Terra Prometida, no Tocantins, reúne cerca de 620 bovinos de alto valor genético, estrutura para leilões, aproximadamente 50 funcionários, pista de pouso e uma área residencial que lembra um resort; por trás do luxo, há um projeto pecuário que já movimentou mais de R$ 137 milhões em um único remate.
Quando Henrique e Juliano deixam os palcos, parte importante da rotina dos irmãos acontece longe dos grandes centros e cercada por pastagens, gado Nelore e uma estrutura que ajuda a dimensionar o tamanho alcançado pelo projeto rural da dupla. Em Porto Nacional, no Tocantins, a Fazenda Terra Prometida ocupa cerca de 1.306 hectares e funciona simultaneamente como casa da família, centro de seleção genética, palco de grandes leilões e espaço de lazer.
O que mais chama atenção à primeira vista são os elementos pouco comuns em uma propriedade rural: aeroporto particular, piscina de borda infinita, garagem para dezenas de veículos, lagos, represas para pesca esportiva e casas de alto padrão. Mas reduzir a Terra Prometida ao luxo seria ignorar justamente o que tornou a propriedade conhecida dentro da pecuária: um projeto estruturado de Nelore P.O. e genética de elite, capaz de movimentar cifras milionárias no mercado de animais selecionados.
A Terra Prometida não foi concebida apenas como uma propriedade para passar fins de semana. Os irmãos transformaram o espaço em parte efetiva da vida da família.
A estrutura residencial inclui duas casas destinadas a Henrique e Juliano, construídas próximas uma da outra, além de uma residência para os pais. A área de convivência é integrada à paisagem rural e inclui uma piscina de borda infinita com vista para a propriedade.
Há ainda lago, represa para pesca esportiva, pista voltada à prática de drift e uma garagem dimensionada para comportar dezenas de veículos.
É uma configuração que ajuda a explicar por que a propriedade se tornou uma espécie de base familiar. A relação dos irmãos com o campo, porém, é anterior ao sucesso nacional na música.
Henrique já relatou publicamente que a afinidade com o gado é compartilhada pelo irmão e pelo pai e que a pecuária sempre esteve entre as atividades rurais com as quais a família mais se identificou.
Aeroporto dentro da propriedade
Entre os elementos mais particulares da Terra Prometida está a estrutura de aviação.
A fazenda dispõe de pista para pousos e decolagens e aeroporto particular, facilitando a logística de uma dupla que mantém agenda de shows em diferentes regiões do país.
Juliano tem ligação especialmente próxima com a aviação e também atua como piloto. A pista, portanto, não funciona apenas como item de ostentação: está inserida em uma rotina na qual deslocamentos rápidos fazem parte da atividade profissional dos artistas.
É um exemplo de como a infraestrutura de uma propriedade rural de alto padrão pode cumprir múltiplas funções. No mesmo espaço convivem residência, produção pecuária, eventos comerciais e logística aérea.

Cerca de 50 pessoas mantêm a operação funcionando
Uma propriedade com essa dimensão exige uma estrutura de mão de obra igualmente relevante.
Informações divulgadas sobre a Terra Prometida apontam para aproximadamente 50 funcionários envolvidos na rotina do complexo, considerando cuidados com os animais, manutenção das instalações, áreas residenciais e demais atividades da propriedade.
Isso ajuda a colocar os 1.306 hectares em perspectiva.
Não se trata apenas de extensão territorial. Há estruturas de manejo, áreas de lazer, residências, instalações pecuárias e espaços preparados para receber eventos capazes de reunir compradores e criadores de diferentes regiões do Brasil.

O verdadeiro negócio está no Nelore
É justamente quando se deixa a piscina e o aeroporto de lado que a Terra Prometida ganha relevância particular para o agronegócio.
A propriedade mantém aproximadamente 620 bovinos Nelore, com forte participação de animais P.O. — Puros de Origem — e indivíduos destinados à pecuária seletiva. A estrutura inclui mais de 90 baias e tatersal próprio, utilizado inclusive nos grandes eventos realizados na fazenda.
A aposta em genética não aconteceu por acaso.
A formação do plantel P.O. começou ainda na década passada, com busca por animais adaptados às condições do Tocantins e capazes de reunir rusticidade, desempenho e atributos valorizados pela seleção da raça.
Essa distinção é importante porque a pecuária de genética segue uma lógica bastante diferente da produção comercial convencional.
Um animal de elite não é negociado apenas pelo peso que pode entregar ao frigorífico. Pedigree, desempenho reprodutivo, avaliação genética, premiações, produção de descendentes e capacidade de gerar embriões ou prenhezes podem multiplicar seu valor econômico.
É justamente nesse mercado que a marca Nelore H&J ganhou espaço.
Do primeiro leilão aos R$ 137,5 milhões

