Nova picape da Chery une diesel e tomada com 476 cv e reboque de quase 3,5 toneladas

Picape Chery Stockman combina motor turbodiesel, sistema híbrido plug-in e tração 4×4; modelo tem reservas abertas na Austrália, mas ainda não possui lançamento confirmado no Brasil

A eletrificação das caminhonetes está ganhando uma configuração que conversa diretamente com quem utiliza o veículo para trabalhar: motor a diesel associado à propulsão elétrica, com possibilidade de recarga na tomada. Essa é a proposta da Chery Stockman, picape que estreia no mercado australiano com números expressivos de potência e capacidade de reboque, preservando características tradicionais dos utilitários voltados ao serviço pesado.

O interesse para o público brasileiro vai além da chegada de mais uma caminhonete chinesa. A Stockman permite observar como a indústria pretende aproximar a eletrificação de necessidades comuns no campo, como percorrer longas distâncias, enfrentar estradas de terra e transportar equipamentos. Por enquanto, porém, não há confirmação de venda no Brasil, nem preço ou configuração definidos para o mercado nacional.

Diesel e eletricidade entregam cerca de 476 cv

Segundo as informações divulgadas pela Chery na Austrália, a Stockman utiliza um motor 2.5 turbodiesel associado a um sistema elétrico, alimentado por uma bateria de fosfato de ferro-lítio, conhecida pela sigla LFP, de 34 kWh.

A potência combinada anunciada é de 350 kW, equivalentes a aproximadamente 476 cv, enquanto o torque chega a 800 Nm, ou cerca de 81,6 kgfm.

Por se tratar de um híbrido plug-in, o veículo pode receber energia de uma fonte externa e circular em modo elétrico. A fabricante informa alcance de até 96 quilômetros nessa condição, pelo ciclo WLTP. Esse resultado depende das condições de utilização e não representa uma garantia de autonomia em trajetos com carga, reboque ou terreno difícil.

A proposta amplia uma discussão que já aparece em modelos como a Ford Maverick híbrida, que teve redução de preço no Brasil: como aproveitar a eletrificação em um veículo que precisa atender trabalho, deslocamentos cotidianos e uso familiar.

Reboque e tração reforçam a proposta de trabalho

A capacidade anunciada para puxar um reboque equipado com freios é de 3.495 kg. Para reboques sem freios, o limite informado cai para 750 kg.

Esses números representam a capacidade de tracionar um implemento e não devem ser confundidos com a carga transportada na caçamba. Para avaliar uma operação real, também entram na conta o peso dos ocupantes, dos acessórios e os limites de peso do conjunto.

A configuração apresentada inclui:

  • Tração nas quatro rodas;
  • Bloqueios dos diferenciais dianteiro, central e traseiro;
  • Pneus de uso misto;
  • Suspensão dianteira independente;
  • Suspensão traseira com feixe de molas.

São escolhas que aproximam a Stockman do universo das caminhonetes de trabalho. Ainda assim, a presença desses componentes não permite concluir, antecipadamente, como será sua durabilidade ou seu comportamento em condições brasileiras.

Esse é um ponto relevante em um segmento disputado por modelos conhecidos do produtor, como a Ford Ranger, que retomou a liderança mensal das picapes médias no Brasil.

O que essa combinação pode oferecer ao produtor rural

O principal interesse de uma picape híbrida a diesel está na possibilidade de combinar diferentes formas de utilização. Deslocamentos curtos poderiam aproveitar a energia da bateria, enquanto viagens mais longas continuariam contando com o motor a combustão.

A economia efetiva, entretanto, depende da rotina de cada propriedade. Distância percorrida, frequência de recarga, tarifa de energia, preço do diesel, relevo e peso transportado precisam entrar na avaliação.

Para quem dispõe de um ponto de recarga e realiza percursos previsíveis, a tecnologia pode oferecer vantagens. Já operações com longas jornadas, reboque frequente e poucas oportunidades de carregar a bateria exigem uma análise diferente.

Potência elevada também não substitui fatores decisivos na compra de um veículo para o campo: assistência técnica próxima, disponibilidade de peças, tempo de manutenção e valor de revenda.

Cabine tecnológica acompanha o conjunto mecânico

Na configuração anunciada para a Austrália, a Stockman terá painel digital de 10,25 polegadas, central multimídia de 15,6 polegadas, sistema de áudio com 14 alto-falantes e assistentes eletrônicos de condução.

A fabricante prevê o início das entregas naquele mercado para 1º de fevereiro de 2027. Os dados divulgados ainda são indicativos e podem passar por alterações durante a definição final, os testes e a certificação do veículo.

Stockman ainda não tem chegada confirmada ao Brasil

O lançamento australiano não significa que a picape esteja confirmada para o consumidor brasileiro. Até o momento, não há anúncio de importação, preço nacional ou rede de atendimento definida para a Stockman no país.

O contexto, contudo, favorece o acompanhamento desse tipo de projeto. Como mostrou o Compre Rural ao abordar a nova picape Renault Niagara, fabricantes estão buscando espaço com propostas diferentes de motorização, tamanho e utilização.

Para o produtor, a Stockman acrescenta uma possibilidade ao debate sobre o futuro das caminhonetes. Sua relevância está na tentativa de combinar diesel, eletrificação e capacidade de trabalho. Transformar essa proposta em uma alternativa de compra no Brasil dependerá de lançamento oficial, preço competitivo e estrutura para manter o veículo em operação.

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