Peixe: A “Carne de Frango” do futuro?

O Brasil é o segundo maior produtor e líder em exportação de carne de frango, enviando 5 milhões de toneladas ao exterior. Enquanto isso, a piscicultura cresce rapidamente. Será o peixe a “carne de frango” do futuro?

O Brasil se consolidou como uma potência na produção de frangos. Somos o segundo maior produtor do mundo, com 14 milhões de toneladas ao ano, e o maior exportador global, enviando 5 milhões de toneladas para outros países. O frango se tornou a proteína animal mais acessível ao consumidor brasileiro, sendo encontrado nos supermercados por cerca de R$ 8,40/kg, enquanto o preço pago ao produtor gira em torno de R$ 5,50/kg, com um custo médio de produção de R$ 4,81/kg e margem de 15%.

Enquanto isso, a piscicultura vem crescendo de forma acelerada. O Brasil já ocupa a quarta posição mundial na produção de tilápia, com 577 mil toneladas anuais. No entanto, a tilápia ainda tem um custo de produção 22% superior ao do frango, atingindo R$ 5,84/kg. O preço de venda ao produtor chega a R$ 7,91/kg, um valor 43% maior que o do frango. No mercado interno, a tilápia é vendida até 20% mais cara do que no mercado internacional.

Diante desses números, a grande questão é: o peixe pode se tornar a “carne de frango” do futuro?

Como o frango chegou onde está?

A avicultura moderna só se tornou altamente rentável graças a décadas de pesquisa, genética avançada, nutrição de precisão, manejo eficiente e adoção de novas tecnologias. Isso permitiu produzir mais frangos por metro quadrado nos aviários, possibilitando que até pequenos produtores tivessem rentabilidade. Além disso, a alta liquidez do setor, com várias safras ao ano, torna a atividade ainda mais atrativa.

Mas nada disso aconteceu por acaso. Foi necessário muito investimento em tecnologia e inovação. Hoje, as grandes empresas da piscicultura já falam sobre tornar o peixe tão acessível quanto o frango. Mas, olhando para os preços atuais, essa equivalência ainda parece distante. No entanto, a piscicultura está em um caminho muito parecido com o que a avicultura percorreu.

Oportunidade para piscicultores atentos

Os piscicultores que acompanham as novas técnicas e tecnologias estarão preparados para essa transformação e terão espaço no mercado. Aqueles que ainda veem a piscicultura como uma atividade secundária, uma renda extra de fim de ano ou o salário do funcionário e não acompanharem os custos e aplicarem metodologias de produção altamente eficazes, correm o risco de ficar para trás. As grandes empresas já estão investindo pesado não só em tecnologia, mas em manejo e adoção de técnicas que lhes deem condições de produzir peixe com qualidade, em menos tempo, menores custos, isso é o que deve dominar o setor nos próximos anos.

Uma coisa é certa: o mercado do peixe está aquecido. O mercado internacional está de olho na piscicultura brasileira, e as grandes empresas nacionais estão se preparando para exportar mais, já que os preços pagos lá fora são mais atrativos.

Filés de Tilápia / Foto: Marcio Peruchi / CompreRural
Filés de Tilápia / Foto: Marcio Peruchi / CompreRural

Importar ou produzir? A decisão vai além da política

A escolha entre importar peixe ou produzir internamente não depende apenas de barreiras comerciais impostas pelo governo. Também é uma questão produtiva. O piscicultor está disposto a aprender novas técnicas, investir em conhecimento e tecnologia? Está preparado para reduzir custos e se manter competitivo?

Os grandes produtores estão se preparando para isso. Mas e os pequenos piscicultores individuais? Vão continuar criando peixe da mesma forma que há 20 anos? Se a resposta for sim, veremos cada vez mais a entrada de peixe importado e a exportação do nosso pescado para outros mercados. Se a resposta for não – e espera-se que não – a piscicultura brasileira poderá passar por uma revolução nos próximos anos, tornando o peixe uma opção cada vez mais acessível ao consumidor, assim como aconteceu com o frango.

O futuro da piscicultura está sendo moldado agora. Quem se adaptar, colherá os frutos desse crescimento.

Eu tenho visto ao longo dos 14 anos que atuo como consultora de piscicultura, produtores reclamando da atividade, por continuar criando do mesmo jeito que começaram e vendo suas margens de lucro caírem exponencialmente. Na contrapartida, os piscicultores que têm adotado o método piscicultura de alta performance, se mantem no mercado, com altas margens de lucro e conseguindo ampliar seus negócios.

Para aqueles que desejam entrar ou continuar, usar o método Piscicultura de alta performance é a maneira mais curta e direta para o sucesso da produção de peixes nos próximos anos.

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