Relatório da ABCB aponta avanço mais acelerado no mérito genético de animais nascidos a partir de 2022, com reflexos no potencial leiteiro dos rebanhos.
A nova geração de búfalos apresenta um salto importante no potencial genético ligado à produção leiteira no Brasil. Animais nascidos entre 2022 e 2025 registraram evolução anual de 15,17 quilos na característica avaliada, contra 7,01 quilos entre os nascidos de 2015 a 2021, diferença de aproximadamente 116%.
Os números fazem parte do relatório anual do Programa de Avaliação Genética de Búfalos, elaborado pela Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB) com informações consolidadas até o fim de 2025.
O levantamento acompanha a evolução dos rebanhos participantes e busca identificar quanto do desempenho produtivo dos animais está relacionado à genética e quanto depende das condições de criação.
Nova geração de búfalos avança com seleção genética
A mudança mais expressiva aparece justamente entre os animais nascidos a partir de 2022, ano em que o programa de avaliação genética começou a ganhar força.
A ferramenta permite comparar o potencial dos búfalos a partir de dados produtivos, genealógicos e genéticos, oferecendo aos criadores uma base mais precisa para escolher reprodutores e planejar acasalamentos.
O resultado observado até agora indica uma aceleração no ganho genético voltado à produção de leite. Ainda assim, parte dos animais mais jovens possui histórico produtivo limitado, o que significa que novas avaliações serão importantes para confirmar a continuidade dessa tendência.
Indicador não representa leite diretamente no tanque
O cálculo utilizado pelo programa considera a PTA para P305, indicador relacionado à capacidade de um animal transmitir geneticamente às filhas características associadas à produção de leite durante uma lactação de até 305 dias.
Isso significa que o avanço de 116% não deve ser interpretado como um aumento automático de 116% no volume efetivamente ordenhado em cada propriedade.
O desempenho final de uma búfala também sofre influência de fatores como nutrição, sanidade, clima, qualidade do manejo e condições ambientais.
A avaliação genética busca justamente reduzir o peso dessas interferências para estimar de forma mais precisa o mérito herdável de cada animal.
Dados de mais de 11 mil animais sustentam avaliação
A base usada pela ABCB reúne informações históricas de 25 rebanhos distribuídos por sete estados brasileiros.
Após os filtros de consistência, o relatório considerou 35.850 lactações de 11.438 animais, com registros realizados entre 1987 e 2025.
Para as análises de parentesco e estrutura genética, foram avaliados dados de 23.481 búfalos.
Esse conjunto permite observar alterações que não seriam identificadas apenas pela produção individual dos animais.
Produção não é o único ponto analisado
O programa também acompanha aspectos como curva de lactação, persistência produtiva, herdabilidade e endogamia.
A herdabilidade ajuda a estimar quanto das diferenças observadas entre os animais pode ser transmitido geneticamente às próximas gerações.
Já o monitoramento da endogamia serve para evitar excesso de cruzamentos entre indivíduos muito próximos geneticamente, fator que pode reduzir a diversidade do rebanho ao longo do tempo.
Segundo a coordenadora do Programa de Avaliação Genética de Búfalos da ABCB, Gabriela Stefani, a combinação de informações produtivas e genéticas permite acompanhar as transformações dos rebanhos e medir os efeitos das decisões de seleção realizadas pelos criadores.
Nova geração de búfalos reforça avanço do melhoramento
Os resultados mostram como o uso de dados pode alterar a velocidade de evolução dos rebanhos leiteiros.
Em vez de selecionar animais apenas com base no desempenho visual ou na quantidade de leite produzida em determinada lactação, o produtor passa a contar com indicadores capazes de apontar quais características apresentam maior chance de serem transmitidas aos descendentes.
Com mais informações sendo acumuladas a cada ciclo produtivo, o programa tende a ganhar precisão e oferecer parâmetros cada vez mais úteis para o planejamento dos rebanhos.
O desempenho da nova geração de búfalos observado até 2025 indica que a seleção genética vem produzindo resultados mensuráveis e pode se tornar uma ferramenta cada vez mais relevante para aumentar a eficiência da bubalinocultura leiteira brasileira.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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