Pecuária brasileira vive marco histórico com novo Banco Nacional de Antígenos contra a febre aftosa

Estrutura fortalece a defesa contra a febre aftosa, amplia a capacidade de resposta a emergências sanitárias e protege a competitividade da carne brasileira nos mercados internacionais.

O Brasil deu mais um passo estratégico para consolidar sua posição entre as maiores potências agropecuárias do mundo. Em um movimento considerado histórico para a defesa sanitária nacional, foi inaugurado o Banco Nacional de Antígenos para Febre Aftosa, uma estrutura que permitirá ao país responder com rapidez caso surja qualquer foco da doença, preservando o patrimônio pecuário e a competitividade das exportações brasileiras. 

A iniciativa representa um avanço importante para um setor que movimenta bilhões de reais anualmente e depende da credibilidade sanitária para acessar os mercados mais exigentes do planeta. O projeto é resultado de uma parceria entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a Biogénesis Bagó, empresa global especializada em saúde animal. 

O que é o Banco Nacional de Antígenos?

O banco reúne os principais antígenos dos sorotipos do vírus da febre aftosa, permitindo que vacinas específicas possam ser produzidas rapidamente em uma eventual emergência sanitária.

Na prática, trata-se de uma espécie de “estoque estratégico” que reduz significativamente o tempo de resposta diante de qualquer ocorrência da doença, evitando impactos econômicos, barreiras comerciais e prejuízos à pecuária nacional. 

A estrutura foi oficialmente entregue em 17 de julho, nas instalações da Biogénesis Bagó, em Garín, na Argentina, durante cerimônia que reuniu autoridades brasileiras e argentinas, representantes da indústria de saúde animal e lideranças do agronegócio. 

Proteção para o maior exportador mundial de carne bovina

O investimento chega em um momento especialmente importante para o Brasil. Após conquistar o reconhecimento internacional como país livre de febre aftosa sem vacinação, a manutenção desse status passou a depender de mecanismos cada vez mais robustos de vigilância e resposta rápida.

Com o novo banco, o país fortalece sua infraestrutura sanitária e reduz riscos que poderiam comprometer as exportações de carne bovina, um dos principais pilares do agronegócio brasileiro. 

Segundo o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, a implantação representa um divisor de águas para a defesa agropecuária nacional.

“A história da defesa sanitária brasileira passa a ter um antes e um depois da implantação do Banco Nacional de Antígenos. Esta estrutura fortalece nossa capacidade de resposta e consolida o Brasil entre os países com os mais elevados padrões de proteção sanitária do mundo.” 

Planejamento para proteger bilhões em exportações

Para o presidente do Tecpar, Eduardo Marafon, a iniciativa demonstra que o Brasil passou a investir ainda mais em prevenção.

Segundo ele, o Banco Nacional de Antígenos foi concebido para garantir respostas rápidas diante de qualquer eventualidade sanitária, preservando um patrimônio estratégico para a economia brasileira. 

Já o Country Manager da Biogénesis Bagó Brasil, Marcelo Bulman, destacou que o projeto simboliza anos de cooperação entre governo, instituições públicas e iniciativa privada.

“Mais do que uma estrutura física, representa um compromisso permanente com a proteção da pecuária brasileira e com a segurança alimentar mundial”, afirmou. 

Estrutura faz parte da estratégia nacional contra a febre aftosa

O banco integra as ações previstas no Plano Estratégico do Programa Nacional de Vigilância para a Febre Aftosa (PNEFA), coordenado pelo Ministério da Agricultura.

Além de apoiar a manutenção do reconhecimento internacional conquistado pelo Brasil, o plano busca fortalecer continuamente os sistemas de prevenção, vigilância e resposta rápida contra eventuais riscos sanitários. 

Para Fabrício Bortolanza, gerente de Relações Governamentais e Assuntos Regulatórios da Biogénesis Bagó Brasil, a iniciativa consolida uma política pública construída ao longo dos últimos anos.

Segundo ele, o Banco Nacional de Antígenos representa um compromisso permanente do país com a prevenção, a resposta rápida e a manutenção do status sanitário brasileiro. 

Credibilidade internacional da carne brasileira é reforçada

Na avaliação do presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, o novo banco amplia a confiança dos compradores internacionais.

Para ele, a estrutura funciona como uma garantia adicional de que o Brasil continuará preparado para enfrentar qualquer emergência sanitária, preservando a reputação construída ao longo das últimas décadas. 

Experiência internacional

A Biogénesis Bagó possui mais de 30 anos de experiência em programas de prevenção e controle da febre aftosa e administra bancos de antígenos em países como:

  • Argentina;
  • Estados Unidos;
  • Canadá;
  • Taiwan;
  • Coreia do Sul;
  • Filipinas.

Esse conhecimento foi utilizado na implantação da estrutura destinada ao Brasil, considerada uma das mais modernas voltadas à preparação para emergências sanitárias. 

O que muda para a pecuária brasileira?

Na prática, o novo Banco Nacional de Antígenos representa:

  • Maior capacidade de resposta diante de emergências sanitárias;
  • Proteção do status de país livre de febre aftosa sem vacinação;
  • Maior segurança para as exportações brasileiras de carne;
  • Redução dos riscos econômicos em caso de eventual foco da doença;
  • Fortalecimento da credibilidade internacional da pecuária brasileira;
  • Integração entre governo, pesquisa e iniciativa privada na defesa sanitária do país. 

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