Os resultados dos remates realizados na própria fazenda dão uma dimensão mais concreta do negócio.
Em 2022, a primeira edição do Leilão Fazenda Terra Prometida movimentou cerca de R$ 39,5 milhões.
No ano seguinte, o volume saltou para aproximadamente R$ 56,9 milhões, com 108 lotes negociados.
Mas o maior salto veio depois.
Em 2025, o quarto Leilão Terra Prometida, realizado em parceria com a Nelore Paranã, atingiu R$ 137,515 milhões em negócios, resultado que colocou o evento entre os grandes acontecimentos da pecuária seletiva brasileira.
Um dos destaques daquele remate foi a comercialização de 50% da vaca Dama 5 FIV HRO, negociação que levou a uma valorização total do animal estimada em R$ 15 milhões.
Há, porém, uma diferença fundamental: os R$ 137,5 milhões representam o volume financeiro negociado no evento, que envolve animais e genética de diferentes participantes, e não podem ser tratados como lucro pessoal dos cantores ou faturamento líquido da fazenda.
Essa distinção é essencial para entender corretamente a dimensão do negócio.

Mais do que animais caros
Os preços milionários costumam dominar as manchetes, mas o mercado de genética bovina está apoiado em algo mais amplo.
A multiplicação de material genético por meio de inseminação artificial, fertilização in vitro, venda de prenhezes, embriões, aspirações e participação societária em matrizes permite transformar um único animal excepcional em uma plataforma genética capaz de gerar receita durante anos.
É por isso que os grandes leilões oferecem muito mais do que bois e vacas fisicamente embarcados depois da batida do martelo.
Em determinadas negociações, o comprador adquire parte da propriedade de um animal, direito sobre futuras produções ou material reprodutivo capaz de levar determinada linhagem para outro rebanho.
Para fazendas especializadas, o valor econômico deixa de estar concentrado apenas no bovino e passa a estar também em sua capacidade de multiplicar genética.
Uma vitrine para o Nelore brasileiro
O projeto desenvolvido na Terra Prometida também reflete um fenômeno maior dentro da pecuária nacional.
O Brasil construiu ao longo das últimas décadas uma das maiores plataformas mundiais de seleção de raças zebuínas. Dentro desse universo, o Nelore ocupa posição central devido à adaptação ao ambiente tropical e à enorme presença nos rebanhos de corte brasileiros.
Na pecuária seletiva, propriedades como a Terra Prometida atuam na parte mais valorizada dessa cadeia, selecionando indivíduos, formando famílias genéticas e comercializando material destinado a outros criatórios.
Por isso, uma fazenda com apenas algumas centenas de bovinos de elite pode movimentar valores muito superiores aos de propriedades com milhares de animais comerciais.
São modelos de negócio diferentes.

Luxo chama atenção, mas produção explica a força do projeto
Piscina de borda infinita, pista particular e garagem para dezenas de automóveis tornam a Terra Prometida uma propriedade capaz de despertar curiosidade mesmo entre quem não acompanha o agronegócio.
Para o setor rural, entretanto, a parte mais relevante está atrás das imagens de luxo.
A fazenda criou uma marca própria de genética, investiu em estrutura de manejo, construiu relacionamento com criadores tradicionais e transformou seus leilões em eventos relevantes dentro do calendário do Nelore.
Henrique já resumiu publicamente essa visão ao defender que uma fazenda precisa ser produtiva e que o investimento em genética exige dedicação e tecnologia.
Essa talvez seja a principal diferença entre a Terra Prometida e muitas propriedades ligadas a celebridades.
O campo não aparece somente como cenário da vida dos artistas. Ele se tornou outra frente de negócios.
E os números ajudam a explicar isso: em uma propriedade de 1.306 hectares, aproximadamente 620 bovinos, estrutura para grandes remates e dezenas de trabalhadores sustentam um projeto que conseguiu levar a marca Henrique e Juliano dos palcos para um dos segmentos mais valorizados da pecuária brasileira.
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