A seleção reconhece mulheres que se destacam por sua capacidade de decisão, influência e impacto no agronegócio brasileiro.
A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, e outras oito pesquisadoras da Empresa — Mariangela Hungria, Mariana Aragão, Roberta Carnevalli, Nair Arriel, Cristina Arzabe, Debora Milori, Simone Favaro e Iêda Mendes — figuram na lista das 100 mulheres mais poderosas do agro em 2026, elaborada pela revista Forbes. A relação foi divulgada no dia 15 de outubro, quando é celebrado o Dia Internacional da Mulher Rural.
A seleção reconhece mulheres que se destacam por sua capacidade de decisão, influência e impacto no agronegócio brasileiro. Em sua segunda edição — a primeira foi em 2021 — a iniciativa contempla diferentes áreas de atuação, da produção rural à pesquisa científica, e considera, entre outros aspectos, a contribuição para o desenvolvimento de tecnologias e para a transformação das atividades produtivas.
A Forbes adota uma concepção ampla de poder feminino no agronegócio, que vai além da ocupação de cargos de liderança ou da visibilidade pública. A revista cita, como exemplo, pesquisadoras cujas tecnologias são adotadas em larga escala, mesmo sem exercer funções executivas.
A escolha de 100 nomes busca contemplar a diversidade de trajetórias e de formas de atuação das mulheres no agro. A relação não estabelece uma classificação entre as homenageadas.
A Embrapa conta atualmente com 8.010 empregados, dos quais 2.659 são mulheres, o equivalente a 33,2% do quadro de pessoal. Desse total, 826 são pesquisadoras, que atuam em diferentes áreas do conhecimento e contribuem para o desenvolvimento de soluções tecnológicas para a agropecuária brasileira.
As mulheres da Embrapa
Silvia Massruhá

A presidente da Embrapa destaca que o reconhecimento da Forbes ganha um significado especial por ser compartilhado com outras oito pesquisadoras da Empresa. Para ela, apesar das diferentes experiências profissionais e áreas de atuação, todas têm em comum o compromisso de produzir conhecimento, desenvolver soluções e contribuir para a agricultura brasileira.
Silvia ressalta que as conquistas científicas são resultado de esforços coletivos. “Por trás de cada resultado existem equipes, parcerias, oportunidades e, sobretudo, pessoas que acreditam no poder da ciência para transformar realidades.” Na avaliação da presidente, a presença das nove profissionais na lista também representa a força da pesquisa pública brasileira e das mulheres que atuam no campo, nos laboratórios, na gestão e nos espaços de decisão.
Ela espera que a homenagem incentive outras mulheres a seguir carreiras científicas e assumir posições de liderança. “Que esse reconhecimento também sirva de inspiração para que mais meninas e mulheres enxerguem na ciência, na tecnologia e na liderança caminhos possíveis para realizar seus sonhos.”
Débora Milori

A pesquisadora da Embrapa Instrumentação (SP) desenvolve métodos, sensores e equipamentos que utilizam tecnologias ópticas para analisar solos, plantas, fertilizantes e alimentos. Entre os resultados de suas pesquisas está um sistema que utiliza laser para medir carbono, nutrientes e contaminantes no solo. A tecnologia foi licenciada para uma empresa criada a partir dos resultados desses estudos e que hoje presta serviços de análise de solos em diferentes regiões do País.
Para Débora, a inclusão na lista da Forbes representa não apenas uma conquista pessoal, mas também o reconhecimento ao trabalho coletivo de pesquisadores, técnicos, estudantes e parceiros. “É também uma valorização da pesquisa pública e do papel fundamental da Embrapa na geração de conhecimento e inovação para o País”.
A pesquisadora ressalta que, apesar dos avanços na participação feminina na ciência e no agronegócio, ainda existem desafios para ampliar a presença das mulheres, especialmente em posições de liderança e nas áreas tecnológicas. Ela defende a visibilidade das trajetórias femininas como forma de inspirar novas gerações. “A diversidade de experiências e perspectivas fortalece a ciência”, afirma.
Iêda Mendes

