Segunda fase da Operação Castratio cumpriu cinco mandados de busca e apreensão no Rio e em Niterói; investigação envolve contratos para serviços de castração e esterilização de animais
A Polícia Federal avançou na investigação sobre contratos que somam cerca de R$ 200 milhões firmados pelo Governo do Rio de Janeiro para serviços de castração e esterilização de animais. A segunda fase da Operação Castratio foi deflagrada na terça-feira, 27 de outubro, para aprofundar suspeitas de irregularidades relacionadas à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão em endereços localizados no Rio de Janeiro e em Niterói. As ordens partiram do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a PF, a nova etapa busca dimensionar a atuação do grupo investigado e esclarecer como teriam ocorrido as práticas sob apuração. Continue a leitura e acompanhe o Compre Rural, onde informação de qualidade ajuda a fortalecer quem vive e produz no campo.
Contratos de cerca de R$ 200 milhões estão sob investigação
A investigação analisa contratos celebrados entre o governo fluminense e uma empresa privada para a prestação de serviços relacionados à castração e esterilização de animais.
De acordo com a Polícia Federal, foram encontrados indícios que levaram os investigadores a apurar possíveis episódios de direcionamento, superfaturamento e fraude em licitações. O valor conjunto das contratações analisadas chega a aproximadamente R$ 200 milhões.
A dimensão financeira é relevante, mas o montante corresponde ao total dos contratos examinados pela investigação e não deve ser confundido com eventual prejuízo comprovado aos cofres públicos, que ainda depende da conclusão das apurações.
Casos envolvendo suspeitas em contratações públicas também vêm sendo investigados em outras regiões do país. Em agosto, uma operação envolvendo contratos de máquinas pesadas de R$ 406 milhões apurou possíveis irregularidades em negócios realizados no Rio Grande do Sul.
Material apreendido em maio levou à segunda fase
A Operação Castratio teve sua primeira fase deflagrada em 12 de maio de 2026. Na ocasião, foram autorizados 12 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Segundo o STF, os fatos investigados remontam ao período entre outubro de 2019 e março de 2022, quando Marcelo Queiroz comandava a então Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento do Rio de Janeiro.
A apuração aponta suspeitas envolvendo contratos da Subsecretaria de Proteção e Bem-Estar Animal com a empresa Consuvet. O material recolhido durante aquela primeira operação abriu novas frentes de investigação e fundamentou as medidas executadas em outubro.
A Polícia Federal afirma que a etapa atual busca esclarecer a extensão da possível organização criminosa, além de individualizar as condutas atribuídas aos investigados.
Marcelo Queiroz volta a ser alvo das buscas
O deputado federal Marcelo Queiroz (PSDB-RJ), que esteve à frente da Secretaria de Agricultura no período relacionado às contratações investigadas, voltou a ser alvo da operação.
Na primeira fase, o STF informou que a PF havia identificado elementos considerados suficientes para aprofundar a investigação sobre a eventual participação do parlamentar. A apuração busca esclarecer se houve envolvimento dele no suposto esquema e se existiram benefícios decorrentes das contratações.
A defesa de Queiroz afirmou à Folha de S.Paulo que o deputado nega ter participado ou tido conhecimento de ilegalidades. Os advogados também sustentaram que as contratações passaram por órgãos de controle e afirmaram que o parlamentar permanece à disposição das autoridades.
As suspeitas continuam em investigação e não representam condenação.
Empresa contratada também aparece na investigação
A empresa Consuvet Soluções em Saúde Animal está entre os pontos analisados pelos investigadores.
Segundo informações divulgadas pelo STF na primeira fase, a PF questiona se a estrutura disponível pela empresa era compatível com o volume de serviços contratado pelo Estado.
A companhia foi constituída em 2021 com capital social de R$ 20 mil e, segundo a investigação, passou a celebrar contratos milionários com a administração estadual ainda naquele ano. Documentos e procedimentos utilizados nas licitações também entraram na análise das autoridades.
A Consuvet negou irregularidades em manifestação divulgada durante a primeira fase da operação. A empresa também contestou a interpretação de que os quase R$ 200 milhões mencionados pela investigação corresponderiam integralmente aos contratos efetivamente firmados por ela.
Essas alegações deverão ser confrontadas com documentos, registros financeiros e demais elementos reunidos pela Polícia Federal.
Suspeitas incluem corrupção, peculato e lavagem de dinheiro
A Polícia Federal informa que os fatos investigados poderão, caso sejam comprovados, configurar crimes como peculato, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro, além de outros delitos que eventualmente sejam identificados durante o inquérito.
Nesta fase, não há definição de responsabilidade criminal definitiva. O trabalho dos investigadores segue concentrado na análise de documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais apreendidos.
Investigações financeiras também têm alcançado outras áreas ligadas ao meio rural. Em junho, uma operação contra fraudes em financiamento rural bloqueou R$ 141,7 milhões em bens, após suspeitas de uso de informações falsas para a obtenção de crédito.
No caso da Operação Castratio, os próximos passos dependerão da análise das provas recolhidas e das conclusões apresentadas pelas autoridades responsáveis pelo inquérito.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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