Com a decisão, o projeto passa a integrar a carteira em implantação do Plano Estratégico vigente e a Petrobras. O investimento estimado para conclusão da UFN-III é cerca de R$ 3,5 bilhões e a previsão de início de operação é 2028.
A Petrobras anunciou a aprovação de um investimento de R$ 3,5 bilhões para finalizar a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), localizada em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul. Com início das operações previsto para 2028, a decisão foi tomada após criteriosa reavaliação do projeto, interrompido desde 2015 devido a problemas de performance no consórcio responsável pela construção. O projeto visa reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados, fortalecendo a indústria nacional e aproveitando o potencial do mercado agropecuário interno.
A decisão é fundamentada em criteriosa reavaliação do projeto que, à luz das premissas do Plano Estratégico 2024-2028 (PE 2024-2028), teve sua atratividade econômica confirmada para essa fase nos diferentes cenários previstos na sistemática de aprovação de projetos de investimento da Petrobras, inclusive com VPL positivo no cenário mais desafiador.
O projeto UFN-III foi iniciado em 2011, mas sofreu interrupções em 2014, resultando em uma obra paralisada com 81% de execução. Durante o período, a unidade passou por desgaste estrutural natural, e, segundo Wilson Guilherme da Silva, gerente-geral de Programas de Investimentos da Petrobras, o avanço do projeto exige mais que os 19% restantes devido à necessidade de ajustes e modernizações.
A recente aprovação do Conselho de Administração da Petrobras reforça o compromisso com o setor de fertilizantes, impulsionada pelo Plano Estratégico 2024-2028 da companhia, que busca diversificação de atuação e fortalecimento do mercado de gás. Para viabilizar a retomada, a Petrobras iniciará em novembro o processo de licitação, priorizando empresas nacionais para finalizar o projeto.
Produção e Impacto no Agronegócio
Quando concluída, a UFN-III terá capacidade para produzir aproximadamente 1,2 milhão de toneladas de ureia e 70 mil toneladas de amônia anualmente. Esses insumos são essenciais para a indústria de fertilizantes e petroquímicos, além de serem amplamente utilizados em diversas culturas agrícolas, como milho, cana-de-açúcar, café e algodão, bem como no setor pecuário, onde a ureia serve como suplemento alimentar para ruminantes.
A produção de ureia e amônia também destaca o uso de gás natural como principal matéria-prima, elemento em que a Petrobras tem vasta disponibilidade. A localização estratégica em Três Lagoas permite fácil acesso aos mercados do Centro-Oeste, Sul e Sudeste, regiões que concentram grande parte do consumo nacional de fertilizantes.

Redução da Dependência Externa e Crescimento do Setor
Hoje, o Brasil depende de importações para suprir a demanda por ureia, estimada em 7 milhões de toneladas anuais. A expectativa com a conclusão da UFN-III é que parte significativa desse consumo seja atendida pela produção interna, reduzindo custos e fortalecendo o agronegócio brasileiro. Esse movimento alinha-se ao Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert), aprovado recentemente, que visa impulsionar a competitividade da indústria de adubos no país.
Perspectivas e Desafios pra a Petrobras
Apesar de estratégica, a retomada do investimento em fertilizantes gerou debates no mercado financeiro. Para analistas da XP Investimentos, o projeto tem retornos financeiros menores em comparação à exploração e produção de petróleo. No entanto, a Petrobras justifica que a diversificação pode trazer resiliência e geração de demanda para o mercado de gás natural. Além disso, ao fortalecer a infraestrutura de fertilizantes, a empresa contribui para a segurança alimentar e energética do Brasil.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, ressaltou que o projeto é essencial para ampliar o mercado interno de gás e reduzir a dependência de fertilizantes importados. “O setor de fertilizantes é estratégico para a Petrobras e para o país”, afirmou Chambriard.
Com previsão de operação para 2028, a UFN-III representa um avanço no fortalecimento da produção nacional de fertilizantes, impulsionando a economia regional e consolidando o Brasil como um dos maiores mercados agrícolas globais. A medida deverá gerar impactos positivos não apenas para o agronegócio, mas também para a indústria de gás natural e para a redução da balança comercial negativa de fertilizantes, reforçando a autossuficiência nacional em insumos agrícolas e ampliando a segurança no abastecimento.
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