A pesquisadora da Embrapa Cerrados (DF) liderou os estudos que resultaram no desenvolvimento da BioAS (Bioanálise de Solos), tecnologia lançada em 2020 que utiliza indicadores biológicos para avaliar a saúde dos solos agrícolas. Ao complementar as análises tradicionais de fertilidade, a ferramenta ajuda produtores e técnicos a identificar alterações relacionadas ao manejo e a adotar práticas mais sustentáveis. A pesquisadora também participou do desenvolvimento da Plataforma Saúde do Solo BR, lançada em 2025, que reúne informações para apoiar o monitoramento e o manejo dos solos brasileiros.
Iêda comemora a inclusão na lista da Forbes e destaca a importância da homenagem para sua área de atuação. “Fico especialmente feliz por ver a pesquisa científica reconhecida como uma força capaz de promover mudanças reais na agricultura”, afirma. Ela também valoriza o trabalho coletivo que tornou possível o desenvolvimento da BioAS e ressalta que a tecnologia demonstra como os resultados da ciência podem chegar ao campo e transformar as práticas agrícolas.
A pesquisadora defende a ampliação da participação feminina na ciência e no agronegócio, especialmente nos espaços de decisão. Para ela, a diversidade de experiências e perspectivas contribui para enfrentar os desafios do setor. “Quanto maior a diversidade de pessoas pensando, pesquisando e tomando decisões, maior será nossa capacidade de enfrentar os desafios da agricultura e construir sistemas produtivos mais sustentáveis, resilientes e comprometidos com a saúde do solo.”
Simone Favaro

A pesquisadora da Embrapa Agroenergia (DF) destaca sua contribuição para o desenvolvimento de conhecimentos sobre a macaúba, palmeira que vem ganhando espaço no agronegócio brasileiro. Seu trabalho envolve a articulação de redes de pesquisa e a aproximação com diferentes setores da sociedade, incluindo associações de agricultores familiares. Segundo ela, esses esforços contribuíram para a estruturação de uma cadeia produtiva em larga escala e para dar visibilidade às populações que já obtêm renda da palmeira e mantêm vínculos culturais com ela.
Surpresa com a inclusão na lista da Forbes, Simone considera que a homenagem valoriza uma carreira marcada por sonhos e sacrifícios. “Sem dúvida, ter um reconhecimento público de uma vida de trabalho traz sentimentos muito bons”, afirma.
Ao refletir sobre a participação feminina no agronegócio, Simone resgata uma lembrança da infância. “Lembro-me bem da minha mãe agricultora nos cafezais do Paraná, ora me carregando nas costas enquanto abanava o café, ora me pondo numa caminha afofada de palhas embaixo de uma árvore para dormir enquanto continuava na lida.” Para a pesquisadora, esse relato ilustra a importância histórica do trabalho feminino na agricultura, muitas vezes sem o devido reconhecimento.
Roberta Carnevalli

A chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Soja (PR) atua na definição de prioridades e na coordenação de projetos voltados aos desafios da produção agrícola. Com experiência em sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta e gestão da pesquisa, participa, desde 2020, do Comitê Gestor do Programa Soja Baixo Carbono, iniciativa que desenvolve um sistema de certificação para a produção de soja com menor emissão de carbono.
Para Roberta, a inclusão na lista da Forbes representa o reconhecimento ao trabalho coletivo das equipes de pesquisa e à contribuição da ciência para o agronegócio brasileiro. “É a validação do papel estratégico da pesquisa pública e da inovação científica para a sustentabilidade e a competitividade do agronegócio brasileiro: um holofote sobre a ciência nacional, tão importante e nem sempre valorizada”, afirma.
A pesquisadora considera que as mulheres desempenham um papel estratégico na transformação do agronegócio e destaca a importância da diversidade na busca por soluções para o setor. “Liderar a área de PD&I em uma instituição do porte da Embrapa Soja me permite ver diariamente como a diversidade de perspectivas na pesquisa acelera a busca por soluções inovadoras.” Para ela, a participação feminina vai além da conquista de espaços profissionais e contribui para definir os rumos da agricultura.
Mariangela Hungria

