Santa Catarina veta incentivo de R$ 100 por abate de javalis e reacende debate no campo

Abate de javalis deixa de contar com incentivo financeiro após veto do governo de SC, enquanto produtores rurais seguem pressionando por medidas mais eficazes de controle da espécie invasora.

O abate de javalis voltou ao centro do debate em Santa Catarina após o governo estadual vetar integralmente o projeto de lei que previa o pagamento de R$ 100 por animal abatido durante ações de controle populacional. A decisão foi publicada no Diário Oficial e impede, ao menos por enquanto, a criação do incentivo aprovado anteriormente pela Assembleia Legislativa (Alesc).

A proposta era de autoria do deputado Camilo Martins (PL) e previa que pessoas físicas ou jurídicas cadastradas nos órgãos ambientais e autorizadas para o manejo do javali-europeu recebessem o valor por animal abatido. O objetivo declarado era ampliar as ações de captura e reduzir os prejuízos causados pela espécie ao agronegócio catarinense.

Brasil supera gigantes e se consolida como maior exportador de algodão do mundo; entenda o que impulsiona essa liderança

O governo, no entanto, acolheu pareceres técnicos da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), que apontaram problemas jurídicos e fiscais no texto. Entre os argumentos estão a ausência de estimativa de impacto orçamentário, possíveis incompatibilidades com a Lei de Responsabilidade Fiscal e restrições relacionadas à legislação eleitoral. O veto, portanto, não questiona a necessidade de controlar a população de javalis, mas sim a forma como o benefício foi estruturado.

O tema ganhou força nas últimas semanas porque a presença do javali-europeu tem aumentado em áreas rurais de Santa Catarina. Produtores relatam perdas em lavouras de milho, soja e outras culturas, além de danos a pastagens, cercas e estruturas das propriedades. A espécie também preocupa por seu potencial impacto ambiental e pelos riscos sanitários associados ao contato com animais domésticos.

Quando aprovou o projeto, a Alesc defendia que o incentivo financeiro poderia estimular caçadores e controladores habilitados a intensificar as ações de manejo. O texto previa que o recebimento do valor dependeria de comprovação do abate e de critérios a serem definidos posteriormente em regulamento estadual, além da autorização do proprietário da área onde a ação ocorresse.

Com o veto do Executivo, o projeto retorna agora para análise da Assembleia Legislativa, que poderá manter ou derrubar a decisão do governador. Para reverter o veto, os deputados precisam reunir maioria qualificada em votação plenária.

A discussão expõe um dilema que vai além de Santa Catarina: como ampliar o controle de uma espécie invasora que causa prejuízos crescentes ao campo sem criar mecanismos que possam gerar questionamentos fiscais, jurídicos ou ambientais.

Enquanto o impasse político continua, produtores rurais seguem cobrando medidas mais efetivas de monitoramento e controle populacional, alegando que os danos provocados pelos javalis continuam aumentando em diferentes regiões do estado.

VEJA TAMBÉM:

ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias

Não é permitida a cópia integral do conteúdo acima. A reprodução parcial é autorizada apenas na forma de citação e com link para o conteúdo na íntegra. Plágio é crime de acordo com a Lei 9610/98.

Siga o Compre Rural no Google News e acompanhe nossos destaques.
LEIA TAMBÉM
NEWSLETTER COMPRERURAL

Receba as nossas
principais notícias

Conteúdo sobre o agronegócio, direto no seu e-mail.

🔒 Não enviamos spam. Você pode cancelar quando quiser.