Nova tecnologia da Embrapa reúne informações de rastreabilidade e conformidade em ambiente digital e busca facilitar a comprovação da origem dos produtos agropecuários
A Embrapa disponibilizou em 3 de novembro de 2026 o Embrapa Trace, tecnologia criada para organizar e integrar informações de rastreabilidade das cadeias agropecuárias. As primeiras versões validadas atendem soja, café e bovinocultura de corte, três segmentos diretamente ligados ao mercado exportador brasileiro.
A solução foi desenvolvida pela Embrapa Agricultura Digital e funciona por meio de APIs, permitindo que empresas, cooperativas, frigoríficos, certificadoras e outras plataformas conectem seus próprios sistemas aos protocolos de rastreabilidade da instituição. O objetivo é reunir informações hoje dispersas e facilitar a comprovação da origem e da conformidade dos produtos. Continue a leitura e acompanhe o Compre Rural, onde informação de qualidade ajuda a fortalecer quem vive e produz no campo.
Como funciona o Embrapa Trace
O sistema não substitui certificações ou plataformas já existentes. A proposta é criar uma estrutura comum para que informações de diferentes fontes possam ser organizadas, verificadas e compartilhadas.
Cada cadeia possui critérios próprios. Na bovinocultura de corte, por exemplo, podem ser considerados registros relacionados à origem dos animais, movimentação, processamento e formação dos lotes.
Ao final do processo, a tecnologia permite gerar um sumário digital de conformidade, acessível por QR Code. A Embrapa também prevê trilhas digitais de auditoria para preservar o histórico das informações registradas.
No café, o protocolo pode ser integrado a sistemas de produtores, cooperativas, indústrias, exportadores e certificadoras. A soja também integra o primeiro grupo de cadeias validadas pela instituição.
Rastreabilidade ganha peso no comércio internacional
O lançamento ocorre em um momento de maior cobrança sobre a origem das commodities agropecuárias.
Um dos principais exemplos é o Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento, a EUDR, que inclui gado, soja e café entre os produtos sujeitos às novas exigências.
A aplicação das principais obrigações começa em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas e, para a maior parte das micro e pequenas empresas, em 30 de junho de 2027.
A legislação exige informações capazes de demonstrar, entre outros pontos, que os produtos não estão associados a desmatamento ocorrido após 31 de dezembro de 2020.
O tema já vinha ganhando espaço no Brasil diante das novas exigências para soja, café e gado comercializados com a Europa.
O Embrapa Trace, porém, não representa uma certificação automática para atender à EUDR. A ferramenta funciona como uma infraestrutura para organizar e fornecer evidências que podem ser utilizadas nos processos de comprovação exigidos por compradores e mercados.
O que muda para o produtor
Para propriedades inseridas em cadeias que exigem rastreabilidade, a qualidade dos registros tende a se tornar cada vez mais importante.
Informações incorretas sobre origem, localização da propriedade, movimentação dos animais ou formação dos lotes podem dificultar a comprovação da procedência do produto.
Na pecuária, essa transformação ocorre paralelamente ao avanço da identificação individual de bovinos e búfalos, que deverá ampliar o volume de informações disponíveis sobre os animais ao longo da cadeia.
A expectativa é que o Embrapa Trace também seja expandido para outras atividades. A instituição já trabalha no desenvolvimento de protocolos para novas cadeias produtivas.
O desafio agora será integrar essas informações sem criar mais burocracia para quem produz. Quanto maior a participação do Brasil em mercados que exigem comprovação de origem, maior tende a ser a importância de sistemas capazes de conectar produto, propriedade e histórico de produção de forma verificável.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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