Tempo muda no fim de semana das eleições, com risco de ciclone e chegada de frente fria

Instabilidades ganham força entre sexta-feira e domingo, com maior atenção para Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso do Sul; interior do Nordeste deve seguir sob calor e tempo mais seco

A previsão do tempo no segundo turno das Eleições 2026 aponta um domingo (25) de forte contraste entre as regiões brasileiras. Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste entram no período de maior instabilidade, com possibilidade de temporais, chuva volumosa, raios, granizo e rajadas de vento. Já grande parte do Nordeste e setores do Norte devem continuar sob influência de ar quente e mais seco. A votação será realizada das 8h às 17h, pelo horário de Brasília.

A mudança do tempo está relacionada à intensificação de uma área de baixa pressão sobre o centro-sul da América do Sul e ao avanço de uma nova frente fria. A Climatempo avalia que esse processo também pode resultar na formação de um ciclone extratropical durante o fim de semana. Como ainda existem diferenças entre as projeções meteorológicas, trajetória, intensidade dos ventos e distribuição da chuva podem sofrer ajustes. Continue a leitura e acompanhe o Compre Rural, onde informação de qualidade ajuda a fortalecer quem vive e produz no campo.

Previsão do tempo no segundo turno coloca o Sul em maior atenção

O cenário mais preocupante está na Região Sul. De acordo com o INMET, entre 19 e 26 de outubro, os maiores acumulados devem atingir o norte e noroeste do Rio Grande do Sul, diferentes áreas de Santa Catarina e praticamente todo o Paraná.

Nessas regiões, a projeção oficial indica 70 a 150 mm em cinco dias, com pontos onde o total pode ultrapassar 200 mm. O volume não será distribuído de maneira uniforme: algumas localidades poderão receber grande quantidade de água em poucas horas, enquanto outras terão acumulados menores.

A situação é ainda mais delicada no Paraná. A Climatempo estima que boa parte do estado possa acumular entre 100 e 200 mm entre os dias 21 e 26, enquanto setores do centro, oeste e sudoeste podem alcançar 200 a 300 mm. Os dias 23, 24 e 25 são apontados pela empresa como o período de maior risco de tempestades severas no estado.

O cenário já vinha sendo acompanhado pelo Compre Rural diante da possibilidade de chuva superior a 200 mm no Sul, com atenção especial para áreas agrícolas onde o solo permanece bastante úmido.

Na sexta-feira (23), a tendência é de chuva forte principalmente no Paraná, em Santa Catarina e no norte do Rio Grande do Sul. Durante o sábado, as áreas de instabilidade continuam atuando e podem ser reforçadas pela organização da nova frente fria.

No domingo, o Paraná permanece entre os pontos mais vulneráveis, com possibilidade de chuva frequente e temporais. Santa Catarina e o norte gaúcho também podem registrar episódios de precipitação moderada a forte.

Frente fria aumenta risco de temporais em São Paulo

O Sudeste começa a sentir com mais intensidade os efeitos do sistema ao longo do fim de semana. Em São Paulo, a Climatempo alerta para aumento do risco de temporais entre quinta-feira (22) e domingo (25).

Até sábado, ventos mais quentes ainda atuam sobre parte do interior paulista, mas a maior presença de nuvens e as pancadas de chuva limitam a elevação das temperaturas. No domingo, a entrada da frente fria aumenta a nebulosidade, reforça a chuva e leva ar mais frio ao estado.

Na capital paulista, a previsão disponível nesta quinta-feira (22) indica chuva forte durante o domingo, com diminuição apenas à noite. O volume projetado está próximo dos 40 mm, enquanto a máxima deve ficar ao redor de 21°C.

Rio de Janeiro e Minas Gerais também entram gradualmente na faixa de instabilidade. O boletim semanal do INMET prevê entre 30 e 80 mm em áreas de São Paulo, Rio de Janeiro e sul do Espírito Santo entre quinta-feira (22) e segunda-feira (26). Outras áreas do Sudeste podem registrar acumulados localizados entre 15 e 40 mm.

A chegada de sistemas frontais vem provocando sucessivas mudanças no tempo no Centro-Sul. No fim de setembro, por exemplo, uma frente fria levou temporais e risco de granizo a áreas produtoras do Sudeste, Sul e Centro-Oeste.

