Técnica ensina como ganhar até 3 arrobas a mais na carcaça com uma recria de precisão

Como a intensificação nutricional e o uso de tecnologias como a RIP transformam o ganho de peso estrutural do rebanho, reduzem o ciclo de abate e injetam até R$ 210 extras por cabeça no bolso do pecuarista

A busca por eficiência máxima na pecuária de corte nacional tem redesenhado as metas de peso ao abate de norte a sul do país. Desempenhos antes considerados excepcionais, como machos registrando de 22 a 25 arrobas (@) e fêmeas Nelore superando a marca de 20 @, passam a figurar como novos alvos de rentabilidade nas fazendas de ponta. Contudo, o caminho para transformar o potencial genético do rebanho em carne comercializável exige romper com manejos tradicionais.

De acordo com especialistas do setor, o grande segredo para alcançar esse patamar de excelência e maximizar o peso final está na implementação rigorosa da recria de precisão, o elo definitivo entre a desmama de qualidade e a terminação de alto rendimento.

O que determina o sucesso de uma recria de precisão no ganho de carcaça?

Diferente do modelo convencional, no qual o período de crescimento do animal costuma ser negligenciado ou tratado como uma fase de mero mantenimento, a recria de precisão fundamenta-se no manejo nutricional e sanitário cirúrgico. O objetivo central é estimular a hipertrofia muscular e o desenvolvimento esquelético do bovino enquanto ele ainda é jovem, preparando sua estrutura física para suportar o posterior depósito de gordura na fase de acabamento.

Pesquisadores da Embrapa Gado de Corte apontam que a intensificação nesta fase intermediária impede o estiramento desnecessário do ciclo produtivo. Quando o animal usufrui de uma nutrição de precisão no crescimento, ele otimiza a conversão alimentar no confinamento ou semiconfinamento, atingindo tetos produtivos elevados sem a necessidade de estender os dias de cocho, o que oneraria a operação.

Por que o gado “trava” na engorda?

Um dos problemas mais ocorrentes reportados por consultores de campo acontece quando o invernista adquire animais magros no mercado de reposição, pesando entre 14 e 15 @, com a expectativa de levá-los a um acabamento de 24 @, mas o lote simplesmente estaciona nas 21 ou 22 @.

O diagnóstico para esse travamento quase nunca está associado à dieta de terminação, mas sim a uma recria deficitária. Animais que sofreram restrições severas no crescimento têm sua estrutura muscular comprometida, atingindo a maturidade fisiológica precocemente e limitando o rendimento de carcaça.

O impacto é igualmente severo no manejo de fêmeas. Pecuaristas focados em atender programas de carne premium compram novilhas leves, de 9 a 11 @, buscando os bônus de balança exigidos pelas indústrias, que costumam ser acima de 14 @. Sem o suporte de uma estrutura adequada na fase de crescimento, essas fêmeas exigem períodos excessivamente longos no cocho para atingir o acabamento de gordura necessário, elevando o custo da arroba produzida a patamares economicamente inviáveis.

O papel da RIP na recria de precisão

Para contornar esses gargalos e garantir o pleno aproveitamento da carcaça, o planejamento técnico deve alinhar nutrição, sanidade e pastagem através de um cronograma bem desenhado:

  • Desmame pesado: O ponto de partida ideal exige bezerros desmamados com peso vivo entre 200 kg e 230 kg.
  • Blindagem na seca: Utilização de suplementação proteico-energética estratégica na primeira temporada de seca do animal, extinguindo o chamado efeito sanfona, situação na qual o gado perde no período de estiagem o peso que ganhou nas águas.
  • Pastagens rotacionadas: Manutenção do lote em piquetes de alta qualidade e com manejo de pastejo correto durante a estação chuvosa.
  • Adoção da RIP: A consolidação da Recria Intensiva a Pasto (RIP) surge como uma ferramenta tecnológica indispensável, permitindo o fornecimento de ração concentrada no pasto, geralmente entre 0,5% e 1% do peso vivo, para acelerar o ganho de peso diário (GMD) e encurtar drasticamente o ciclo total de produção.

Até R$ 210 a mais por cabeça

No cenário econômico atual do agronegócio, em que as margens exigem precisão absoluta, o retorno financeiro dessas tecnologias justifica o investimento. Simulações de campo baseadas no monitoramento de plantas de confinamento revelam que um animal bem trabalhado converte o manejo em cerca de R$ 70,00 adicionais de lucro por arroba depositada.

Ao projetar essa rentabilidade no fechamento de lotes, o impacto no caixa da propriedade é expressivo:

Incremento de Peso na CarcaçaLucro Extra por Arroba (@)Margem Adicional por Animal
+ 2 Arrobas na CarcaçaR$ 70,00R$ 140,00 extras
+ 3 Arrobas na CarcaçaR$ 70,00R$ 210,00 extras

“Esse ganho extra atua diretamente na veia da margem de lucro do pecuarista. Em lotes comerciais de grande escala, adicionar três arrobas líquidas por carcaça é o diferencial que zera o custo fixo e eleva o patamar financeiro de toda a operação”, avaliam analistas de mercado da Scot Consultoria.

Olhando para o cenário global, a pecuária nacional ainda tem um amplo horizonte de evolução. O sistema de produção de carne dos Estados Unidos, por exemplo, abate rotineiramente animais com carcaças que oscilam entre 400 kg e 450 kg, o equivalente a cerca de 30 @, enquanto o teto da pecuária intensiva brasileira situa-se próximo das 24 a 25 @. O caminho para reduzir essa distância e reter mais dinheiro no bolso do produtor rural passa, obrigatoriamente, por transformar o crescimento do rebanho por meio de uma estratégia moderna de nutrição.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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