuperação das estruturas.

A prioridade imediata em situações desse tipo é garantir condições seguras para trabalhadores e animais, identificar partes das edificações que possam apresentar risco e restabelecer os sistemas necessários para manter o manejo do rebanho.

Na Fazenda Pecenin, o temporal transformou uma rotina de ordenha em uma emergência dentro da propriedade em questão de minutos. Apesar da extensão dos danos materiais registrados, o fato de trabalhadores não terem se ferido evitou uma consequência ainda mais grave. A avaliação completa das perdas deverá indicar agora o tamanho do esforço necessário para reconstruir as instalações e normalizar a atividade leiteira.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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