Mato Grosso do Sul também entra na rota das tempestades

No Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul concentra a maior atenção durante o período.

Segundo o INMET, o extremo sul do estado pode acumular entre 20 e 80 mm entre quinta-feira (22) e domingo (25), com possibilidade de raios, rajadas de vento e ocorrência isolada de granizo.

A instabilidade avança inicialmente pelas regiões sul e sudoeste e tende a alcançar outras áreas do estado durante o fim de semana. Em Campo Grande, há possibilidade de aumento das pancadas no domingo, principalmente durante a tarde.

Já Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal devem apresentar condições mais irregulares, alternando períodos de sol e calor com pancadas isoladas. A tendência é de chuva menos persistente do que em Mato Grosso do Sul.

Nordeste terá cenário praticamente oposto

Enquanto o Centro-Sul enfrenta aumento da chuva, o Nordeste deve ter predomínio de condições mais secas no interior.

A previsão do INMET para a semana indica pouca chuva em grande parte da região, com precipitações isoladas principalmente no interior da Bahia, Maranhão e Piauí, além de ocorrência fraca e localizada na faixa litorânea.

A Climatempo também projeta manutenção de uma massa de ar seco sobre boa parte do Nordeste, favorecendo temperaturas elevadas e reduzindo a formação de grandes áreas de chuva.

Por isso, o domingo de votação deve ter predomínio de calor e tempo firme em boa parte dos estados nordestinos, embora pancadas localizadas não estejam descartadas.

Chuva segue irregular no Norte

Na Região Norte, a distribuição da precipitação continuará bastante desigual.

O oeste do Amazonas concentra a maior projeção de chuva no boletim semanal do INMET, com 20 a 40 mm em áreas mais amplas e pontos que podem superar 100 mm em sete dias.

Rondônia, Roraima e Tocantins também podem registrar pancadas isoladas, enquanto outras áreas devem permanecer sob maior influência do calor e de períodos de tempo seco.

Excesso de chuva já traz reflexos para o produtor

Além do impacto sobre o deslocamento dos eleitores, a nova rodada de chuva preocupa o setor agropecuário, especialmente no Sul.

O INMET informou nesta semana que setembro terminou com volumes de chuva entre 60% e 135% acima da normal climatológica em estações do Paraná e do Rio Grande do Sul. Em algumas áreas, a sucessão de episódios chuvosos já prejudica o acesso de máquinas às lavouras e atrasa operações agrícolas.

O trigo está entre as culturas mais expostas neste momento. Excesso de água e alta umidade durante floração, enchimento dos grãos e maturação aumentam o risco de doenças fúngicas, encharcamento e perda de qualidade comercial.

No Rio Grande do Sul, as chuvas vêm causando interrupções na colheita. O INMET cita ainda relatos de maior incidência de giberela, brusone e bacterioses, além de acamamento e quebra de espigas após episódios de granizo e vento no noroeste gaúcho.

Esse histórico aumenta a preocupação com novos acumulados, já que uma chuva moderada pode ter impactos maiores quando encontra solos previamente saturados. A ocorrência de chuva persistente e temporais no Sul no fim de semana anterior ajuda a explicar a sequência de condições adversas enfrentadas pelos produtores.

Para atividades de campo, o cenário recomenda acompanhamento das condições locais antes de operações como colheita, pulverização, movimentação de máquinas, transporte de animais e acesso a estradas rurais.

Ciclone ainda exige acompanhamento das próximas atualizações

Embora a Climatempo projete condições favoráveis à formação de um ciclone extratropical, ainda não é adequado tratar sua posição e intensidade como definitivas.

A previsão meteorológica fica mais precisa à medida que o evento se aproxima. Pequenos deslocamentos no centro de baixa pressão podem modificar áreas de maior chuva, direção dos ventos e momento de chegada da frente fria.

Até o momento, o quadro mais consistente aponta Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso do Sul entre as áreas que merecem maior acompanhamento durante o fim de semana.

No domingo, além da disputa presidencial, haverá segundo turno para governador no Acre, Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Tocantins. Em todo o país, a Justiça Eleitoral estabelece votação das 8h às 17h pelo horário de Brasília.

Quem estiver em áreas sob risco de temporal deve conferir as atualizações do INMET e das Defesas Civis locais antes de sair de casa ou organizar atividades no campo.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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