
Medida anunciada por Donald Trump impõe pacote tarifário com alíquota adicional de 10% às exportações brasileiras e pode afetar competitividade em setores-chave como suco de laranja, carne bovina industrializada e etanol
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) divulgou uma nota técnica nesta quinta-feira (3) alertando para os impactos significativos do novo pacote tarifário anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A ordem executiva estabelece alíquotas adicionais de importação de 10% sobre bens brasileiros, com vigência a partir de 5 de abril de 2025, o que pode comprometer diretamente a competitividade do agronegócio nacional no mercado norte-americano.
Os Estados Unidos são atualmente o terceiro maior destino dos produtos do agro brasileiro, atrás apenas de China e União Europeia.
Em 2024, o setor movimentou US$ 12,1 bilhões com exportações para o país, o que representa 7,4% da pauta exportadora do agronegócio brasileiro. Produtos agropecuários representam cerca de 30% do total exportado pelo Brasil aos EUA.
Produtos mais expostos
A CNA classifica o impacto da nova tarifa como “crítico” ou “alto” para 19 produtos brasileiros. Entre os mais afetados estão:
- Sucos de laranja: Brasil responde por 90% das importações americanas de suco resfriado e 51% das de suco congelado.
- Carne bovina industrializada: representa 63% das compras dos EUA.
- Etanol: o Brasil é responsável por 75% das importações norte-americanas.
Esses produtos enfrentam risco elevado de perda de mercado, pois os EUA possuem produção doméstica significativa ou o Brasil já ocupa espaço dominante nas importações, dificultando redirecionamento para outros mercados.
Além disso, há produtos com grau de exposição crítica como:
- Sebo bovino (87,7% das exportações destinadas aos EUA)
- Obras de marcenaria (85,7%)
- Madeira perfilada (75%)
- Outras substâncias proteicas (66,9%)
Produtos com exposição alta incluem café verde, celulose, óleo essencial de laranja, móveis de madeira, entre outros.


Estimativas de impacto do pacote tarifário
Com base na nova tarifa, a CNA estimou possíveis quedas nos volumes exportados. As projeções indicam:
- Suco de laranja não congelado: queda de até 743 milhões de litros, frente aos 1,004 bilhão exportados em 2023.
- Etanol: redução de 41 milhões de litros.
- Carne bovina congelada: perda de 17 mil toneladas.
As tarifas elevam a alíquota média de 3,9% para 13,9%, comprometendo o preço final dos produtos brasileiros nos EUA. Mesmo assim, o Brasil enfrenta tarifas menores que concorrentes como China (34%) e União Europeia (20%).
Defesa dos interesses brasileiros
A CNA destaca que ainda é cedo para mensurar os impactos totais do novo pacote tarifário, já que a medida afeta diversos países e pode ser revista em caso de avanços diplomáticos. A entidade recomenda que o Brasil continue apostando na via negociadora e utilize instrumentos de retaliação comercial, como o PL da Reciprocidade (nº 2088/2023), apenas como último recurso.
“O livre comércio, por meio de acordos que diversifiquem mercados e aumentem a renda dos produtores, deve continuar sendo prioridade”, conclui a CNA.
Dri.nt-06-Tarifas-EUA-2025.03abr2025.vf_Lista de produtos com impacto “crítico” ou “alto” está disponível na íntegra na nota técnica nº 06/2025 da CNA.
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