Governo do Reino Unido fará avaliação técnica independente sobre os controles sanitários do Brasil e seguirá importando carne brasileira enquanto análise estiver em andamento; decisão é vista pelo setor como sinal de confiança no sistema brasileiro.
O Reino Unido decidiu manter as importações de carnes brasileiras, contrariando a posição anunciada pela União Europeia, que pretende suspender, a partir de 3 de setembro, as compras de produtos de origem animal do Brasil em razão de questionamentos relacionados ao controle do uso de antimicrobianos na produção pecuária.
A decisão britânica representa um importante alívio para a cadeia exportadora brasileira. Embora Londres também tenha iniciado uma análise sobre os sistemas de controle sanitário do país, o governo optou por realizar uma avaliação técnica própria, independente das conclusões adotadas pelo bloco europeu, mantendo as exportações brasileiras autorizadas até o encerramento desse processo.
Reino Unido seguirá avaliação própria
Segundo informações divulgadas pela Associação Internacional de Comércio de Carne (IMTA) após reunião com o Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino Unido (Defra), o governo britânico decidiu não acompanhar automaticamente a posição da União Europeia.
Na prática, o Reino Unido realizará uma análise independente dos sistemas brasileiros de:
- controle do uso de antimicrobianos;
- fiscalização sanitária;
- rastreabilidade nas cadeias produtivas de bovinos e aves.
Até que essa avaliação seja concluída, as exportações brasileiras continuarão normalmente para o mercado britânico.
Entenda o impasse com a União Europeia
A União Europeia anunciou que poderá suspender, a partir de 3 de setembro, as importações brasileiras de produtos de origem animal — incluindo carnes, ovos e mel — caso considere que o Brasil não atende plenamente às exigências relacionadas ao monitoramento do uso de antimicrobianos na produção animal.
O Reino Unido, no entanto, adotou uma estratégia diferente. Desde o Brexit, concluído em 2020, o país passou a definir de forma independente suas políticas comerciais e sanitárias, sem obrigação de seguir automaticamente as decisões do bloco europeu.
Mercado estratégico para a carne brasileira
A manutenção das compras foi recebida com otimismo pelo setor exportador brasileiro. O Reino Unido é considerado um mercado relevante, especialmente para carnes de maior valor agregado, e a decisão de realizar uma análise própria foi interpretada como um sinal de confiança no diálogo técnico entre os dois países.
Na avaliação das entidades do setor, a postura britânica abre espaço para que o Brasil apresente documentos técnicos e evidências sobre a robustez do seu sistema oficial de fiscalização sanitária, fortalecendo a relação comercial entre os países.
Exportação de carne brasileira continua relevante
Os números reforçam a importância do mercado britânico para a pecuária brasileira.
Em 2025, o Brasil exportou 29,98 mil toneladas de carne bovina para o Reino Unido, volume 7,3% superior ao registrado em 2024. A receita avançou ainda mais, alcançando US$ 185,32 milhões, crescimento de 33% na comparação anual.
Já no primeiro semestre de 2026, os embarques totalizaram 12,47 mil toneladas, uma redução de 2,9% frente ao mesmo período do ano anterior. Apesar da queda no volume, o preço médio pago pelos britânicos aumentou 24,2%, indicando valorização da proteína brasileira naquele mercado, segundo dados da Comex/Stat citados pela reportagem.
O que muda para o Brasil
Embora a decisão britânica represente uma sinalização positiva para os exportadores, o processo de avaliação técnica ainda será conduzido pelo Defra. Isso significa que o Brasil continuará sendo analisado quanto à eficiência dos seus mecanismos de controle sanitário e do uso de antimicrobianos.
Para o setor de carnes, entretanto, a manutenção das compras evita um impacto imediato sobre um mercado importante e demonstra que nem todos os parceiros comerciais pretendem adotar automaticamente as medidas anunciadas pela União Europeia.
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias.