Reprodutor Belgrado da Santa Nice deixou milhares de descendentes no país, ultrapassou meio milhão de doses de sêmen comercializadas e marcou uma geração da pecuária de corte com genética voltada à produtividade, funcionalidade e longevidade.
A pecuária brasileira perdeu neste sábado (8) um dos reprodutores mais importantes da história recente do Nelore. Belgrado da Santa Nice, referência nacional em melhoramento genético, morreu aos 13 anos, encerrando uma trajetória que ultrapassou as pistas e centrais de inseminação para influenciar diretamente milhares de rebanhos comerciais em todo o país.
O anúncio foi feito pela ABS Pecplan, empresa responsável por sua comercialização, que destacou o legado deixado pelo touro nas fazendas brasileiras. Segundo a companhia, Belgrado tornou-se um dos maiores líderes de vendas da bateria Nelore da ABS, com mais de meio milhão de doses de sêmen produzidas e comercializadas, consolidando-se entre os reprodutores mais utilizados da genética nacional.
Um pedigree que ajudou a moldar a genética moderna do Nelore
Nascido em 31 de julho de 2013, na tradicional Fazenda Santa Nice, em Amaporã (PR), Belgrado era filho do consagrado Backup e descendente materno de Bitelo, duas das linhagens mais valorizadas do Nelore brasileiro. Essa combinação genética contribuiu para reunir características de elevado interesse econômico, como desempenho produtivo, fertilidade, habilidade materna e qualidade de carcaça.
Ao longo da carreira, o touro ganhou espaço tanto em programas de melhoramento quanto em rebanhos comerciais, sendo amplamente utilizado em inseminação artificial devido à regularidade dos resultados obtidos por seus descendentes.
O diferencial estava na consistência da progênie
Em genética bovina, poucos fatores pesam tanto quanto a capacidade de transmitir características de forma uniforme. Reprodutor de docilidade rara, um fenômeno nos índices de IATF (com números que chegaram a 92% em lote de 100 vacas), e pai de fêmeas extremamente funcionais e longevas. O Belgrado deixou seu legado na raça Nelore e sempre será lembrado como um dos capítulos mais importantes da nossa caminhada.
Foi justamente esse atributo que transformou Belgrado em referência nacional. Seus filhos passaram a ser reconhecidos pela padronização, funcionalidade, estrutura corporal, produtividade e longevidade, características valorizadas por criadores que buscam retorno econômico sem abrir mão da eficiência produtiva.
Essa consistência permitiu que sua influência ultrapassasse a venda de sêmen, consolidando sua presença em rebanhos de diferentes regiões brasileiras e em diversos programas de seleção genética.
Avaliações genéticas reforçavam seu destaque
Belgrado também acumulou excelentes resultados nas principais avaliações genéticas utilizadas pela pecuária nacional.
Entre seus indicadores mais recentes, destacavam-se índices de elevado mérito genético em programas como Geneplus, PMGZ e ANCP, reforçando sua posição entre os principais reprodutores da raça Nelore disponíveis para inseminação artificial.
Além disso, seus dados de ultrassonografia de carcaça e desempenho contribuíram para sua ampla utilização por produtores interessados em elevar produtividade e rentabilidade dos rebanhos.
Um legado que continuará nas próximas gerações
Embora sua trajetória tenha chegado ao fim, o impacto de Belgrado permanece vivo.
Na pecuária moderna, o verdadeiro valor de um grande reprodutor não se mede apenas pelo tempo de vida, mas principalmente pela capacidade de influenciar gerações futuras. Com centenas de milhares de doses comercializadas e milhares de descendentes espalhados pelo Brasil, a genética de Belgrado continuará presente nos rebanhos por muitos anos.
Ao anunciar sua morte, a Fazenda Santa Nice e a ABS Pecplan resumiram esse sentimento ao afirmar que o touro “deixou sua marca na história do melhoramento genético”. A ABS também agradeceu à Fazenda Santa Nice pela confiança construída ao longo dessa parceria.
Para a pecuária brasileira, Belgrado deixa mais do que números expressivos: deixa um legado de seleção consistente, eficiência produtiva e evolução genética que continuará sendo multiplicado geração após geração.
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