Onde estão as vacas mais produtivas do Brasil? Ranking revela diferenças impressionantes 

Levantamento do Compre Rural cruza a produção anual de leite com o número de vacas ordenhadas; estados do Sul ultrapassam 4 mil litros por animal

As vacas mais produtivas do Brasil estão concentradas nos estados do Sul. Em 2024, enquanto a média nacional ficou em 2.362 litros de leite por vaca ordenhada ao ano, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul ultrapassaram a marca de 4 mil litros.

O levantamento foi elaborado a partir da Pesquisa da Pecuária Municipal, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A comparação considera o volume anual produzido e a quantidade de animais ordenhados nos seis maiores estados produtores de leite do país.

O Brasil encerrou 2024 com uma produção recorde de 35,7 bilhões de litros, obtida a partir de aproximadamente 15,1 milhões de vacas ordenhadas. O efetivo caiu 2,8% em relação ao ano anterior, mas a produtividade cresceu 4,3%, indicando maior eficiência nas fazendas leiteiras.

As vacas mais produtivas do Brasil estão no Sul

Santa Catarina lidera o recorte, com uma produtividade calculada em 4.074 litros por vaca ordenhada ao ano. Paraná e Rio Grande do Sul aparecem muito próximos, com médias de 4.052 e 4.032 litros, respectivamente.

PosiçãoEstadoProdução em 2024Vacas ordenhadasProdutividade anual
1ºSanta Catarina3,30 bilhões de litros810.6404.074 litros/vaca
2ºParaná4,62 bilhões de litros1.140.6414.052 litros/vaca
3ºRio Grande do Sul4,03 bilhões de litros998.3014.032 litros/vaca
4ºMinas Gerais9,78 bilhões de litros3.006.0563.254 litros/vaca
5ºGoiás2,92 bilhões de litros1.484.1581.968 litros/vaca
6ºSão Paulo1,51 bilhão de litros792.0541.900 litros/vaca
Fonte: IBGE — Pesquisa da Pecuária Municipal 2024, tabelas 74 e 94 do SIDRA. Produtividade calculada pelo Compre Rural.

A distância entre os extremos chama a atenção. A média catarinense foi mais que o dobro da registrada em São Paulo, embora o estado paulista também esteja entre os maiores produtores nacionais.

Os três primeiros colocados apresentam resultados muito próximos. A diferença entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul foi inferior a 42 litros por vaca no acumulado do ano.

Produzir mais leite não significa ter o animal mais produtivo

Minas Gerais permanece como líder nacional em volume, respondendo por cerca de 27% do leite produzido no país. Essa posição, porém, está associada também ao tamanho do rebanho: foram mais de 3 milhões de vacas ordenhadas no estado.

Santa Catarina produziu aproximadamente um terço do volume mineiro, mas utilizou um efetivo quase quatro vezes menor. Quando os números são divididos pela quantidade de animais, o estado catarinense assume a primeira colocação do recorte.

A comparação mostra que produção total e produtividade animal medem aspectos diferentes da atividade. A primeira está ligada à escala da cadeia leiteira. A segunda ajuda a revelar quanto cada território consegue produzir, em média, com os animais utilizados na ordenha.

Região Sul abre ampla vantagem

A liderança dos estados sulistas acompanha o resultado regional. Em 2024, o Sul registrou uma média de 4.051 litros por vaca ao ano, contra 2.745 litros no Sudeste.

Nas demais regiões, a produtividade ficou em 1.917 litros no Centro-Oeste, 1.575 litros no Nordeste e 926 litros no Norte. A diferença entre Sul e Norte chegou a mais de 3,1 mil litros por animal.

O desempenho regional não significa que todas as propriedades do Sul produzam acima das fazendas de outras áreas. Os números representam médias formadas por sistemas distintos, desde pequenas unidades familiares até operações intensivas e altamente tecnificadas.

O que explica as vacas mais produtivas do Brasil?

A produtividade leiteira depende de uma combinação de fatores. Genética, alimentação e qualidade das pastagens influenciam diretamente a capacidade produtiva do rebanho, mas os resultados também passam pelo controle sanitário, reprodução e estrutura oferecida aos animais.

Nos estados do Sul, a presença de cooperativas e propriedades especializadas facilita o acesso a assistência técnica, melhoramento genético, controle zootécnico e planejamento da alimentação. A conservação de silagem e outras forragens também ajuda a manter uma dieta regular ao longo do ano.

O clima mais ameno favorece raças leiteiras especializadas. Em regiões quentes, a ausência de sombra, ventilação ou sistemas de resfriamento pode reduzir o consumo de alimentos e prejudicar a produção. Estudos da Embrapa apontam o conforto térmico, o manejo alimentar e a genética entre os elementos decisivos para o desempenho dos bovinos leiteiros.

Sergipe se destaca fora do eixo Sul-Sudeste

O ranking principal reúne os seis estados com os maiores volumes de leite, mas outros resultados merecem atenção. Sergipe, por exemplo, alcançou 3.301 litros por vaca ordenhada em 2024, superando a média brasileira.

O resultado sergipano foi o maior do Nordeste e ficou acima das médias calculadas para Goiás e São Paulo. No estado, a produção chegou a cerca de 678,5 milhões de litros, obtidos a partir de pouco mais de 205 mil vacas ordenhadas.

O caso demonstra que uma cadeia leiteira menor pode alcançar alta eficiência. Também reforça a necessidade de observar a produtividade separadamente do volume total produzido.

Como o ranking foi calculado

O cálculo utilizou duas bases da Pesquisa da Pecuária Municipal:

Produtividade anual = produção de leite em litros ÷ número de vacas ordenhadas

A produção foi extraída da Tabela 74 do SIDRA, na qual os valores são apresentados em mil litros. O número de animais veio da Tabela 94, expressa em cabeças.

Antes da divisão, o volume de leite foi convertido para litros. Os resultados foram arredondados para o número inteiro mais próximo.

O indicador representa uma estimativa territorial, e não o acompanhamento individual de cada vaca. Por esse motivo, o formato tecnicamente correto é “litros por vaca ordenhada ao ano”, sem transformar o resultado em uma suposta média diária.

A PPM reúne informações de todos os municípios brasileiros e utiliza fontes consultadas durante o ano de referência. O IBGE informa que seus resultados podem passar por revisões posteriores e que alguns valores municipais podem ser protegidos para preservar o sigilo dos informantes.

Os números de 2024 revelam uma pecuária leiteira cada vez menos dependente apenas do tamanho do rebanho. O avanço da produção com menos animais mostra que manejo, tecnologia e eficiência produtiva passaram a ocupar um papel central no crescimento do setor.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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