Raízen conclui venda de operações na Argentina por US$ 1,42 bilhão

Negócio com a suíça Mercuria envolve refinaria, distribuição de combustíveis e assunção de dívidas; companhia avança na estratégia de simplificar operações e fortalecer sua estrutura de capital

A Raízen concluiu a venda de suas operações na Argentina por US$ 1,42 bilhão, valor equivalente a aproximadamente R$ 7,3 bilhões. O negócio transfere para empresas controladas pelo grupo suíço Mercuria Energy Group as atividades de refino, distribuição de combustíveis e infraestrutura associada mantidas pela companhia no mercado argentino.

A conclusão da transação, anunciada nesta terça-feira (1º), representa mais um passo na estratégia da Raízen de reduzir a complexidade de seu portfólio, concentrar recursos em mercados considerados prioritários e fortalecer sua estrutura de capital.

O que a Raízen vendeu na Argentina

A operação foi conduzida pela Raízen Energia e envolve a transferência dos ativos para a Latam Downstream Holdings Ltd. e Silver Projects I S.A.U., empresas controladas pela Mercuria Energy Group.

O pacote é relevante. Quando anunciou o acordo, em junho, a Mercuria informou que compraria 100% das operações downstream e negócios relacionados da Raízen na Argentina, incluindo atividades de refino, distribuição de combustíveis e infraestrutura associada.

Entre os principais ativos está a refinaria de Dock Sud, localizada na região de Buenos Aires. A unidade possui capacidade de processamento próxima de 108 mil barris de petróleo por dia.

A operação argentina também inclui uma extensa estrutura de comercialização de combustíveis. Informações divulgadas no mercado argentino quando o negócio foi anunciado apontavam uma rede de quase 900 postos de combustíveis ligados à bandeira Shell.

US$ 1,42 bilhão não entrarão integralmente no caixa

Apesar do tamanho do negócio, os US$ 1,42 bilhão não representam necessariamente o dinheiro que entrará diretamente no caixa da Raízen.

O valor econômico total da transação é formado por uma parcela paga em dinheiro e pela assunção, pelos compradores, do endividamento da Raízen Argentina.

Além disso, o preço ainda está sujeito aos ajustes pós-fechamento comuns nesse tipo de negociação, calculados a partir das demonstrações financeiras da operação. Dessa maneira, o montante líquido efetivamente recebido pela Raízen será conhecido posteriormente.

O fechamento somente ocorreu depois do cumprimento das condições previstas no contrato, incluindo as aprovações regulatórias necessárias.

Venda ocorre em momento de reorganização financeira

O desinvestimento argentino ganha importância diante do processo mais amplo de reorganização da companhia. A Raízen vem promovendo vendas de ativos, revisão de investimentos e simplificação de suas operações enquanto trabalha para melhorar sua estrutura financeira.

A empresa enfrenta um elevado nível de endividamento depois de um período marcado por investimentos intensivos e dificuldades operacionais, incluindo impactos climáticos sobre a produção de cana-de-açúcar.

A venda da Argentina havia sido anunciada em 4 de junho de 2026 e já fazia parte dessa estratégia. No mesmo período, a companhia avançou em outros desinvestimentos, incluindo a negociação de participação em ativos ligados ao setor sucroenergético brasileiro.

Segundo a Raízen, os recursos líquidos obtidos com a operação argentina serão direcionados justamente para a gestão de sua estrutura de capital.

Mercuria amplia presença no mercado argentino

Para a Mercuria, por outro lado, a aquisição representa uma expansão importante na América Latina.

O grupo suíço atua globalmente nos mercados de petróleo e derivados, gás natural, GNL, energia elétrica, renováveis, metais e carbono. Ao anunciar o acordo, a companhia afirmou enxergar a Argentina como um mercado energético estratégico, com fundamentos de longo prazo e oportunidades de crescimento operacional e investimentos.

A Mercuria assume, portanto, uma estrutura já estabelecida de refino e distribuição, enquanto a Raízen encerra uma operação relevante fora do Brasil.

Para a companhia brasileira, o negócio representa mais do que a venda de ativos por US$ 1,42 bilhão: faz parte de uma reorganização destinada a liberar capital, reduzir a complexidade operacional e concentrar esforços nos negócios considerados estratégicos para os próximos anos.

Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias.

Siga o Compre Rural no Google News e acompanhe nossos destaques.
LEIA TAMBÉM
NEWSLETTER COMPRERURAL

Receba as nossas
principais notícias

Conteúdo sobre o agronegócio, direto no seu e-mail.

🔒 Não enviamos spam. Você pode cancelar quando quiser.