O futuro do leite no Brasil passa pelo Girolando F1, afirma líder da pecuária leiteira

Durante a principal exposição da pecuária leiteira nacional, líder das Fazendas do Basa, Evandro Guimarães, compartilha reflexões sobre o potencial do Girolando Meio-Sangue, a democratização da genética e os caminhos para fortalecer a produção de leite no Brasil

A edição 2026 da Megaleite, realizada em Belo Horizonte (MG), mais uma vez consolidou seu papel como o principal palco da pecuária leiteira brasileira. Reunindo criadores, técnicos, pesquisadores, empresas, investidores e lideranças do setor, o evento se transformou em um ambiente de troca de experiências, apresentação de avanços genéticos e discussão sobre os desafios e oportunidades da atividade leiteira nacional.

Em meio à intensa programação de julgamentos, leilões, palestras e encontros estratégicos, uma das vozes que chamou atenção foi a de Evandro Guimarães, referência nacional na criação de Gir Leiteiro e Girolando e responsável pela condução das Fazendas do Basa, empreendimento que se tornou conhecido pelo trabalho consistente de seleção genética e pela busca de soluções capazes de impulsionar a produtividade da pecuária tropical.

Com uma trajetória marcada por investimentos em melhoramento genético e pela defesa da modernização da atividade leiteira, Evandro aproveitou o ambiente proporcionado pela Megaleite para compartilhar reflexões sobre temas que considera fundamentais para o futuro do setor. Entre eles, o fortalecimento do Girolando Meio-Sangue, o apoio efetivo aos pequenos produtores rurais e o reconhecimento de profissionais que contribuem para a evolução da pecuária brasileira.

Dúvida Beemer FIV Genoma / 3ª Melhor Vaca e 2º Melhor Úbere Adulto Girolando 1/2
Dúvida Beemer FIV Genoma / 3ª Melhor Vaca e 2º Melhor Úbere Adulto Girolando 1/2

O potencial ainda subestimado do Girolando Meio-Sangue

Segundo Evandro Guimarães, o Brasil ainda não reconhece plenamente o valor estratégico do Girolando Meio-Sangue (F1), resultado do cruzamento entre fêmeas Gir Leiteiro de alta qualidade genética e sêmen sexado de touros Holandeses superiores.

Na avaliação do pecuarista, trata-se de um dos animais mais eficientes para os sistemas produtivos dos trópicos, reunindo rusticidade, adaptação ao clima e elevados índices de produção de leite.

Para ele, o desempenho alcançado por esses animais deveria receber maior valorização por parte do mercado e das políticas voltadas ao desenvolvimento da pecuária leiteira.

“O reconhecimento desse cruzamento ainda é tímido diante da realidade produtiva extraordinária que ele apresenta”, observa.

Evandro ressalta que destacar a importância do primeiro grau de sangue do Girolando não significa diminuir a relevância dos demais graus de composição racial. Pelo contrário. Em sua visão, a valorização da base genética fortalece toda a cadeia de melhoramento.

O criador destaca que a combinação entre a genética da fêmea Gir Leiteiro, a qualidade dos reprodutores Holandeses e os benefícios da heterose resulta em um animal que reúne características extremamente desejáveis para os sistemas tropicais de produção.

Outro ponto defendido por ele é o papel da tecnologia de transferência de embriões na expansão da pecuária leiteira nacional. Segundo Evandro, o aumento da demanda por fêmeas Gir Leiteiro de excelência pode estimular o crescimento do número de criadores da raça e ampliar a oferta de genética de qualidade em todo o país.

Na sua avaliação, a democratização do acesso a embriões superiores poderia acelerar significativamente o melhoramento dos rebanhos brasileiros.

Ele acredita ainda que uma mobilização mais robusta dos criadores poderia influenciar a formulação de políticas públicas voltadas ao crédito rural, ao incentivo da genética bovina e à ampliação do acesso às biotecnologias reprodutivas.

Para Evandro Guimarães, a expansão da população de Girolando Meio-Sangue pode representar um importante passo para fortalecer a segurança alimentar do país e abrir caminho para que o Brasil amplie sua participação no mercado internacional de lácteos e derivados.

