Preço do ATR reage em junho, mas crise no setor continua, afirma Felippe Stelutti

Após meses de queda, preço do ATR registra leve recuperação, mas especialista afirma que rentabilidade ainda está longe do ideal e acredita em recuperação gradual nos próximos meses

Depois de alertar que o preço do ATR poderia ficar abaixo de R$ 1,00 e acender um sinal de preocupação entre os fornecedores de cana-de-açúcar, o engenheiro agrônomo e produtor rural Felippe Stelutti voltou às redes sociais para comentar a divulgação do valor do quilograma do ATR referente ao mês de junho. Desta vez, embora reconheça uma pequena melhora no indicador, ele afirma que o setor ainda enfrenta uma realidade de prejuízos.

Segundo Stelutti, o ATR mensal passou de R$ 0,85 em maio para R$ 0,86 em junho, enquanto o valor acumulado da safra recuou de R$ 0,89 para R$ 0,88 por quilograma. Na avaliação do especialista, apesar da reação no indicador mensal, a rentabilidade do produtor ainda está comprometida.

O produtor de cana-de-açúcar ainda pede socorro. Com esse acumulado de R$ 0,88, o produtor ainda não tem rentabilidade na cultura. O momento é de crise, o momento é crítico”, afirmou.

O ATR (Açúcar Total Recuperável) é o principal índice utilizado para calcular o valor pago pela cana-de-açúcar entregue às usinas. Quanto maior o índice, maior tende a ser a remuneração do fornecedor, tornando sua evolução um dos indicadores mais acompanhados pelo setor sucroenergético.

Leve alta pode indicar mudança de tendência

Apesar do cenário ainda delicado, Felippe acredita que o mercado pode ter atingido o ponto mais baixo nesta safra. Para ele, a pequena recuperação registrada em junho pode representar o início de um movimento gradual de valorização do ATR.

“O que tudo indica é que, nos próximos meses, o preço do quilograma do ATR se mantenha e venha subindo, o que será muito importante para o nosso negócio e para que a gente possa voltar a gerar lucro”, avaliou.

A visão representa uma mudança em relação às análises anteriores do engenheiro agrônomo. Há poucos dias, Stelutti havia demonstrado preocupação com os fundamentos do mercado internacional de açúcar e afirmado que dificilmente o ATR superaria R$ 1,00 nesta safra. Agora, embora mantenha o discurso de cautela, ele enxerga sinais de estabilização e possível recuperação.

Produtor ainda sofre com margens apertadas

Mesmo com a melhora do indicador, Stelutti reforça que a realidade financeira dos fornecedores continua bastante difícil. Segundo ele, a atividade precisa voltar a oferecer margem suficiente para remunerar quem produz.

Commodity é assim mesmo, ela sobe e baixa. Mas nós produzimos porque colocamos alimento na mesa, pagamos nossas contas com a cultura da cana-de-açúcar. Nós precisamos, sim, ter rentabilidade no negócio“, destacou.

Nos últimos meses, produtores têm relatado dificuldades para equilibrar as contas diante da combinação entre queda do ATR e custos elevados de produção, especialmente com fertilizantes, defensivos, renovação de canaviais e operações agrícolas.

Ao finalizar sua análise, Felippe Stelutti demonstrou confiança na capacidade de recuperação do setor sucroenergético brasileiro. Na avaliação do engenheiro agrônomo, o pior momento pode ter ficado para trás, e a expectativa é que a melhora gradual do ATR contribua para aliviar a situação financeira dos fornecedores ao longo da safra.

“Na minha opinião, o ATR chegou ao momento de baixa e, a partir daqui, vai começar a subir para as coisas melhorarem para o nosso setor, se Deus quiser. Dias melhores virão. Não tenho dúvida de que o nosso setor vai passar por mais essa e continuará trazendo muitas coisas boas para nós, agricultores”, concluiu.

Produtores se dividem entre esperança e indignação

A publicação de Felipe Stelutti também gerou intensa repercussão entre produtores de cana-de-açúcar. Embora muitos tenham demonstrado esperança de que o pior momento tenha ficado para trás, predominou o sentimento de preocupação com a rentabilidade da atividade e de insatisfação com o modelo de remuneração dos fornecedores.

Um produtor criticou a diferença entre os investimentos realizados no campo e o retorno financeiro obtido pela atividade. “Com tudo que tem investido, está uma vergonha. O produtor de cana foi jogado na lata do lixo. Valor zero. Da cana se aproveita tudo e se faz dinheiro com tantos subprodutos. Porém, apenas o açúcar continua sendo a base do cálculo de pagamento ao fornecedor. Uma vergonha.”

Outro comentário resumiu o sentimento de muitos canavicultores em relação às oscilações do mercado.

“Pra subir é um degrau. Pra cair é queda livre.”

Também houve quem manifestasse preocupação com o futuro da agricultura familiar e dos pequenos fornecedores caso os preços não apresentem uma recuperação consistente.

“Deus te ouça. Se não melhorar esta situação, o pequeno agricultor não se sustenta nesta cultura.”

Apesar das críticas, alguns produtores demonstraram otimismo com a leitura apresentada por Stelutti e acreditam que a reação registrada em junho possa marcar o início de uma recuperação mais forte.

“Mês que vem vai subir muito mais.”

As manifestações refletem o momento vivido pelo setor sucroenergético: enquanto a leve alta do ATR renova parte da esperança dos produtores, a maioria ainda cobra melhores margens de rentabilidade para garantir a sustentabilidade econômica da atividade.

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