Operação ‘Boi Fantasma’ mira esquema de corrupção e fraude em registros de gado

Investigação do Gaeco no Paraná revela inserção de dados falsos em sistemas de defesa sanitária para criação de rebanhos fictícios e lucro ilegal; servidora e empresa de leilões são alvos da Operação ‘Boi Fantasma’

A Operação ‘Boi Fantasma’, conduzida pelo Núcleo de Ponta Grossa do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), cumpre mandados de busca e apreensão nos municípios de Jaguariaíva e Ibaiti.

O objetivo é desmantelar um esquema de corrupção ativa e passiva, além de falsidade ideológica, que utilizava o sistema oficial de defesa sanitária para criar rebanhos que existiam apenas no papel.

Entenda o esquema revelado pela Operação ‘Boi Fantasma’ no Paraná

As investigações que deram origem à Operação ‘Boi Fantasma’ tiveram início em julho de 2024, após a própria Agência de Defesa Sanitária do Paraná (Adapar) identificar inconsistências e encaminhar um relatório ao Ministério Público. O foco central das suspeitas recai sobre uma servidora da Prefeitura de Jaguariaíva que, enquanto atuava cedida à Adapar, teria facilitado o registro fraudulento de bovinos.

Segundo o promotor de Justiça Antônio Juliano Albanez, o “modus operandi” envolvia uma parceria escusa entre a servidora e uma empresa de leilões. O esquema consistia em:

  • Cadastramento fictício: Registro de novos animais em rebanhos sem qualquer comprovação documental.
  • Emissão de GTAs: Expedição imediata de Guias de Trânsito Animal para dar aparência de legalidade ao gado inexistente.
  • Territorialidade burlada: Inserção de dados para criadores localizados fora da área de atribuição da unidade.

O resultado era a criação de ativos financeiros baseados em “animais de papel”, cujo único propósito era a geração de lucro ilegal para os envolvidos.

Falsificação de dados e prisões em flagrante

Durante as diligências da Operação ‘Boi Fantasma’, o Gaeco encontrou evidências robustas de que a servidora pública recebia vantagens indevidas para operar no interesse de pecuaristas e da leiloeira investigada. Os mandados foram executados na residência da ex-servidora e na sede da empresa de leilões.

Um desdobramento inesperado ocorreu durante as buscas: um dos investigados foi preso em flagrante por posse irregular de armas e munições. Embora os nomes dos envolvidos sejam mantidos sob sigilo judicial, a operação busca agora rastrear quem foram os produtores beneficiados pelo “esquentamento” desses animais fictícios.

Próximos passos da Operação ‘Boi Fantasma’ e posicionamento oficial

A Adapar manifestou-se por meio de nota, esclarecendo que a servidora citada no inquérito já não exerce atividades na agência. O órgão ressaltou que, até o momento, não foi notificado formalmente sobre os detalhes da Operação ‘Boi Fantasma’, mas que adotará medidas administrativas rigorosas assim que tiver acesso aos autos.

Para o setor produtivo, a operação serve como um alerta sobre a segurança dos sistemas de controle sanitário. O MPPR agora trabalha na análise dos materiais apreendidos para identificar a extensão do prejuízo causado à fidedignidade do rebanho paranaense.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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