Animal de 8 anos vivia em Lagoa Vermelha, reunia mais de 720 mil seguidores no Instagram e havia participado de uma ação de terapia assistida por animais em hospital de Passo Fundo
A Ovelha Chanel, conhecida nacionalmente pelos vídeos ao lado da tutora Cá Moreira, morreu na terça-feira, 22 de setembro de 2026, aos 8 anos. O animal sofreu uma parada cardíaca durante atendimento veterinário, segundo relato divulgado pela própria tutora. Com mais de 720 mil seguidores no Instagram, Chanel havia transformado uma rotina incomum para uma ovelha em um dos perfis de animais mais conhecidos das redes sociais brasileiras.
Nascida em novembro de 2017, Chanel chegou à família de Cá Moreira quando tinha apenas três dias de vida. Criada como animal de estimação e em contato próximo com pessoas e outros pets, passou a ter o cotidiano publicado na internet a partir de 2020, conforme a história registrada em seu site oficial. Continue a leitura e acompanhe o Compre Rural, onde informação de qualidade ajuda a fortalecer quem vive e produz no campo.
O que aconteceu com a Ovelha Chanel
Nos dias que antecederam a morte, Cá percebeu que Chanel estava se alimentando menos do que o habitual. Na terça-feira, a ovelha chegou a aparentar melhora, mas apresentou agitação durante uma sessão de fisioterapia, o que levou a tutora a procurar atendimento veterinário.
Enquanto estava na unidade veterinária para avaliação e realização de exames, Chanel sofreu uma parada cardíaca. Segundo as informações divulgadas após a morte, a equipe tentou reanimá-la e realizou procedimentos de suporte, mas o animal não respondeu às manobras.
Até esta quinta-feira, 24 de setembro, não havia sido divulgado publicamente um diagnóstico conclusivo sobre o que desencadeou a parada. A tutora informou que aguardava o resultado de um laudo para esclarecer a causa. Dessa forma, a redução do apetite e a agitação observadas anteriormente devem ser tratadas apenas como sinais relatados antes do atendimento, e não como explicação definitiva para a morte.
A notícia mobilizou os seguidores do perfil. Ainda nas primeiras horas após a publicação, a manifestação de despedida já concentrava mais de 13 mil comentários, segundo a GZH.
Ovelha Chanel conquistou público mostrando uma rotina fora do comum
A relação entre Cá Moreira e Chanel começou muito antes da fama. De acordo com o histórico mantido no site oficial do animal, a tutora tinha o desejo de criar uma ovelha como pet e adotou Chanel ainda recém-nascida. A convivência doméstica fez com que o animal crescesse inserido em uma rotina bastante diferente daquela normalmente associada aos rebanhos comerciais.
Foi somente em 2020 que essa relação começou a ganhar maior exposição digital. Cá passou a registrar situações do cotidiano de Chanel, e o comportamento do animal se tornou o principal elemento dos vídeos. A audiência cresceu até transformar a ovelha em personagem de uma operação digital que também passou a contar com produtos licenciados relacionados à sua imagem.
Na semana de sua morte, o perfil de Chanel no Instagram registrava mais de 720 mil seguidores, enquanto Cá Moreira possuía milhões de seguidores em outras plataformas.
A popularidade de animais ligados ao ambiente rural tem produzido outros fenômenos semelhantes na internet. No interior paulista, por exemplo, o chamado “Agro Pug” ganhou público ao ser registrado ajudando no pastoreio de ovelhas, mesmo pertencendo a uma raça normalmente criada para companhia. Veja a história do Agro Pug no Compre Rural
Chanel participou de ação de pet terapia em hospital
Poucos meses antes de morrer, Chanel também havia participado de uma iniciativa fora das redes sociais. Em junho de 2026, a ovelha deixou Lagoa Vermelha e foi levada ao Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), em Passo Fundo, para uma atividade do Programa Pet Terapia desenvolvido em parceria com a Universidade de Passo Fundo (UPF).
A visita incluiu pacientes do Centro Oncológico Infantojuvenil. Na ocasião, crianças internadas puderam interagir e alimentar o animal durante a atividade. O conteúdo divulgado pelo próprio hospital e republicado pela Associação Nacional de Hospitais Privados confirma a participação de Chanel no programa.
Posteriormente, a GZH informou que Chanel havia sido a primeira ovelha a participar do projeto, cuja equipe era tradicionalmente formada por cães. A classificação é atribuída ao veículo, já que a publicação institucional consultada sobre a visita confirma a presença da ovelha, mas não faz essa afirmação específica.
O projeto de Pet Terapia da UPF completou dez anos em 2026. Segundo a universidade, a iniciativa foi criada em 2016 como atividade complementar aos cuidados convencionais de pacientes hospitalizados. Cerca de 12 animais participavam das sessões naquele ano, que eram realizadas duas vezes por semana.
Antes de ingressarem nas atividades, os animais passam por avaliação clínica e comportamental, exames e verificação de vacinação e vermifugação. Durante as sessões, a equipe veterinária também acompanha possíveis sinais de cansaço ou estresse. A própria UPF ressalta que a interação com os animais não substitui o tratamento médico convencional, funcionando como complemento às ações de cuidado e humanização.
A utilização de animais de diferentes espécies em ambientes hospitalares também aparece em outras iniciativas. No Rio Grande do Sul, uma égua Mangalarga Marchador de 480 quilos passou a participar de visitas a pacientes no Hospital Sapiranga, após preparação sanitária específica. Leia sobre a égua que participa de pet terapia em hospital
De animal de estimação a fenômeno digital
A trajetória de Chanel reuniu elementos pouco comuns para um ovino. Adotada ainda recém-nascida, ela foi criada como pet, tornou-se personagem recorrente de vídeos, construiu uma audiência de centenas de milhares de pessoas e chegou a participar de uma atividade com pacientes hospitalizados.
A repercussão após sua morte está diretamente ligada a essa exposição construída ao longo dos últimos anos. Para os seguidores, Chanel não aparecia apenas como um animal do meio rural, mas como personagem de uma rotina acompanhada diariamente pelas redes.
A causa que levou à parada cardíaca, entretanto, continua sendo o principal ponto ainda não esclarecido. Até a divulgação do laudo mencionado pela tutora, qualquer diagnóstico apresentado como motivo da morte seria especulativo.
ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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