Com 85% dos fertilizantes vindos de fora, líquidos e inoculantes desenvolvidos no país ajudam o produtor a ter mais alternativas econômicas para uma safra melhor.
O Dia Mundial dos Fertilizantes, celebrado em 13 de outubro, costuma lembrar o Brasil de um número incômodo: cerca de 85% dos fertilizantes usados no país são importados. Há, porém, uma parte da nutrição de plantas que é pesquisada, formulada e fabricada aqui, e que ganha relevância quando o insumo importado fica mais caro e mais escasso.
É o caso dos fertilizantes líquidos e, entre os bioinsumos, dos inoculantes, produtos à base de bactérias que fixam o nitrogênio do ar e o disponibilizam para a planta. O recorte importa: o mercado de bioinsumos monitorado pela CropLife Brasil reúne quatro segmentos, e três deles (bioinseticidas, bionematicidas e biofungicidas) são voltados ao controle de pragas e doenças, não à nutrição. No primeiro semestre de 2026, a área tratada com bioinsumos somou 46,2 milhões de hectares. Desse total, os inoculantes responderam por 9,4 milhões de hectares, alta de 38,6% sobre o mesmo período de 2025, embora o faturamento do segmento tenha recuado 21,5%, para R$ 107 milhões.
“O Brasil tem uma indústria de nutrição de plantas que nunca parou de produzir e de inovar. São empresas que desenvolvem tecnologia para o solo tropical, com quem trabalha nele todos os dias”, afirma Leonardo Sodré, CEO do Grupo GIROAgro.
O tema ganha peso em um ano de adubo mais curto. As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro caíram 8,8% entre janeiro e julho, de acordo com a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), enquanto a Conab projeta 181,64 milhões de toneladas de soja na safra 2026/27.
Nesse cenário, a recomendação da empresa é extrair mais de cada quilo de nutriente. Análise de solo, parcelamento das doses, tecnologia de aplicação e formulações líquidas que reduzem perdas permitem ajustar a nutrição ao longo do ciclo, de forma complementar à adubação de base. Os inoculantes entram na mesma lógica: reduzem a necessidade de nitrogênio mineral em culturas como a soja, mas não substituem a adubação com fósforo, potássio e micronutrientes.
“Produzir mais fertilizante no Brasil é metade da resposta. A outra metade é usar melhor o que se tem. Fazer cada quilo de nutriente chegar à planta também é reduzir a dependência”, conclui Sodré.
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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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