Melhoramento genético como ferramenta de transformação dos pequenos produtores

Outro tema destacado pelo líder das Fazendas do Basa é a necessidade de acelerar o melhoramento genético dos pequenos rebanhos leiteiros brasileiros.

Na avaliação do criador, os programas de apoio à agricultura familiar e à pequena produção rural precisam priorizar iniciativas estruturantes, capazes de gerar transformação duradoura e aumento efetivo da renda no campo.

Ele defende o fortalecimento das linhas de crédito rural já existentes, aliado à ampliação da assistência técnica especializada, considerada por ele insuficiente em muitas regiões do país.

Segundo Evandro, o primeiro passo para promover uma mudança significativa na realidade dos pequenos produtores está na melhoria genética dos animais.

A utilização de tecnologias como a transferência de embriões, afirma, pode acelerar de maneira expressiva os resultados econômicos das propriedades.

O pecuarista ressalta que aspectos como sanidade, nutrição, manejo, conforto animal e gestão continuam sendo fundamentais para o sucesso da atividade. Entretanto, acredita que a evolução genética funciona como um catalisador para a adoção de todas as demais boas práticas.

De acordo com sua análise, quando o produtor passa a enxergar resultados concretos no aumento da produção, na valorização patrimonial dos animais e na geração de renda, cresce também sua disposição para investir em melhorias em toda a cadeia produtiva da propriedade.

Essa mudança de perspectiva, afirma, gera um ambiente favorável para o crescimento sustentável da atividade leiteira.

Para Evandro Guimarães, o desenvolvimento dos pequenos produtores deve ocorrer por meio de políticas públicas estruturantes e programas capazes de promover autonomia econômica, evitando ações meramente assistencialistas.

“Com esperança em dias melhores e condições adequadas para investir, o produtor naturalmente busca aprimorar toda a sua atividade”, defende.

Homenagem a um brasileiro que ajuda a transformar a produção mundial de leite

Durante a Megaleite 2026, Evandro Guimarães também destacou a importância de reconhecer profissionais que contribuem para a evolução da pecuária em escala global.

Entre eles está Rodrigo Untura, especialista amplamente reconhecido por seu trabalho na implantação de programas de transferência de embriões em diversos países.

Segundo Evandro, Untura tem participado de projetos voltados ao aumento acelerado da produção leiteira por meio da genética, colaborando com governos e instituições interessadas em fortalecer a segurança alimentar e ampliar a oferta de proteína animal para suas populações.

“O trabalho desenvolvido por Rodrigo Untura demonstra como a genética pode ser utilizada como ferramenta estratégica para gerar riqueza, aumentar a produção de alimentos e melhorar a qualidade de vida de milhões de pessoas”, afirma.

Como forma de reconhecimento, Rodrigo Untura foi homenageado durante a abertura do leilão presencial “O Fabuloso Gir Leiteiro”, realizado dentro da programação da Megaleite 2026.

Para Evandro Guimarães, valorizar profissionais que ajudam a disseminar tecnologia e conhecimento é tão importante quanto investir na própria genética animal. Afinal, são as pessoas que transformam inovação em resultados concretos para o campo.

Um olhar para o futuro da pecuária leiteira

As reflexões apresentadas por Evandro Guimarães durante a Megaleite 2026 convergem para um mesmo ponto: a necessidade de acelerar a evolução genética da pecuária leiteira brasileira como instrumento de aumento da produtividade, da competitividade e da sustentabilidade econômica dos produtores.

Na visão do líder das Fazendas do Basa, o Brasil reúne clima, tecnologia, genética e capacidade produtiva para ocupar uma posição ainda mais relevante no cenário mundial do leite. Para isso, porém, será necessário ampliar o acesso dos produtores às ferramentas modernas de melhoramento, fortalecer a assistência técnica e criar mecanismos que permitam a difusão mais rápida da genética superior em todas as regiões do país.

A Megaleite terminou, mas o debate lançado por Evandro Guimarães permanece atual: como transformar o potencial genético já disponível em desenvolvimento econômico, segurança alimentar e oportunidades para milhares de produtores rurais brasileiros.

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