Preço do ATR sobe pelo segundo mês seguido e anima produtores de cana

Após meses de queda e preocupação no setor sucroenergético, preço do ATR registra segunda alta consecutiva e chega a R$ 1,0130 por quilo em outubro; engenheiro agrônomo Felippe Stelutti aponta sinais de recuperação e destaca impacto positivo na renda dos fornecedores e proprietários que arrendam suas terras.

Depois de meses de apreensão, prejuízos e incertezas sobre o futuro da cana-de-açúcar, uma notícia positiva finalmente chegou aos fornecedores: o preço do Açúcar Total Recuperável (ATR) ultrapassou novamente a barreira de R$ 1,00 por quilograma em outubro. O movimento representa uma importante reação do indicador que determina a remuneração da cana entregue às usinas e reacende a esperança de recuperação financeira no setor sucroenergético.

Quem trouxe os novos números e analisou seus impactos foi o engenheiro agrônomo e produtor rural Felippe Stelutti, que vem acompanhando de perto a evolução do ATR e compartilhando suas avaliações nas redes sociais. Depois de alertar para os riscos de uma crise prolongada, Stelutti agora demonstra otimismo com a segunda alta mensal consecutiva do indicador.

“Saiu o preço do quilograma do ATR para o mês de outubro e eu tenho uma excelente notícia para você, fornecedor de cana, para você que arrenda sua propriedade e para o setor em geral”, comemorou Felippe.

Segundo os valores apresentados pelo especialista, o ATR mensal passou de R$ 0,95 em setembro para R$ 1,0130 em outubro, uma valorização de aproximadamente 6,6%. Já o indicador acumulado da safra avançou de R$ 0,89 para R$ 0,91 por quilograma.

A recuperação ocorre depois de um período particularmente difícil para os produtores, marcado pela combinação de preços pressionados do açúcar e do etanol, aumento dos custos de produção e redução das receitas dos fornecedores.

Segunda alta consecutiva pode indicar mudança de tendência

Para Felippe Stelutti, a recuperação registrada em outubro não deve ser analisada isoladamente. O engenheiro agrônomo destaca que o indicador já havia apresentado melhora no mês anterior, o que pode sinalizar uma inversão da tendência de queda observada durante boa parte da safra.

“Desde o primeiro momento em que o ATR começou a baixar, eu falei para quem me acompanha que, em algum momento, ele começaria a melhorar. Assim como no mercado de ações, existem momentos de baixa e de alta. Pelo segundo mês consecutivo, o ATR está subindo” – disse o agrônomo.

A leitura representa uma mudança importante em relação às análises anteriores do especialista. Em julho, quando o ATR mensal havia recuado para R$ 0,85 e o acumulado para R$ 0,87, Stelutti chegou a alertar que a situação estava ficando insustentável para parte dos fornecedores, especialmente pequenos produtores e famílias dependentes da renda do arrendamento.

Agora, com o indicador mensal novamente acima de R$ 1,00, ele acredita que o setor começa a encontrar condições mais favoráveis. “Isso é um grande indício de que as coisas realmente vão melhorar daqui para frente“, avaliou.

Apesar do otimismo, é importante destacar que duas altas consecutivas ainda não garantem uma recuperação sustentada. O comportamento do ATR continua condicionado aos preços do açúcar e do etanol, à oferta e à demanda desses produtos e às condições do mercado internacional.

Tonelada de cana chega a R$ 111, segundo análise

Outro número destacado por Felippe Stelutti foi o valor de referência da tonelada de cana-de-açúcar. Segundo o engenheiro agrônomo, considerando a base de 191,97 quilos de ATR por tonelada, o preço informado chegou a aproximadamente R$ 111.

Esse valor merece uma ressalva: a multiplicação de 191,97 kg pelo ATR acumulado de R$ 0,91 resulta em aproximadamente R$ 174,69, e não R$ 111. Portanto, o preço de R$ 111 por tonelada precisa ser confirmado, assim como a base de cálculo utilizada, antes de ser tratado como referência definitiva.

De qualquer forma, a elevação do preço do ATR representa um sinal positivo para os fornecedores de cana, especialmente aqueles cujos contratos de remuneração estão diretamente vinculados ao indicador.

Arrendamento de terras também pode sentir os efeitos da recuperação

A melhora do ATR não beneficia apenas quem produz e entrega cana diretamente às usinas. Proprietários rurais que arrendam suas terras para a atividade também podem perceber reflexos positivos em seus recebimentos, dependendo das condições estabelecidas em contrato.

Em uma análise anterior, Felippe Stelutti mostrou como a queda do ATR havia reduzido significativamente a renda de proprietários na região de Catanduva, no interior paulista. Na simulação apresentada, uma propriedade de 100 alqueires arrendada para cana havia passado de aproximadamente R$ 79 mil mensais para R$ 57 mil, acompanhando a desvalorização do indicador.

Agora, a recuperação pode representar um alívio para essas famílias, sobretudo aquelas que dependem do arrendamento como principal fonte de renda.

“Você que vende cana para a usina, você que recebe arrendamento de terceiros ou da usina, vai ter um aumento na sua renda no próximo mês”, afirmou Stelutti.

O efeito efetivo sobre os pagamentos, entretanto, depende do modelo de contrato, da referência de ATR utilizada e do calendário de acertos financeiros entre proprietários, fornecedores e usinas.

Mercado sucroenergético ainda exige cautela

A recuperação do ATR ocorre em um mercado que continua enfrentando desafios importantes. A expansão da produção brasileira de etanol de milho, o comportamento dos preços internacionais do açúcar e a competitividade do etanol diante da gasolina são fatores que influenciam as perspectivas para o setor.

Nos últimos meses, Stelutti chamou atenção para o aumento da oferta de etanol e para as dificuldades enfrentadas pelos fornecedores de cana. Agora, a valorização do ATR oferece um sinal mais favorável, embora ainda seja cedo para afirmar que o ciclo de preços baixos chegou definitivamente ao fim.

Outro ponto importante é que o ATR mensal de R$ 1,0130 continua acima do acumulado de R$ 0,91, indicando que a melhora recente ainda precisa se refletir de maneira mais consistente na média da safra.

Para os produtores que passaram meses enfrentando margens apertadas, a notícia representa uma mudança de perspectiva. A recuperação, mesmo gradual, pode ajudar a recompor receitas e trazer algum fôlego ao planejamento financeiro das propriedades.

A grande dúvida agora é se o ATR conseguirá permanecer acima de R$ 1,00 nos próximos meses ou se a reação de outubro será apenas temporária. Para Felippe Stelutti, a sequência de duas altas é um motivo concreto para renovar o otimismo. Para os fornecedores de cana, a expectativa é que essa melhora finalmente se traduza em maior rentabilidade no campo.

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