Morre aos 89 anos João Lúcio de Azevedo, ex-diretor da Esalq que ajudou a transformar a genética agrícola no Brasil

Professor emérito da USP, pesquisador teve papel decisivo no avanço da genética, da biotecnologia e da internacionalização da Esalq; legado influenciou gerações de agrônomos, pesquisadores e o desenvolvimento da agricultura brasileira.

O agronegócio brasileiro perdeu nesta quinta-feira (6) um dos pesquisadores mais importantes de sua história. Morreu, aos 89 anos, o professor João Lúcio de Azevedo, ex-diretor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), referência nacional em genética, biotecnologia e melhoramento de plantas.

Professor emérito da Universidade de São Paulo (USP), Azevedo dedicou mais de três décadas à formação de profissionais, ao desenvolvimento científico e à consolidação da genética molecular no país. Sua trajetória ajudou a construir parte da base científica que impulsionou a modernização da agricultura brasileira nas últimas décadas.

Um dos pioneiros da genética aplicada ao agro

Nascido em São Paulo, em 1937, João Lúcio de Azevedo graduou-se em Engenharia Agronômica pela USP em 1959. Poucos anos depois concluiu o doutorado em Genética e Melhoramento de Plantas na própria universidade e, posteriormente, obteve um segundo doutorado em Genética pela Sheffield University, no Reino Unido.

Ao longo da carreira, também realizou pós-doutorados nas universidades de Nottingham e Manchester, ampliando sua formação em genética molecular em um período em que a área ainda dava seus primeiros passos no mundo.

Mais de três décadas dedicadas à Esalq

A trajetória do pesquisador esteve profundamente ligada à Esalq.

Ele ingressou como docente do Departamento de Genética (LGN) em 1961, onde ministrou disciplinas como Genética e Citologia e posteriormente concentrou suas pesquisas em genética de microrganismos.

Entre 1983 e 1991, foi chefe do Departamento de Genética. Na sequência, assumiu a direção da Esalq, cargo que ocupou entre 1991 e 1995.

Durante sua gestão, promoveu iniciativas consideradas estratégicas para o futuro da instituição, como:

  • criação da Incubadora de Empresas Agrozootécnicas;
  • fundação da Seção de Atividades Internacionais (SCAInt);
  • fortalecimento do processo de internacionalização da Esalq;
  • incentivo à aproximação entre universidade, pesquisa e inovação tecnológica.

Reconhecimento nacional pela contribuição à ciência

Ao longo de décadas de atuação, João Lúcio de Azevedo tornou-se uma das maiores autoridades brasileiras em genética e biotecnologia.

Recebeu importantes homenagens, entre elas:

  • Professor Emérito da Esalq (2013);
  • Ordem Nacional do Mérito Científico, concedida pela Presidência da República (1998);
  • Medalha do Mérito Científico e Tecnológico do Governo do Estado de São Paulo (2001).

Sua produção científica também foi marcada pela participação em conselhos editoriais e pela revisão de dezenas de periódicos especializados, contribuindo para a formação de novas gerações de pesquisadores brasileiros.

Legado que permanece na agricultura brasileira

Mesmo após a aposentadoria, Azevedo continuou atuando na pesquisa científica. A partir de 2004 passou a coordenar a área de microbiologia do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), mantendo sua dedicação ao desenvolvimento da ciência brasileira.

Ao homenageá-lo quando recebeu o título de Professor Emérito, a Esalq destacou que sua atuação levou o nome da instituição e da Universidade de São Paulo “a todos os recantos do nosso país e do exterior”, reconhecendo sua contribuição ao ensino, à pesquisa e à sociedade.

Velório e sepultamento

Segundo a Esalq, o velório será realizado nesta sexta-feira (7), a partir das 13h, na Sala Premium do Cemitério Parque da Ressurreição, em Piracicaba (SP). O sepultamento está previsto para as 16h, no mesmo local.

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