Shania Twain volta ao Brasil para lançamento de projeto de R$ 3 bilhões da JHSF

Boa Vista Estates será lançado em Porto Feliz (SP), com apenas 250 propriedades em 7 milhões de m², estrutura equestre, polo e show exclusivo da estrela do country após oito anos longe do país.

A JHSF prepara uma nova expansão de seu ecossistema de alto padrão no interior de São Paulo. A companhia apresentará no próximo sábado, 26 de setembro, o Boa Vista Estates, empreendimento integrado ao Complexo Boa Vista, em Porto Feliz, com Valor Geral de Vendas (VGV) potencial estimado em R$ 3 bilhões.

O tamanho financeiro chama atenção, mas não é o único número que ajuda a dimensionar o projeto. Serão 7 milhões de metros quadrados destinados a apenas 250 proprietários, combinação que deixa clara a estratégia da empresa: vender grandes extensões de terra, privacidade e uma experiência de campo altamente estruturada para um público de altíssima renda.

Para apresentar o empreendimento, a JHSF apostou em um nome diretamente ligado ao imaginário country mundial. Shania Twain fará um show exclusivo para convidados, marcando seu retorno ao Brasil depois de oito anos. A última apresentação da cantora no país ocorreu em 2018, na Festa do Peão de Barretos, em sua primeira passagem pelo Brasil.

Um projeto de R$ 3 bilhões baseado em terra e baixa densidade

O Boa Vista Estates será implantado em Porto Feliz, a cerca de 100 quilômetros da capital paulista e com acesso pela Rodovia Castello Branco.

O empreendimento terá dois formatos principais de propriedades: lotes a partir de 5 mil m² e estâncias a partir de 20 mil m². Segundo informações divulgadas sobre o lançamento, o valor médio estimado dos terrenos fica em torno de R$ 12 milhões, embora preços individuais possam variar conforme localização, dimensão e características específicas.

O dado ajuda a explicar como apenas 250 propriedades podem formar um VGV potencial bilionário.

Mais do que multiplicar terrenos dentro de um condomínio, a proposta é justamente trabalhar no sentido oposto: reduzir a densidade de ocupação e aumentar a quantidade de área disponível por proprietário.

Em termos imobiliários, essa escassez planejada é parte central do produto.

Foto: JHSF

Cavalos terão espaço relevante no empreendimento

Para o público ligado ao campo, um dos pontos mais interessantes do Boa Vista Estates está na infraestrutura equestre.

O projeto prevê centro equestre, picadeiros coberto e descoberto, sede própria e campo de polo em padrão internacional. Também está prevista uma trilha de aproximadamente 15 quilômetros destinada aos cavalos.

Não se trata de uma aposta isolada.

A estrutura equestre já ocupa posição importante dentro do conceito desenvolvido pela JHSF na Fazenda Boa Vista. O empreendimento existente mantém instalações voltadas a salto e polo, pistas de grama e areia, picadeiro coberto e cocheiras com capacidade para 200 cavalos.

A própria Fazenda Boa Vista também conta com dois campos de polo de categoria internacional, segundo a empresa.

Isso ajuda a entender por que o cavalo deixou de ser apenas elemento paisagístico em empreendimentos rurais de altíssimo padrão. Nesse segmento, hipismo, polo e cavalgadas passaram a compor uma infraestrutura esportiva permanente, capaz de influenciar inclusive a escolha do imóvel.

Campo deixou de significar apenas fazenda produtiva

O Boa Vista Estates também representa um movimento mais amplo do mercado imobiliário brasileiro: a transformação de áreas no interior próximas aos grandes centros em produtos residenciais associados à vida no campo.

É importante separar esse mercado da aquisição tradicional de propriedades rurais produtivas.

Quem compra uma fazenda para agricultura ou pecuária normalmente avalia capacidade de produção, qualidade do solo, disponibilidade hídrica, logística, benfeitorias e retorno da atividade.

Nos empreendimentos rurais de luxo, a lógica é diferente.

Privacidade, área disponível, paisagem, segurança, esporte, gastronomia, serviços e proximidade com São Paulo tornam-se parte do valor da terra.

É justamente aí que o interior paulista ganhou um novo tipo de mercado imobiliário.

Complexo já possui 12 milhões de metros quadrados

O novo projeto não começa do zero.

A Fazenda Boa Vista, lançada originalmente em 2007, ocupa atualmente cerca de 12 milhões de m², sendo aproximadamente 3 milhões de m² formados por matas nativas, lagos, bosques e jardins, segundo informações institucionais da JHSF.

O complexo reúne hotel Fasano, campos de golfe, centro equestre, instalações esportivas, restaurantes e diferentes modelos residenciais.

Vários produtos imobiliários já comercializados dentro da Fazenda Boa Vista aparecem atualmente como 100% vendidos no portal oficial, incluindo estâncias e terrenos, Villas da Hípica e diferentes categorias de residências.

Esse histórico é particularmente relevante para compreender a estratégia do Estates: a companhia está ampliando um polo de alto padrão que já possui demanda consolidada, em vez de criar uma nova localização do zero.

Greg Norman assina novo campo de golfe

Outra peça importante da infraestrutura será um campo de golfe de 18 buracos projetado pelo australiano Greg Norman, um dos nomes mais conhecidos internacionalmente no esporte.

O empreendimento também prevê Country Club com spa, restaurantes e quadras de tênis, padel, pickleball e beach tennis, além de campo de futebol e outros espaços esportivos.

Haverá ainda parques e pistas independentes.

Segundo a apresentação do projeto, estão previstos 10 quilômetros de circuito para corrida, outros 10 quilômetros para ciclismo, além da já mencionada trilha equestre de 15 quilômetros e um circuito de aproximadamente 4 quilômetros junto aos lagos.

A ideia é permitir que essas rotas funcionem sem cruzamentos entre si.

Mercado de propriedades de luxo no interior avança

A movimentação da JHSF ocorre em um momento de expansão desse segmento.

Em agosto, a própria companhia iniciou o desenvolvimento da Fazenda Santa Helena, em Bragança Paulista. O empreendimento ocupa aproximadamente 6 milhões de m², deve reunir cerca de 400 propriedades e possui VGV potencial de R$ 7 bilhões ao longo de suas etapas.

Porto Feliz também passou a receber projetos concorrentes. A Cyrela, por exemplo, desenvolve na região o Heritage Riviera, empreendimento cuja estimativa de vendas ao longo das fases chega a cerca de R$ 3,5 bilhões, segundo informações do mercado imobiliário.

A concentração desses projetos mostra que existe uma disputa por um público bastante específico: famílias de renda muito elevada que já possuem residência principal e buscam uma segunda propriedade associada a lazer, campo e serviços.

Nesse mercado, terra deixou de ser vendida apenas em metros quadrados. O valor está cada vez mais associado ao ecossistema construído ao redor dela.

Foto: JHSF

Shania Twain volta ao país onde fez história em Barretos

A escolha de Shania Twain para o lançamento também carrega uma conexão curiosa com o universo rural brasileiro.

Quando veio ao país pela primeira vez, em 18 de agosto de 2018, a cantora se apresentou justamente em um dos eventos mais ligados ao universo sertanejo e do rodeio: a Festa do Peão de Barretos.

Agora ela retorna em um contexto bastante diferente.

Em vez de uma grande arena aberta ao público, o show será realizado para convidados durante a apresentação de um empreendimento privado cujo conceito combina propriedades rurais de grandes dimensões, cavalos, polo, esporte e lifestyle de luxo.

A artista canadense funciona, portanto, não apenas como atração musical. É também uma forma bastante calculada de posicionamento do produto.

O que o Boa Vista Estates revela sobre o novo mercado do campo

O ponto mais interessante do lançamento talvez esteja além dos R$ 3 bilhões.

O Boa Vista Estates mostra até onde chegou a valorização de um conceito que une propriedade de campo e serviços urbanos sofisticados.

Em uma área de 7 milhões de m², a JHSF decidiu limitar a ocupação a somente 250 proprietários. A aposta é que, para esse público, espaço, natureza e privacidade se tornaram ativos tão valiosos quanto localização e arquitetura.

Para o mercado ligado aos cavalos, há outro sinal importante. A existência de centro equestre, campo de polo e quilômetros de trilhas dentro de um empreendimento desse porte demonstra como o universo equino ganhou espaço relevante também na economia de luxo brasileira.

E é nesse cenário que Shania Twain voltará ao país oito anos depois de sua passagem histórica por Barretos: como atração de um lançamento que transforma milhões de metros quadrados do interior paulista em um projeto imobiliário com VGV potencial de R$ 3 bilhões.

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