Picanha e alcatra ficam mais baratas, e aumento da oferta pode pressionar novas quedas, aponta Apas

Redução registrada em cortes bovinos nos supermercados paulistas pode se intensificar com mudanças nas exportações e custos menores de produção

Picanha e alcatra ficam mais baratas nos supermercados de São Paulo, segundo o Índice de Preços dos Supermercados, produzido pela Associação Paulista de Supermercados em parceria com a Fipe. A redução observada em junho ainda está concentrada em alguns cortes, mas o mercado já considera a possibilidade de novos recuos ao longo do segundo semestre.

A alcatra apresentou a maior diminuição no período, com queda de 1,12%. A picanha recuou 0,55%, enquanto o filé mignon ficou 0,54% mais barato. O coxão duro também registrou retração, de 0,49%.

Picanha e alcatra ficam mais baratas no varejo paulista

Os dados indicam uma mudança gradual no comportamento dos preços da carne bovina. Embora o recuo ainda não alcance todos os produtos disponíveis nas gôndolas, cortes considerados nobres já começaram a apresentar valores menores.

Esse movimento pode representar um alívio para o consumidor, especialmente após períodos de pressão sobre os preços dos alimentos. No entanto, a intensidade da redução dependerá das condições de oferta, dos custos da cadeia produtiva e das negociações entre frigoríficos e supermercados.

Exportações para a China entram no radar do mercado

Um dos fatores que podem aumentar a disponibilidade de carne no Brasil está relacionado às vendas para a China, principal destino da proteína bovina brasileira.

Cálculos da consultoria Safras & Mercado, elaborados a partir dos dados da Secretaria de Comércio Exterior, indicaram que os embarques realizados entre janeiro e o fim de junho corresponderam a 100,06% da cota anual destinada ao mercado chinês.

Os volumes enviados acima do limite ficam sujeitos a uma tributação maior. Essa condição pode reduzir temporariamente a atratividade das exportações e levar frigoríficos a direcionar parte da produção para outros destinos ou para o mercado interno.

Oferta doméstica pode crescer no segundo semestre

Caso uma parcela relevante da carne permaneça no Brasil, a concorrência entre fornecedores tende a aumentar. Com mais produto disponível, supermercados podem conseguir melhores condições de compra, abrindo espaço para novas reduções ao consumidor.

O economista-chefe da APAS, Felipe Queiroz, avalia que o avanço do protecionismo e as dificuldades enfrentadas no comércio internacional podem limitar o redirecionamento dos embarques para outros países.

Na avaliação do especialista, os efeitos desse cenário devem aparecer de maneira mais clara nas gôndolas dentro de dois ou três meses.

Picanha e alcatra ficam mais baratas com custos menores

A desaceleração dos preços também está ligada à redução de algumas despesas da pecuária. A queda do dólar contribuiu para baratear determinados insumos utilizados na produção, diminuindo parte da pressão sobre os custos.

Outro elemento favorável foi a recuperação das pastagens. Com maior disponibilidade de alimento natural para o rebanho, pecuaristas conseguem reduzir gastos com suplementação e ração.

Essas condições ajudam a explicar por que alguns cortes avançaram em ritmo mais lento, enquanto outros já registraram queda nas pesquisas do varejo.

Queda generalizada ainda não está garantida

Apesar das projeções positivas, o mercado ainda depende de fatores como câmbio, ritmo de abate, demanda interna e desempenho das exportações.

Os frigoríficos também podem ajustar a produção caso identifiquem excesso de oferta, evitando uma desvalorização mais intensa. Por isso, a redução observada em junho não significa que todos os cortes ficarão imediatamente mais baratos.

Mesmo assim, o cenário atual aumenta a possibilidade de novas promoções e preços mais competitivos nos supermercados durante os próximos meses.

ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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