Semeadura da safra 2026/27 quase dobrou em uma semana, superou os índices do ano passado e está acima da média histórica, segundo a Conab.
O plantio de soja no Brasil avançou para 30,1% da área prevista para a safra 2026/27, conforme levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgado em 20 de outubro. O resultado representa uma aceleração significativa dos trabalhos no campo, com a semeadura praticamente dobrando em uma semana e superando os percentuais registrados no mesmo período do ano passado e a média das últimas cinco safras.
Na semana anterior, o plantio alcançava 15,6% da área estimada. Com o avanço para 30,1%, houve crescimento de 14,5 pontos percentuais, equivalente a uma expansão de aproximadamente 92,9% em apenas sete dias. Na comparação anual, o índice atual supera os 21,4% registrados no mesmo período de 2025, enquanto a média dos últimos cinco anos para essa etapa do calendário agrícola é de 26,4%.
Os números indicam que a semeadura está mais adiantada em relação aos padrões recentes. O ritmo das operações, entretanto, varia entre as regiões produtoras, influenciado pela distribuição das chuvas, pela umidade do solo e pelas condições necessárias para a entrada de máquinas nas lavouras.
Mato Grosso lidera o avanço do plantio
Entre os estados acompanhados, Mato Grosso apresenta o maior percentual de área semeada, com 60,8% da área prevista já plantada. O estado concentra uma parcela expressiva da produção nacional de soja e se destaca pelo avanço das operações neste início de safra.
Na sequência, aparecem o Paraná, com 39% da área semeada, e São Paulo, com 35%. Mato Grosso do Sul registra 28%, enquanto Goiás alcança 26%. Na Bahia, o plantio chega a 14%, seguido por Minas Gerais, com 11,2%, e Santa Catarina, com 10,9%. O Rio Grande do Sul apresenta o ritmo mais lento entre os estados citados, com 1% da área semeada.
Em Goiás, o avanço para 26% demonstra a evolução dos trabalhos em relação ao início da temporada. O andamento das operações no estado acompanha a dinâmica regional das chuvas, fator importante para garantir condições adequadas de umidade no solo e favorecer a germinação e o estabelecimento das plantas.
Apesar do avanço nacional, os percentuais estaduais não representam necessariamente condições uniformes dentro de cada território. Diferenças no volume e na regularidade das precipitações podem fazer com que algumas regiões avancem mais rapidamente, enquanto outras precisam aguardar condições favoráveis para iniciar ou retomar a semeadura.
Condições climáticas influenciam o ritmo das operações
O início do plantio da soja depende diretamente da disponibilidade de água no solo, especialmente nas áreas de cultivo de sequeiro, que não contam com irrigação. A chegada das chuvas permite iniciar os trabalhos e favorece a germinação, mas o excesso de umidade também pode dificultar o trânsito de máquinas e comprometer determinadas operações agrícolas.
Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, o excesso de chuva e a elevada umidade têm limitado os trabalhos em parte das áreas produtoras. Há registros de encharcamento do solo e amarelecimento de plantas no sul do estado, enquanto regiões com precipitações mais espaçadas conseguiram avançar na semeadura.
Em outras localidades, a irregularidade das chuvas mantém o plantio em ritmo mais lento. Esse cenário reforça a importância do acompanhamento das condições meteorológicas nas próximas semanas, período em que a evolução da semeadura será determinante para a implantação das lavouras da nova temporada.
Safra 2026/27 tem expectativa de produção recorde
O avanço do plantio ocorre em um contexto de expectativa de produção elevada para a soja brasileira. No primeiro levantamento da safra 2026/27, divulgado pela Conab em 15 de outubro, a estimativa é de uma colheita de aproximadamente 181,6 milhões de toneladas, volume recorde e 0,7% superior ao registrado no ciclo anterior.
A área destinada à oleaginosa está estimada em 49,3 milhões de hectares, crescimento de 1,4% em relação à safra passada. Apesar da expansão, a Conab projeta uma leve redução de 0,8% na produtividade média, considerando os elevados rendimentos observados no ciclo anterior e as incertezas relacionadas ao clima.
A expectativa de produção elevada mantém a soja no centro das perspectivas para o agronegócio brasileiro, considerando sua importância para o abastecimento interno, a fabricação de farelo e óleo e as exportações. O Brasil ocupa posição de destaque no mercado internacional da oleaginosa, e o desempenho da safra influencia diretamente a oferta disponível e a dinâmica comercial do setor.
Nas próximas semanas, o acompanhamento do plantio e das condições climáticas será fundamental para avaliar se o ritmo acelerado observado neste início de temporada se manterá nas principais regiões produtoras. O estabelecimento das lavouras e o comportamento do clima ao longo do ciclo terão papel decisivo na confirmação das projeções de produção para 2026/27.
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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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