Resultados obtidos em piscicultura comercial no Oeste do Paraná mostram menor consumo de ração, melhor conversão alimentar e reforçam o avanço da genética de tilápia como novo diferencial competitivo da tilapicultura brasileira.
A genética começa a assumir um papel cada vez mais estratégico na piscicultura brasileira. Após anos em que os principais avanços do setor estiveram concentrados no manejo, na nutrição, na sanidade e na qualidade da água, os primeiros resultados comerciais de uma nova linhagem de tilápia indicam que o melhoramento genético pode representar um novo salto de produtividade para os produtores.
Os testes foram realizados em uma piscicultura comercial de Assis Chateaubriand, no Oeste do Paraná, maior polo produtor de tilápia do país. Segundo os dados apresentados durante um dia de campo promovido pela GenoMar, divulgados pelo O Presente Rural, a nova linhagem apresentou ganho diário de peso até 27% superior, redução de aproximadamente 300 gramas de ração por quilo de peixe produzido e encurtamento do ciclo produtivo em cerca de 30 dias quando comparada a indicadores históricos observados na região.
Melhor conversão alimentar reduz custos da produção
Entre os principais indicadores apresentados, chamou atenção a conversão alimentar média de 1,29 quilo de ração para produzir um quilo de peixe, índice considerado bastante competitivo para sistemas comerciais de cultivo.
O desempenho foi acompanhado por um ganho médio diário de 5,6 gramas, evidenciando uma combinação entre crescimento acelerado e maior eficiência alimentar — fatores que impactam diretamente a rentabilidade da atividade, já que a alimentação representa o principal custo da produção aquícola.
Resultados foram obtidos em piscicultura comercial
Os números foram registrados na Piscicultura A & R, propriedade localizada em Assis Chateaubriand (PR), que produz aproximadamente 600 mil tilápias por ciclo, realizando três ciclos a cada dois anos em tanques escavados.
Além da conversão alimentar de 1,29, os dois lotes avaliados apresentaram:
- Ganho médio diário de aproximadamente 5,6 gramas;
- Sobrevivência superior a 92%;
- Peso final próximo de 1 quilo;
- Ciclos produtivos entre 168 e 177 dias.
Segundo o produtor Anderson Almeida Knebel, o desempenho dos peixes chamou atenção desde as primeiras semanas de cultivo.
“O que mais chamou a atenção foi o comportamento dos peixes. Eles atacam a ração com muito mais intensidade, apresentam crescimento rápido e um ciclo menor. Ficamos bastante satisfeitos com o desempenho observado”, relatou o produtor durante o dia de campo.

Paraná foi escolhido por liderar a produção nacional
A escolha do Oeste do Paraná para validar a tecnologia não foi por acaso. O estado é líder nacional na produção de tilápia e possui uma cadeia produtiva consolidada, integrada entre piscicultores, cooperativas e frigoríficos.
Segundo a equipe técnica da GenoMar, os primeiros alevinos chegaram à região em setembro do ano passado e as primeiras despescas comerciais serviram justamente para validar o desempenho da genética em condições reais de produção.
Tecnologia tem origem em programa internacional de melhoramento
A GenoMar pertence ao grupo alemão EW Group, referência mundial em genética avícola. De acordo com a empresa, parte da experiência acumulada no melhoramento genético de aves passou a ser aplicada à tilapicultura há cerca de 30 anos.
A linhagem utilizada é derivada da 30ª geração do programa GIFT (Genetically Improved Farmed Tilapia), considerado um dos mais importantes programas internacionais de melhoramento genético da espécie.
Após adquirir os direitos sobre esse núcleo genético, a empresa importou os primeiros animais das Filipinas para o Brasil em 2021, formando o plantel de reprodutores que atualmente abastece quatro unidades de produção no país.
Genética passa a integrar o pacote tecnológico da piscicultura
Especialistas envolvidos no projeto avaliam que a piscicultura brasileira já alcançou elevado nível técnico em manejo, nutrição e sanidade. Agora, a expectativa é que a genética se torne mais um componente importante para ampliar a produtividade e reduzir custos.
Além do menor consumo de ração, o material genético também busca melhorar características valorizadas pela indústria, como conformação corporal e rendimento de filé, fatores que agregam valor ao pescado e aumentam a competitividade da cadeia produtiva.
Eficiência econômica deve impulsionar adoção da tecnologia
Na avaliação apresentada durante o evento, combinar crescimento mais rápido com melhor conversão alimentar permite produzir mais peixe na mesma área e reduzir o custo direto de produção, aumentando a eficiência econômica da atividade.
A empresa afirma ainda que o programa de melhoramento continuará evoluindo, com o lançamento periódico de novas gerações genéticas para manter ganhos contínuos de desempenho.
Os resultados iniciais obtidos no Oeste do Paraná indicam que a genética tende a ocupar um espaço cada vez mais relevante na estratégia dos piscicultores brasileiros, especialmente em um cenário de busca permanente por maior produtividade, menor custo e melhor aproveitamento dos sistemas de cultivo.
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