Produzir feno na fazenda pode reduzir custos e até criar uma nova fonte de renda para o pecuarista

Com maior autonomia alimentar, controle de qualidade e possibilidade de renda extra, produção de feno na fazenda se consolida como investimento estratégico para pecuaristas

A busca por maior eficiência econômica e segurança na produção tem levado cada vez mais pecuaristas brasileiros a investir na produção de feno dentro da própria propriedade. Mais do que uma alternativa para armazenar volumoso, a prática se tornou uma estratégia de gestão capaz de reduzir custos com alimentação, garantir oferta de alimento durante períodos críticos e até gerar uma nova fonte de receita para a fazenda.

Em um cenário de custos elevados, oscilações climáticas e maior necessidade de planejamento, produzir o próprio feno permite ao produtor diminuir a dependência do mercado, controlar a qualidade da alimentação fornecida ao rebanho e manter maior previsibilidade operacional ao longo do ano.

Alimentação representa um dos maiores custos da pecuária

A alimentação continua sendo um dos principais componentes do custo de produção da pecuária de corte e leite. Quando depende da compra de feno de terceiros, o produtor fica exposto à disponibilidade do produto, ao aumento dos fretes e às variações de preços, principalmente durante períodos de escassez.

Segundo Marcelo Pupin, coordenador de Marketing de Produto da Massey Ferguson, produzir o próprio feno proporciona maior autonomia para a propriedade.

“Ao depender da compra de terceiros, o produtor fica sujeito à disponibilidade do produto, aos custos de transporte e às oscilações de preço do mercado. Produzir o próprio feno permite maior autonomia e contribui para uma gestão financeira mais eficiente”, afirma o especialista.

Além da economia direta, a estratégia reduz riscos logísticos e melhora o planejamento da alimentação do rebanho ao longo de todo o ano.

Controle de qualidade faz diferença no desempenho animal

Outro benefício importante está no controle sobre a qualidade nutricional do alimento.

Ao acompanhar todas as etapas da produção — desde a escolha da forrageira, manejo da área, corte, secagem e armazenamento — o produtor consegue obter um feno mais uniforme, preservando folhas, nutrientes e valor alimentar.

Segundo Pupin, esse acompanhamento resulta em um alimento mais adequado às exigências nutricionais dos animais, refletindo diretamente no desempenho produtivo, seja na pecuária de corte, leite, equinocultura ou criação de pequenos ruminantes.

Mudanças climáticas aumentam importância do feno

As alterações no regime de chuvas e os períodos de seca mais prolongados vêm reforçando a necessidade de formar estoques estratégicos de volumoso.

Em diversas regiões brasileiras, a irregularidade climática tem reduzido a oferta de pastagens em determinados períodos do ano, tornando o feno uma importante ferramenta para garantir estabilidade na alimentação do rebanho.

Ter reservas produzidas na própria fazenda reduz a vulnerabilidade da atividade diante de eventos climáticos extremos e contribui para manter a produtividade mesmo durante a entressafra das pastagens.

Tecnologia melhora eficiência da produção

A produção de feno exige precisão em todas as etapas do processo, incluindo:

  • Corte da forrageira no ponto ideal;
  • Secagem uniforme;
  • Formação das leiras;
  • Enfardamento;
  • Armazenamento adequado.

Segundo Marcelo Pupin, a evolução das máquinas agrícolas tem permitido que essas operações sejam realizadas com maior rapidez e eficiência.

“A qualidade do feno depende muito do momento correto de cada operação. Hoje existem tecnologias que ajudam o produtor a ganhar agilidade, aproveitar melhor a janela climática e reduzir perdas durante o processo”, destaca.

Equipamentos mais modernos também contribuem para reduzir perdas de folhas, preservar nutrientes e aumentar a produtividade operacional durante a colheita.

Produção pode gerar renda adicional

Além de atender às necessidades da própria fazenda, a produção de feno pode abrir novas oportunidades de negócios.

A demanda pelo produto tem crescido em diversas regiões do Brasil, especialmente entre criadores de cavalos, bovinos leiteiros, ovinos, caprinos e propriedades que necessitam de alimentação conservada durante períodos de menor disponibilidade de pastagens.

Quando há excedente de produção, a venda dos fardos pode representar uma importante receita complementar para a atividade pecuária.

“Quando o produtor consegue ter uma produção acima da demanda interna, a comercialização dos fardos passa a ser uma fonte complementar de renda”, conclui Pupin.

Produção de feno deixa de ser apenas uma alternativa e passa a integrar a estratégia da fazenda

Com custos de produção cada vez mais pressionados e maior necessidade de previsibilidade diante das mudanças climáticas, produzir feno na própria propriedade vem deixando de ser apenas uma prática de conservação de forragens para se tornar uma ferramenta estratégica de gestão.

Além de reduzir despesas, aumentar a autonomia alimentar e melhorar a qualidade da dieta do rebanho, o sistema oferece maior segurança operacional e pode agregar uma nova fonte de receita ao negócio, fortalecendo a sustentabilidade econômica da pecuária brasileira.

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