Temporal causa destruição em granja de Apucarana e prejuízo chega a R$ 1,5 milhão

Propriedade avícola foi atingida por uma das áreas afetadas pelo vendaval de quase 125 km/h; produtor relata morte de 20 mil frangos e afirma que não pretende reconstruir a estrutura

Uma propriedade dedicada à avicultura na região da Vila Reis, em Apucarana, no Norte do Paraná, sofreu graves danos durante a tempestade da noite de segunda-feira (21). Segundo o proprietário, Edivan Lourenço, 20 mil frangos de corte morreram depois que o aviário onde estavam alojados perdeu a cobertura. O produtor calcula em aproximadamente R$ 1,5 milhão o prejuízo provocado pelo evento, valor que ainda depende da avaliação da seguradora.

A granja mantinha 35 mil aves divididas entre duas instalações. O lote atingido com maior intensidade era formado por animais de 18 dias. Outras 15 mil aves estavam em uma segunda estrutura, que também sofreu danos na cobertura, mas puderam ser retiradas com auxílio da equipe ligada à produção, sem registro de mortalidade nesse grupo, conforme o relato divulgado após o temporal. Continue a leitura e acompanhe o Compre Rural, onde informação de qualidade ajuda a fortalecer quem vive e produz no campo.

Vento de 124,9 km/h foi registrado pelo Simepar

A intensidade da tempestade foi confirmada pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). A estação meteorológica instalada em Apucarana marcou rajada de 124,9 km/h às 19h15, além de 26 milímetros de chuva acumulados em uma hora.

A análise realizada posteriormente pelos meteorologistas descartou, até aquele momento, evidências compatíveis com tornado. Os registros mostraram danos orientados predominantemente em uma mesma direção, comportamento associado a um downburst — corrente descendente intensa que sai de uma nuvem de tempestade, alcança o solo e espalha ventos com elevado potencial destrutivo.

O fenômeno afetou diferentes pontos do município. A Prefeitura informou que quase mil residências sofreram danos e que mais de 40 mil imóveis chegaram a ficar sem energia. Diante da extensão das ocorrências, Apucarana decretou situação de emergência, medida homologada pelo Governo do Paraná no dia seguinte ao temporal.

Exposição à chuva comprometeu lote jovem de frangos

Na propriedade de Lourenço, a perda da cobertura deixou o lote mais jovem diretamente exposto às condições externas. De acordo com o avicultor, a combinação de chuva e queda de temperatura ocorreu enquanto os animais ainda estavam em uma fase na qual o controle térmico do aviário é especialmente importante.

A sensibilidade nessa etapa é respaldada tecnicamente pelo manejo utilizado na avicultura comercial. Pintinhos e frangos jovens ainda apresentam maior dependência do sistema de aquecimento e da manutenção adequada da temperatura do ambiente. Falhas bruscas na ambiência podem afetar o conforto térmico, o consumo, o desenvolvimento e, em situações severas, a sobrevivência das aves.

Além das instalações destinadas aos animais, o temporal atingiu o conjunto de geração solar da propriedade. Lourenço informou que havia investido aproximadamente R$ 300 mil no sistema fotovoltaico. Esse valor também corresponde à estimativa apresentada pelo produtor e não a uma avaliação independente dos danos.

Produtor afirma que não pretende retomar a avicultura no local

A seguradora foi acionada para realizar a vistoria da propriedade. Antes da conclusão pública desse processo, Lourenço afirmou que não pretende reconstruir os aviários, por considerar que o ressarcimento esperado não será suficiente para refazer toda a estrutura necessária à continuidade da produção.

O episódio chama atenção para um ponto relevante na gestão de propriedades intensivas em infraestrutura: o valor segurado precisa acompanhar não apenas os animais, mas também galpões, equipamentos, instalações elétricas e outros ativos essenciais à operação, conforme as condições previstas em cada contrato.

O tema ganhou importância adicional com as mudanças recentes nas regras dos seguros privados. Uma análise publicada anteriormente sobre as mudanças trazidas pela nova legislação de seguros para o produtor rural detalha aspectos como clareza contratual, exclusões de cobertura e procedimentos relacionados à indenização.

Temporal atingiu outras atividades rurais de Apucarana

Os danos no campo não ficaram restritos à granja. Adriano Nunomura, técnico do Departamento de Economia Rural (Deral) do núcleo de Apucarana, informou à Tribuna do Norte que o levantamento ainda estava em fase inicial, mas apontava impactos sobre aviários, hortaliças e lavouras de inverno, incluindo áreas de trigo e aveia próximas do período de colheita.

A informação é relevante porque mostra que o impacto econômico do temporal ainda poderá ser ampliado à medida que as propriedades forem vistoriadas. No caso das lavouras, a ocorrência de granizo próxima à maturação pode comprometer quantidade e qualidade do produto, enquanto estruturas como estufas e aviários concentram perdas associadas tanto à produção quanto ao patrimônio.

A relevância econômica da avicultura torna os danos especialmente sensíveis no Paraná. Segundo o IBGE, o estado respondeu por 35% dos frangos abatidos no Brasil no primeiro trimestre de 2026, mantendo a liderança nacional da atividade.

Os números anuais também mostram o peso da cadeia para a economia paranaense. O frango de corte alcançou R$ 35,5 bilhões em Valor Bruto da Produção (VBP) em 2025, equivalente a 17% do faturamento agropecuário estadual. O resultado colocou a atividade atrás apenas da soja entre os principais produtos do campo paranaense.

O desempenho da cadeia no estado foi abordado no levantamento sobre o recorde do Valor Bruto da Produção Agropecuária do Paraná em 2025, que mostra a dimensão econômica alcançada pela produção de frangos.

Foto: Reprodução/ Publicado primeiro em GMC Online

Reconstrução ocorre em período de custos elevados na atividade

Uma eventual retomada de estruturas avícolas destruídas também precisa ser analisada diante dos gastos correntes da produção. A Embrapa calculou em R$ 4,85 por quilo vivo o custo de produção do frango de corte no Paraná em agosto de 2026, avanço de 1,56% em relação a julho. A ração respondeu por 63,87% do custo total calculado no período.

Esses indicadores não representam diretamente o custo de reconstrução da propriedade de Apucarana, mas ajudam a dimensionar o ambiente econômico em que operam os produtores. Além do investimento em instalações e equipamentos, a retomada exige novo capital de giro e condições para restabelecer a produção.

O avanço recente dessas despesas também foi detalhado pelo Compre Rural na reportagem sobre a alta dos custos de produção do frango registrada pela Embrapa em agosto.

No caso da propriedade atingida, a definição do impacto financeiro dependerá agora da vistoria da seguradora e da apuração completa dos bens danificados. No município, o levantamento das perdas rurais também prossegue. Até que essas avaliações sejam concluídas, R$ 1,5 milhão permanece como a estimativa apresentada pelo produtor, e não como um prejuízo oficialmente consolidado.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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