Paraná projeta 47,3 milhões de toneladas de grãos para o ciclo total 2025/26

Lavouras de trigo registram o melhor desempenho vegetativo em 10 anos; estiagem e geadas causam quebra de 4% no milho safrinha.

O Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), divulgou os dados do boletim de safra referente a julho de 2026. Os números levantados projetam uma colheita expressiva de 47,3 milhões de toneladas de grãos para o ciclo total 2025/26 no estado. O volume movimentará fortemente a economia estadual, mas o órgão ressalta que o montante ainda não configura um recorde histórico, visto que os desempenhos ficaram abaixo do esperado na segunda safra e nas culturas de inverno.

Mesmo sem atingir o recorde anual absoluto, o volume de 47,3 milhões de toneladas garante um forte aquecimento econômico no Paraná. A safra volumosa injeta liquidez nas cidades do interior, movimentando o comércio local, o PIB municipal e a arrecadação de impostos. Na ponta logística, impulsiona contratações de fretes, armazenagem e o fluxo de exportações no Porto de Paranaguá. Para o produtor, o volume sustenta o faturamento e o fluxo de caixa para quitação de dívidas, contudo exige planejamento comercial rigoroso diante de fretes mais caros e disputa por silos.

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O comportamento climático dos últimos meses desenhou cenários opostos para as principais commodities do estado. Enquanto o tempo seco e as geadas pontuais penalizaram o milho safrinha, as lavouras de trigo registram o melhor desempenho vegetativo da última década, diante de uma forte retração na área plantada. No mercado financeiro, o mês consolidou valorizações de curto prazo para o milho e o trigo.

Para o chefe do Departamento de Economia Rural (Deral), Marcelo Garrido, o resultado demonstra a resiliência do campo paranaense diante dos desafios climáticos. “O volume projetado mantém o Paraná em um patamar de alta produtividade. O clima adverso trouxe perdas pontuais no milho, mas o excelente desenvolvimento do trigo equilibra o cenário e reforça o vigor da nossa agricultura para o fechamento deste ciclo”, explica Garrido.

Soja e milho

A safra de verão 2025/26 de soja segue como a principal âncora produtiva do Paraná. A área plantada estimada recuou levemente 1% (5.735,2 mil hectares), mas a produção esperada cresceu 3% em comparação ao ciclo passado (24/25), atingindo 21.811,7 mil toneladas.

Em contrapartida, o milho segunda safra sofreu os impactos diretos do clima seco e de geadas recentes nas regiões Sul e Oeste. A estimativa inicial de colheita, que era de 17,8 milhões de toneladas, foi oficialmente reajustada para 17,05 milhões de toneladas — uma redução de aproximadamente 4%.

Trigo

O plantio do trigo foi oficialmente concluído no Paraná com uma forte retração de 11% na área cultivada, fixada em 727,5 mil hectares. Como reflexo direto dessa escolha do produtor, a estimativa de produção recuou 18% frente à safra anterior, caindo de 2,88 milhões para as atuais 2.376,7 mil toneladas.

O recuo no volume total contrasta com a fotografia das lavouras no campo, que é altamente positiva. Cerca de 97% das plantações paranaenses apresentam boas condições, o melhor índice de desempenho da última década. Entretanto, o cenário exige cautela máxima devido à alta probabilidade de consolidação de um fenômeno El Niño de forte intensidade. Até o momento, o excesso de precipitação causou apenas problemas pontuais de manejo na região Sudoeste.

Preços em julho

A instabilidade na oferta interna impulsionou as cotações das duas culturas no mercado físico paranaense entre junho e julho. O milho registrou alta mensal de 2,59%, fazendo a saca de 60 kg saltar de R$ 51,33 para R$ 52,66 (ganho real de R$ 1,33).

O trigo consolidou a tendência de recuperação iniciada após o piso do primeiro trimestre. Subiu 1,70% no mês, passando de R$ 69,87 para R$ 71,05 por saca (avanço de R$ 1,19).

Recomendações técnicas

Para o restante de agosto, o Deral emite recomendações emergenciais devido à forte alternância entre chuvas e variações bruscas de temperatura. Para o milho pronto (colheita), o produtor deve aproveitar qualquer janela de tempo firme para acelerar as colheitadeiras. O atraso expõe os grãos à umidade, elevando riscos de fungos, perda de padrão comercial e tombamento de plantas por ventos. Para o trigo (desenvolvimento), o foco deve ser o monitoramento fitossanitário rígido. O ambiente úmido e quente favorece doenças fúngicas, sendo indispensável utilizar intervalos secos para manter a aplicação de defensivos rigorosamente em dia.

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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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