
Conforme os dados da consultoria HN Agro, o preço da arroba do animal para ao pecuarista já acumula cerca de 25% nos últimos 12 meses, cenário esse que reflete na maior desvalorização para o período em uma década.
O mercado do boi gordo passa por uma das piores crises da história. Como já informamos aqui diversas vezes, o Ciclo Pecuário tarda mas não falha – confira abaixo cada fase do ciclo. Quando avaliamos os dados de preços pagos pelo animal gordo, em 12 meses, o preço da arroba do animal pago ao pecuarista já acumula uma queda de 25%, e esse recuo é o maior para o período em pelo menos uma década.
Entretanto, conforme os dados da consultoria HN Agro indicam que, apesar da forte queda, o preço da carne bovina ao consumidor final não acompanhou a desvalorização na mesma proporção e a picanha caiu apenas 5%. Esse e outros fatores, tem contribuído para que o consumo no mercado interno continue patinando ao longo deste ano.
Dentro da pecuária, o chamado Ciclo Pecuário é caracterizado por fases distintas, que envolvem variações sazonais no rebanho bovino. O ciclo pecuário é um fenômeno caracterizado por flutuações nos preços do gado – cria, recria, engorda – e da carne, com períodos de baixa e alta, que se repetem de tempos em tempos.
Sendo assim, quando olhamos o cenário em relação à queda de preços, as variações realmente são bem mais fortes do que as observadas nas últimas décadas, porém já esperadas diante da fase que estamos do Ciclo Pecuário. Segundo Neto, “se a gente considerar o preço de janeiro a agosto, a gente teve uma queda de 19% e pelo menos desde 1998 é a maior queda para o intervalo. E por que isso aconteceu? Isso aconteceu pelos investimentos ocorridos na pecuária entre 2020 e 2021, principalmente 2019 e 2021.”
Dessa forma, os pecuaristas viveram momento com os preços em alta, e o preço do bezerro remunerando bem o setor da cria, gerou uma retenção de fêmeas para aumentar o número de bezerros no mercado. Confira na imagem abaixo, uma demonstração resumida de como se comportam as fases do Ciclo.
Continuando a avaliação do cenário de queda dos preços, quando a produção maior de bezerros chegou ao mercado em 2022, a lei da oferta e da procura gerou queda nos preços do bezerro e diminuiu a atratividade da atividade, levando o produtor a mandar mais fêmeas para o gancho – confira o gráfico da Pátria Agronegócios.


Conforme o gráfico acima, é possível visualizar de forma clara a grande influência desse aumento na oferta de carne proveniente desse maior abate de fêmeas. Esse cenário tem tem sido observado desde 2022 e continua agora em 2023 gerando esse esse “adicional de oferta e pressão ao longo da cadeia como um todo”, apontou o fundado HN Agro.
Segundo semestre trará esperança a arroba? “Tipicamente, a segunda metade do ano tem menos oferta do gado oriundo de pastagem e a gente tem uma importância maior do gado vindo de confinamento. Então eu diria que ainda a gente deve ter uma oferta incomodando do ponto de vista de precificação ao longo do ano. Só que paralelamente, a gente costuma ter um consumo, um escoamento um pouco melhor na segunda metade do ano tanto para as exportações como no mercado doméstico. Então eu não diria que a gente deve ter um mercado frouxo até o final do ano necessariamente, mas nós já esperávamos que esse mercado estivesse encontrado esse esse fundo de poço há algum tempo, então está difícil de realmente definir ou esperar de maneira mais clara a hora que esse mercado vai encontrar esse fundo de poço”, apontou Neto em entrevista a Jovem Pan.
A oferta tem sido realmente o problema esse ano, da precificação da arroba do boi
Atingimos o fundo do passo nos preços da arroba?
O atual cenário ainda é de pressão de baixa em todas as praças pecuárias pelo país, onde os frigoríficos contam com programações de abate confortáveis e devem seguir pressionando o mercado. Segundo Neto, o mercado não está com cara de ter encontrado esse fundo de poço, mas já observa-se a queda no ânimo do produtor de vender esse gado a cada recuo.
“Então isso afeta investimentos e afeta oferta mais adiante, pensando naquele gado de confinamento que entra e sai no período mais curto, então o mercado não está em baixa há pouco tempo, é possível que já tenha impactado a disponibilidade de gado que a gente vai observar mais na reta final do ano. Agora realmente o mercado está num cenário de pressão que tentar acertar a hora que ele vai encontrar esse fundo está complicado” finaliza o consultor.

Planejamento do pecuarista
O pecuarista que tem planejamento e que entende o ciclo pecuário a fundo, com certeza está enxergando uma oportunidade neste contexto de baixa da arroba.
Daqui há mais ou menos dois anos, o mercado pecuário, deverá estar vivenciando novamente a fase de alta nos preços da arroba do boi gordo. E para que você, pecuarista, possa desfrutar deste momento vendendo seus bois gordos, é interessante que comece a investir agora na reposição do seu rebanho.
Portanto, existe agora uma oportunidade para o pecuarista comprar animais de “reposição lenta”. Como por exemplo, vacas prenhes; matrizes ou bezerros, a preços baixos (momento de baixa na arroba) e desfrutar desse investimento lá em 2025, onde os valores da arroba devem alcançar novos recordes.
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