Quais celulares serão compatíveis com o Starlink no celular? Veja quem poderá usar a tecnologia via satélite

Depois de anunciar uma tecnologia capaz de conectar celulares diretamente aos satélites, a Starlink colocou uma pergunta no radar de milhões de pessoas: afinal, quais celulares serão compatíveis com o Starlink no celular?

A dúvida faz sentido. A promessa de usar o celular em fazendas, rodovias e áreas remotas, sem depender de torres de telefonia, desperta grande expectativa, principalmente em um país como o Brasil, onde ainda existem extensas regiões sem cobertura móvel.

A resposta, porém, é mais complexa do que muitos imaginam. O novo sistema não funcionará em qualquer aparelho nem substituirá imediatamente as redes das operadoras. A compatibilidade dependerá de uma combinação entre hardware, software, acordos comerciais e certificações.

Ao contrário da internet via satélite tradicional, que exige uma antena instalada na propriedade, o Starlink no celular utiliza a tecnologia Direct-to-Cell, permitindo que smartphones compatíveis se comuniquem diretamente com satélites de baixa órbita quando não houver cobertura terrestre.

Isso significa que o aparelho precisa possuir componentes capazes de operar com esse novo padrão de comunicação e receber atualizações específicas para utilizar o serviço.

Além disso, a tecnologia depende de integração com as operadoras de telefonia de cada país, já que foi concebida para funcionar como uma extensão das redes móveis existentes, e não como uma substituição.

Os celulares mais novos devem sair na frente

Embora a lista oficial de aparelhos varie conforme os acordos comerciais e a disponibilidade em cada mercado, a tendência é que os modelos lançados nos últimos anos sejam os primeiros a receber suporte.

Fabricantes como Apple, Samsung, Motorola e Google já vêm incorporando recursos relacionados à comunicação via satélite em parte de seus dispositivos premium, ainda que, atualmente, muitos deles estejam limitados a serviços de emergência.

A expectativa do setor é que, à medida que o Direct-to-Cell avance comercialmente, novos modelos passem a ser desenvolvidos com compatibilidade ampliada.

Isso significa que aparelhos mais antigos podem não receber suporte, mesmo que continuem funcionando normalmente nas redes convencionais.

Será preciso comprar outro celular?

Não necessariamente.

Em alguns casos, fabricantes poderão liberar suporte por meio de atualizações de software, desde que o hardware do aparelho seja compatível com os requisitos da tecnologia.

Em outros, porém, será necessário utilizar dispositivos desenvolvidos especificamente para esse novo padrão de comunicação.

Por isso, especialistas recomendam cautela antes de trocar de smartphone apenas por causa da novidade.

Uma das principais dúvidas dos produtores rurais é se a novidade tornará desnecessária a tradicional antena da Starlink.

A resposta é não.

A internet via satélite continuará sendo a solução indicada para propriedades que dependem de alta velocidade para monitoramento remoto, câmeras, softwares de gestão, agricultura de precisão, videoconferências e conectividade de máquinas.

O Direct-to-Cell tem outra missão: garantir comunicação quando não houver nenhuma torre de telefonia disponível.

Na fase inicial, o sistema deverá priorizar mensagens, chamadas e serviços de emergência, funcionando como uma camada complementar de conectividade, e não como substituto da banda larga via satélite.

O agronegócio pode estar entre os maiores beneficiados

Se a tecnologia cumprir o que promete, um dos setores com maior potencial de adoção é justamente o agronegócio.

Grandes propriedades rurais, equipes que trabalham em áreas extensas, transporte de grãos, pecuária de corte e operações agrícolas frequentemente enfrentam dificuldades de comunicação por causa da ausência de cobertura móvel.

Ao permitir que celulares permaneçam conectados mesmo em regiões remotas, o Direct-to-Cell poderá aumentar a segurança das equipes e facilitar a comunicação durante operações críticas.

Quando o serviço chega ao Brasil?

O caminho regulatório já começou.

A Anatel aprovou a destinação das radiofrequências necessárias para viabilizar a comunicação direta entre satélites e celulares no país. Entretanto, o lançamento comercial ainda depende da conclusão das etapas regulatórias, de acordos entre a Starlink e as operadoras de telefonia e da homologação dos aparelhos compatíveis.

Por isso, ainda não existe uma data oficial para o início da operação no mercado brasileiro.

Vale a pena esperar?

Para quem vive nos grandes centros urbanos, a mudança poderá passar despercebida.

Mas, para produtores rurais, caminhoneiros, equipes de campo, profissionais que trabalham em regiões isoladas e moradores de comunidades distantes, o Starlink no celular pode representar uma transformação significativa na forma de se comunicar.

Mais do que uma nova tecnologia, o Direct-to-Cell tem potencial para reduzir um dos maiores desafios da conectividade rural: a falta de sinal onde a infraestrutura convencional simplesmente não chega.

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