Concurso avalia o conjunto formado por cavalo e ginete com ênfase em elementos da cultura e da tradição campeira.
Cavalo e ginete precisam estar em sintonia e bem apresentados de acordo com a tradição gaúcha. Na 49ª Expointer, o Concurso de Melhor Traje Típico Gaúcho do Paint Horse chama a atenção ao avaliar não apenas a apresentação dos animais, mas o conjunto formado pelo equino e seu cavaleiro, valorizando elementos da cultura e da tradição campeira.
A prova reúne exemplares da raça Paint Horse, conhecida principalmente pela pelagem característica, marcada por manchas que tornam cada animal único. Durante a competição, são observados tanto os trajes utilizados pelo ginete quanto as condições, os arreios e a apresentação do cavalo.
Tradição também está nos detalhes
De acordo com um dos juízes da competição, José Antônio Bastos de Castro, o traje típico deve reunir elementos tradicionais da indumentária gaúcha, como lenço, camisa social, guaiaca, bombacha, faca, bota e espora. As características podem variar conforme a região do Estado, mas os principais componentes permanecem.
Na avaliação dos animais, são observados aspectos como limpeza, higiene e aprumos, além das condições e da composição dos arreios. Os adornos também fazem parte da análise, considerando elementos como quantidade, combinação e acabamento.
“Consideramos a pilcha completa do gaúcho e os arreios completos do cavalo. Olhamos tudo e procuramos ser o mais justos possível. Avaliamos as indumentárias do animal, consideramos os arreios, observamos se as encilhas estão completas, se tem adornos em ouro ou prata, a quantidade desses adornos. Tudo isso vai pontuando, inclusive a forma como o ginete está se apresentando”, explicou.
Para o ginete Renato Oliveira dos Santos, a preparação para uma competição como essa começa muito antes da entrada na pista. Proprietário do cavalo Ouro Love Splash, de quatro anos, ele conta que vem preparando o animal há cerca de um ano e que acordou às 4h para dar banho e deixá-lo pronto para a apresentação.
“Já estamos acostumados a trabalhar com os animais aqui no Rio Grande do Sul com traje típico, com as cordas de couro e usando a vestimenta tradicional. Hoje estamos com o Paint Horse para também ser um cavalo da moda gaúcha”, afirmou.
Segundo Renato, a relação com o animal vai além da competição. “A parceria entre ginete e cavalo é muito grande. Eu sou proprietário e também monto nele. Ele dorme hoje praticamente na sala da minha casa. Quando acordo, ele já está me esperando”, contou.
Uma raça versátil
A presidente do Núcleo Sul da Associação Brasileira de Criadores de Paint Horse (ABCPaint), Janaína Espíndola, explica que a principal característica da raça é justamente a pelagem. “A pelagem é a marca registrada dele. Jamais tu vais ter um cavalo igual ao outro, sempre terá uma mancha ou uma pinta diferente”, destacou.
Originário do Texas, nos Estados Unidos, o Paint Horse chegou ao Brasil na década de 1990, inicialmente por São Paulo. A raça esteve pela primeira vez na Expointer em 1996, edição em que Janaína conheceu os animais e se apaixonou, tornando-se posteriormente criadora.
Embora o cavalo Crioulo seja tradicionalmente associado à cultura campeira do Rio Grande do Sul, Janaína destaca a versatilidade do Paint Horse, que pode ser utilizado em diferentes atividades, como lida de campo, manejo de gado, laço e provas esportivas.
A participação na prova de traje típico, segundo ela, também demonstra a adaptação da raça aos elementos da cultura gaúcha. “É muito importante mostrarmos esse traje típico gaúcho com os arreios, para indicar como eles se adaptam bem com os arreios do gaúcho”, ressaltou.
Assim, entre manchas únicas, arreios, pilchas e a sintonia entre cavalo e ginete, o concurso mostra uma das muitas formas pelas quais a tradição campeira se manifesta na Expointer, e como uma raça de origem norte-americana encontrou espaço para fazer parte da cultura equestre do Rio Grande do Sul.
Fonte: Expointer RS
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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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