Em Bandeirantes, Renato Brauner e os irmãos dão continuidade à trajetória iniciada pelos pais e investem em 1.239 hectares irrigados para ampliar a produtividade e reduzir os impactos da estiagem.
O contraste entre duas lavouras durante uma safra de pouca chuva reforçou uma decisão na trajetória do produtor Renato Brauner, de Bandeirantes, em Mato Grosso do Sul. Enquanto as áreas de sequeiro registraram perdas expressivas, os cultivos irrigados conseguiram sustentar a produção. A diferença confirmou, na avaliação dele, a importância de investir em tecnologia para reduzir a exposição às estiagens e aproveitar melhor as terras da família.
Aos 36 anos, Renato trabalha com soja, milho e sorgo em uma operação com 12 pivôs Valley e 1.239 hectares irrigados. A estrutura foi construída por etapas, com novos equipamentos e aquisição de propriedades que já contavam com irrigação. Agora, o produtor considera instalar mais dois pivôs, mantendo o foco em produtividade e eficiência.
“Sou nascido dentro da agricultura. Meu pai começou com um pedacinho de terra, passou por muito sofrimento, e hoje nós continuamos o legado dele”, conta.
A história da família no estado começou em 1980, quando seus pais deixaram o Rio Grande do Sul rumo a Mato Grosso do Sul. Em 1984, estabeleceram-se em Bandeirantes, onde construíram a atividade que hoje tem continuidade com Renato e seus irmãos.
Visita técnica abriu caminho para a irrigação
O primeiro contato com a possibilidade de irrigar as próprias lavouras ocorreu durante uma visita técnica a uma propriedade próxima, organizada pela consultoria que atendia a família. Ao conhecer a experiência de outro agricultor, Renato percebeu que também havia condições de adotar a tecnologia.
Entre a ideia e a implantação, porém, houve um longo percurso. Segundo o produtor, o projeto inicial começou a ser desenvolvido há cerca de seis anos e enfrentou uma tramitação demorada, principalmente em questões ambientais.
A expansão avançou gradualmente. Uma das etapas mais recentes foi a implantação de quatro pivôs na Fazenda Santo Antônio, dando sequência ao planejamento iniciado anos antes.
“É uma vitória para a nossa família”, afirma.

Na soja, diferença de produtividade varia conforme a chuva
Renato ressalta que os resultados da irrigação mudam de acordo com as condições de cada safra. Em anos com chuvas mais regulares, ele estima um ganho de aproximadamente dez sacas de soja por hectare em relação ao sequeiro.
Nos períodos de maior restrição hídrica, relata diferenças que podem superar 50% de produtividade. Os números correspondem às observações do produtor em sua operação e refletem situações distintas de disponibilidade de chuva.
Além do volume colhido, a maior previsibilidade da produção tem peso nas decisões de investimento da família.
“A irrigação traz estabilidade e segurança”, resume.
A ampliação da estrutura também exigiu preparação da equipe. Operar os equipamentos e compreender as necessidades das culturas passaram a fazer parte de uma rotina com maior acompanhamento técnico.
“Você vai ficando mais técnico, mais profissional, e a equipe também. A irrigação vira uma ferramenta a mais na agricultura”, diz.

Manejo técnico orienta o uso dos 12 pivôs
No início, Renato imaginava que observar a aparência das plantas seria suficiente para decidir quando irrigar. A experiência mostrou que o processo exigia planejamento e acompanhamento ao longo do ciclo das culturas.
“Eu achei que era mais fácil: olhava a planta e colocava para irrigar. Mas é um negócio bem mais complexo. É muito importante ter esse acompanhamento para a tomada de decisões”, afirma.
Atualmente, o produtor utiliza o serviço de manejo de irrigação da Valley nos 12 pivôs. A assessoria é realizada pelos consultores Vinícius Witt e Gabriela Freitas, que auxiliam na transformação das informações técnicas em decisões no campo.
Para Renato, esse suporte tem papel determinante nos resultados, já que erros de manejo podem comprometer o retorno do investimento.
Na avaliação de Vinícius, o desempenho da operação resulta da combinação entre planejamento, busca por eficiência e participação do produtor.
“Não existe um segredo específico para o sucesso. O que observamos na Fazenda Brauner é a combinação de alguns fatores fundamentais: visão de longo prazo, busca constante por eficiência, confiança no processo e uma relação transparente entre produtor e consultoria. Quando existe comprometimento de ambos os lados, os resultados tendem a aparecer de forma consistente”, afirma o consultor.

Próxima etapa prevê ampliar a área irrigada
Com a estrutura em funcionamento, Renato pretende ampliar a irrigação nas áreas que apresentam condições de receber a tecnologia. A instalação de mais dois equipamentos está entre as possibilidades consideradas para os próximos anos.
O objetivo é combinar expansão com melhor aproveitamento da terra, mantendo o manejo como parte central da estratégia.
“Hoje, antes de qualquer coisa, penso em expandir a parte irrigada. Produzir mais em menos área, com excelência, onde eu possa ter uma produtividade maior”, conclui.
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