Sistema deve se formar próximo ao Uruguai entre sábado e domingo, associado a uma nova frente fria; alerta já prevê granizo, até 50 mm de chuva e ventos de 60 km/h em áreas do Sul
Depois de uma sequência de frentes frias, chuva volumosa e episódios de tempo severo, o Sul do Brasil atravessa uma pequena janela de estabilidade. A trégua, porém, deverá durar pouco: um novo ciclone extratropical e uma frente fria devem organizar outra rodada de temporais no fim de semana.
Para sábado (19), já existe alerta meteorológico contemplando áreas de Santa Catarina, com previsão de 20 a 30 mm de chuva por hora ou até 50 mm em 24 horas, rajadas entre 40 e 60 km/h e possibilidade de granizo. Neste momento, porém, não há indicação oficial de tornados, ventos generalizados próximos de 100 km/h ou de um ciclone extremo. O cenário é de aumento do risco de tempestades a partir de sábado, com intensidade e distribuição que ainda poderão mudar.
Ciclone deve se formar próximo ao Uruguai
A previsão da Epagri indica que o ciclone deverá se organizar nas proximidades do Uruguai entre sábado (19) e domingo (20), associado a uma nova frente fria.
O Rio Grande do Sul tende a sentir primeiro a mudança, com aumento da instabilidade entre sexta-feira e sábado. Posteriormente, chuva e tempestades devem alcançar Santa Catarina e Paraná.
Em Santa Catarina, o fim de semana terá condições para chuva pontualmente intensa, granizo, rajadas de vento e descargas elétricas.
A posição exata do ciclone e a velocidade da frente ainda podem mudar nas próximas atualizações. Por isso, acumulados para todo o evento devem ser tratados com cautela.
Frente fria poderá avançar pelo Centro-Sul
Depois de atravessar a Região Sul, a frente fria poderá avançar sobre outras áreas do Centro-Sul.
As projeções atuais indicam aumento da instabilidade também em Mato Grosso do Sul e São Paulo. A partir de domingo, áreas paulistas que terão os próximos dias mais estáveis voltam a apresentar possibilidade de chuva e trovoadas.
Para a agricultura, esse avanço merece atenção. Algumas regiões receberam chuva expressiva na primeira quinzena de setembro, enquanto outras ainda aguardam precipitações mais regulares.
A nova frente pode levar chuva a parte dessas áreas, mas um único sistema não significa necessariamente o estabelecimento definitivo da estação chuvosa.
Solo encharcado aumenta a atenção
O próximo evento encontrará partes do Centro-Sul com o solo ainda carregando os efeitos das chuvas recentes.
Na primeira quinzena de setembro, áreas do leste do Paraná, sul e leste de São Paulo e litoral sul do Rio de Janeiro receberam entre 200 e 300 mm. Regiões catarinenses também acumularam volumes próximos ou superiores a 100 mm em períodos curtos.
Por isso, mesmo uma nova chuva que isoladamente não seja excepcional pode gerar impactos maiores onde o solo permanece saturado e os rios estão elevados.
Um exemplo está no Vale do Ribeira. O Cemaden mantém atenção para a região de Sorocaba devido à propagação das cheias pelo Rio Ribeira de Iguape e seus afluentes, com níveis elevados principalmente em Sete Barras, Registro e Iguape.
O que muda para o produtor rural
Para o agro, o principal risco está na combinação de chuva forte localizada, granizo e vento.
O granizo pode provocar danos em lavouras, enquanto rajadas representam risco para galpões, estufas, silos e outras estruturas. Em áreas encharcadas, novas precipitações podem atrasar operações com máquinas, aumentar processos erosivos e prejudicar estradas rurais.
Na pecuária, excesso de lama pode dificultar o manejo em currais e confinamentos, enquanto tempestades elétricas exigem atenção com animais em áreas abertas.
Antes da mudança, a janela de tempo mais firme pode favorecer algumas operações no Sul, mas a condição de cada propriedade precisa ser avaliada: o solo pode parecer seco na superfície e continuar saturado em profundidade.
Ainda é cedo para falar em evento extremo
Até agora, o cenário indica formação de um ciclone extratropical, avanço de uma frente fria e risco de tempestades com granizo, chuva de até 50 mm e rajadas de até 60 km/h nas áreas abrangidas pelo alerta.
Não há, entretanto, base oficial neste momento para anunciar tornados ou vendavais generalizados próximos de 100 km/h.
Como o sistema ainda deverá se formar, trajetória, intensidade e distribuição das chuvas poderão sofrer ajustes nas próximas atualizações meteorológicas.
Para o produtor rural, o período entre sexta-feira e o fim de semana será decisivo para acompanhar a evolução do sistema e ajustar operações de campo nas áreas sob maior risco.
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