ONU alerta que planeta pode ultrapassar 1,5°C e elevar riscos para lavouras e pecuária

Relatório do PNUMA aponta avanço das temperaturas globais e reforça preocupação com disponibilidade de água, produção de alimentos e estabilidade das atividades rurais

O planeta pode ultrapassar 1,5°C de aquecimento global nos próximos anos, ampliando os desafios enfrentados pela agricultura e pela pecuária. A avaliação integra um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), que analisa os efeitos de um período em que a temperatura média da Terra permaneça acima da meta prevista pelo Acordo de Paris.

No cenário mais favorável considerado pelo estudo, o aquecimento global alcançaria um pico próximo de 1,8°C em relação ao período pré-industrial. Em outras projeções analisadas pelo organismo internacional, a elevação da temperatura é ainda maior. Para o meio rural, o avanço desse processo preocupa principalmente pela maior exposição das atividades produtivas às alterações no regime de chuvas, às ondas de calor e às limitações na oferta de água.

Aquecimento global acima de 1,5°C pressiona a produção rural

A produção agropecuária depende diretamente das condições ambientais. Mudanças mais intensas de temperatura e precipitação podem afetar etapas importantes do ciclo produtivo, desde a implantação das culturas até a colheita.

A escassez prolongada de chuvas, por exemplo, pode comprometer reservatórios utilizados na irrigação e no abastecimento animal. Já episódios de precipitação excessiva aumentam a possibilidade de erosão, danos às lavouras e prejuízos à infraestrutura das propriedades.

Na pecuária, temperaturas elevadas também acrescentam dificuldades ao manejo, especialmente em regiões mais vulneráveis ao calor e à redução da disponibilidade hídrica.

O avanço das mudanças climáticas ainda pode favorecer alterações na ocorrência de pragas e doenças, exigindo maior capacidade de acompanhamento e resposta por parte dos produtores.

Amazônia aparece entre áreas sensíveis às mudanças climáticas

O relatório também chama atenção para sistemas naturais que podem sofrer alterações profundas caso o aquecimento continue avançando.

A Floresta Amazônica está entre as áreas de preocupação devido à possibilidade de mudanças capazes de afetar seu funcionamento ambiental.

Para o Brasil, a discussão possui reflexos econômicos importantes. A floresta exerce influência sobre a circulação de umidade e sobre os padrões de chuva observados em diferentes regiões do país, incluindo grandes áreas dedicadas à produção agropecuária.

Mudanças significativas nesse equilíbrio podem tornar o comportamento climático ainda menos previsível para produtores rurais.

Adaptação ganha espaço no planejamento do campo

Diante das projeções, a capacidade de adaptação passa a ocupar um papel cada vez maior nas estratégias voltadas ao agronegócio.

Entre as iniciativas necessárias estão o uso mais eficiente da água, conservação dos solos, recuperação de áreas degradadas e adoção de sistemas produtivos capazes de suportar melhor períodos de seca, calor ou excesso de chuva.

Essas medidas não substituem a redução das emissões de gases de efeito estufa. Segundo o PNUMA, mitigação e adaptação precisam avançar simultaneamente para limitar os impactos econômicos, ambientais e sociais associados ao aumento das temperaturas.

ONU defende redução do tempo acima do limite climático

Ainda que a ultrapassagem de 1,5°C ocorra, a intensidade e a duração desse período terão influência direta sobre as consequências futuras.

A orientação apresentada pelas Nações Unidas é impedir que o planeta permaneça por muito tempo em níveis elevados de aquecimento. Quanto menor for esse intervalo, menor tende a ser a exposição de populações, ecossistemas e setores econômicos a transformações difíceis de reverter.

ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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