Mulher mais poderosa do agro da Bahia pela Forbes dedica mais de duas décadas à valorização do cacau brasileiro

Pesquisadora de Ilhéus, Adriana Reis integra a lista das 100 Mulheres Poderosas do Agro e aproxima ciência, qualidade das amêndoas e capacitação de produtores

O trabalho de reconhecer a qualidade do cacau começa muito antes de uma barra de chocolate chegar ao consumidor. Envolve pesquisa, avaliação das amêndoas e orientação a quem produz. É nessa ligação entre laboratório e lavoura que a baiana Adriana Reis construiu sua trajetória e conquistou espaço na lista das 100 Mulheres Poderosas do Agro de 2026, divulgada pela Forbes em 15 de outubro.

Natural de Ilhéus, no sul da Bahia, a pesquisadora atua há mais de duas décadas com o cacau brasileiro. Doutora em Biologia e Biotecnologia de Micro-organismos, ela é gerente de Educação e Inteligência do Centro de Inovação do Cacau (CIC), onde participa da formação de profissionais e produtores interessados em melhorar a qualidade e ampliar as possibilidades comerciais da produção.

Ciência que ajuda o produtor a reconhecer o próprio cacau

A contribuição de Adriana está em tornar o conhecimento científico útil para as decisões do campo. Entender a fermentação, identificar defeitos e reconhecer aromas são etapas que ajudam a explicar por que amêndoas de uma mesma cultura podem apresentar resultados tão diferentes.

Ao apresentar a pesquisadora, a Forbes destacou sua atuação na tradução desses processos para a realidade dos produtores. A publicação reproduziu uma frase que sintetiza essa proposta: “É preciso que o produtor entenda a qualidade”.

Adriana também coordena o painel técnico do Concurso Nacional de Cacau Especial, que contribui para selecionar amostras brasileiras destinadas ao Cocoa of Excellence, premiação internacional do setor.

Para o cacauicultor, essa abordagem tem uma aplicação direta: conhecer as características do lote permite identificar problemas e apresentar ao comprador informações que sustentem a diferenciação do produto.

Do laboratório à negociação

O CIC realiza análises físicas, químicas, sensoriais e microbiológicas de cacau e chocolate. Em relato sobre o trabalho da instituição, o Instituto Arapyaú descreve que os produtores recebem laudos acompanhados de orientações técnicas para melhorar as amêndoas.

As avaliações permitem examinar fatores como fermentação, acidez e presença de defeitos. A instituição também atua na aproximação entre produtores e marcas que procuram determinados perfis de cacau. A análise técnica ajuda, assim, a transformar características do lote em informações úteis para a comercialização.

A implicação econômica desse trabalho é oferecer ao produtor mais elementos para discutir a qualidade daquilo que vende. Isso não representa garantia de preço superior, mas pode fortalecer a negociação quando existe um comprador interessado nas características identificadas.

Formação para agregar valor à produção

O CIC integra o Parque Científico e Tecnológico do Sul da Bahia e está localizado no campus da Universidade Estadual de Santa Cruz. Suas capacitações incluem análise sensorial, classificação de amêndoas e fabricação de chocolates no modelo bean to bar, expressão que descreve a produção do grão à barra.

Adriana participa dessas formações, abordando a relação entre genética, origem, processamento e desenvolvimento de aromas e sabores. Ao comentar o reconhecimento, em declaração divulgada pelo PCTSul, afirmou: “Quando uma de nós é reconhecida, abrimos caminhos para muitas outras”.

Em fevereiro de 2026, o centro anunciou uma plataforma para organizar seus cursos presenciais. A programação reúne temas como pós-colheita, classificação física, produção de chocolate e formação de preços, conectando o conhecimento sobre a matéria-prima à gestão do negócio.

Reconhecimento inclui a pesquisa aplicada ao campo

A seleção da Forbes reúne mulheres de diferentes atividades do agronegócio e considera poder, impacto e influência. A presença de Adriana evidencia o espaço da pesquisa e da formação técnica entre as contribuições reconhecidas pela publicação.

Esse reconhecimento também alcançou outras profissionais da ciência brasileira. Conforme mostrou o Compre Rural, nove mulheres da Embrapa integram a lista de 2026, incluindo pesquisadoras de diferentes áreas da produção agropecuária.

A lista não estabelece uma classificação do primeiro ao centésimo lugar. A Forbes informa que os nomes aparecem em ordem alfabética, com exceção das duas primeiras homenageadas. Portanto, a identificação de Adriana pelo número quatro não significa que ela tenha sido eleita a quarta mulher mais poderosa do agro ou a primeira da Bahia.

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