A pesquisadora da Embrapa Soja (PR) desenvolve tecnologias que utilizam microrganismos para aumentar a produtividade agrícola e reduzir a necessidade de fertilizantes químicos. Seus estudos contribuíram para a adoção da inoculação com bactérias benéficas em cerca de 85% da área cultivada com soja no Brasil e da coinoculação em aproximadamente 35%.
Em 2025, tornou-se a primeira brasileira a receber o Prêmio Mundial da Alimentação (World Food Prize), uma das principais distinções internacionais da área. Mariangela também integrou a primeira edição da lista da Forbes, publicada em 2021. Segundo dados apresentados pela Embrapa Soja, as tecnologias de inoculação e coinoculação contribuíram, somente em 2025, para uma economia estimada em US$ 25 bilhões — com a dispensa de fertilizantes nitrogenados — e para evitar a emissão de mais de 230 milhões de toneladas de CO₂ equivalente.
Ao comentar a presença de nove profissionais da Embrapa na lista, Mariangela recorda as dificuldades enfrentadas pelas mulheres no início de sua carreira. “Havia preconceito, éramos poucas e não tínhamos grande destaque.” A pesquisadora, que teve Johanna Döbereiner como referência científica, comemora o reconhecimento das novas gerações. “Ver essas novas embrapianas despontando dá uma sensação de que fizemos a coisa certa abrindo caminhos”, afirma.
Cristina Arzabe

Uma das responsáveis pela criação do Observatório das Mulheres Rurais do Brasil, a pesquisadora atua na produção e na organização de informações que dão visibilidade à participação feminina na agropecuária. Desenvolvida em parceria entre a Embrapa, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e o então Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a iniciativa utiliza dados do Censo Agropecuário para ampliar o conhecimento sobre as mulheres que vivem e trabalham no campo.
Cristina considera sua inclusão na lista da Forbes um reconhecimento à sua atuação profissional. “Fiquei extremamente surpresa, porque realmente não esperava por essa indicação”, afirma. Para ela, a homenagem valoriza anos de dedicação às mulheres que atuam em diferentes atividades produtivas, no campo, nas florestas e nas águas.
A pesquisadora destaca o caráter coletivo da construção do Observatório, que passou a integrar o portal da Embrapa para garantir a continuidade do trabalho. Ela ressalta a colaboração das instituições parceiras e das equipes responsáveis pelo desenvolvimento e pela atualização da plataforma, que reúne informações sobre as mulheres rurais e oportunidades de captação de recursos.
Mariana Aragão

A chefe-geral da Embrapa Gado de Corte (MS) é a primeira mulher a ocupar o cargo na Unidade. Com 25 anos de atuação na Empresa, desenvolveu estudos nas áreas de gestão e economia rural, com foco nos processos de tomada de decisão dos pecuaristas. Suas pesquisas consideram fatores psicossociais que influenciam a adoção de tecnologias e de práticas de gestão nas propriedades, especialmente entre pequenos e médios produtores.
Mariana comemora a inclusão na lista da Forbes. “Foi uma grata surpresa, a qual me deixou muito lisonjeada. Tenho 25 anos de Embrapa e receber essa homenagem é o reconhecimento de uma trajetória de muita dedicação, superação e vontade de fazer a diferença na vida das pessoas”.
Para a pesquisadora, a participação feminina na ciência tem uma longa história, embora seu reconhecimento tenha se ampliado recentemente. Ela destaca a presença das mulheres em diferentes atividades da pesquisa agropecuária, dos laboratórios à gestão. “Cada uma, à sua maneira, traz um olhar minucioso e empático, que agrega muito para o ambiente científico. E o mais importante: mulheres bem-sucedidas encorajam e inspiram outras mulheres”, conclui.
Nair Arriel

A chefe-geral da Embrapa Algodão (PB) atua na pesquisa agropecuária desde 1987, com destaque para a conservação de recursos genéticos e o melhoramento genético de culturas como gergelim e algodão. Seu trabalho busca desenvolver tecnologias acessíveis e sustentáveis para os produtores rurais, com foco na inovação no campo.
Para a pesquisadora, integrar a lista da Forbes representa o reconhecimento de uma vida dedicada à ciência e do esforço coletivo das equipes da Embrapa. “Vejo este reconhecimento não apenas como uma conquista pessoal, mas como reflexo da pesquisa pública brasileira, pois valoriza a ciência produzida na Embrapa e projeta a liderança feminina como referência nos mais diversos espaços de decisão do agronegócio nacional”.
Nair também destaca a importância da presença feminina na ciência e no agronegócio, especialmente em posições de liderança. “Espero que a nossa presença na pesquisa pública sirva de inspiração para que futuras gerações de mulheres acreditem na sua força e sigam transformando a ciência e o agronegócio”, diz.
Fonte: Embrapa
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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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