Levantamento, baseado em dados recentes do IBGE, destaca participação do estado na produção nacional e desafios enfrentados pelos produtores.
Uma análise do Sistema Faemg Senar, com base nos dados mais recentes da Pesquisa Agrícola Municipal (PAM), divulgados pelo IBGE, mostra a relevância de Minas Gerais na produção nacional de hortaliças. O estado lidera a produção de importantes itens da alimentação brasileira, respondendo por aproximadamente 46% da produção nacional de cenoura, 44% de alho e 33% de batata-inglesa e abóbora.
Para a analista de agronegócio do Sistema Faemg Senar, Mariana Marotta, as hortaliças fazem parte da alimentação cotidiana da população e representam uma importante atividade econômica para milhares de produtores. “Em Minas Gerais, a diversidade de condições produtivas e a distribuição regional da atividade contribuem para a formação de uma cadeia relevante para o abastecimento e para a geração de renda no meio rural”, destaca.
De acordo com Marotta, o desempenho varia entre as diferentes culturas. “Na comparação entre 2024 e 2025, batata-doce, mandioca, cebola e batata-inglesa registraram crescimento, enquanto alho e tomate tiveram redução. Fatores como condições climáticas, produtividade, custos, disponibilidade de mão de obra, decisões de plantio e comportamento dos preços influenciam diretamente esses resultados”, explica.
Entre as culturas analisadas, a batata-inglesa apresentou a maior produção em 2025, com 1,49 milhão de toneladas, seguida pela mandioca, com 625,4 mil toneladas; pelo tomate, com 585,2 mil toneladas; e pela cenoura, com 303,3 mil toneladas.
No comparativo anual, a produção das culturas analisadas avançou em 2025, com destaque para batata-doce e mandioca, que cresceram 13% e 11%, respectivamente. A batata-inglesa, principal cultura em volume, teve alta de 4%. Na contramão, alho e tomate registraram quedas de 11% e 1%.
Regionalmente, o Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba concentra o maior volume de produção, com cerca de 1,8 milhão de toneladas em 2025, segundo os dados da PAM. A região é seguida pelo Sul/Sudoeste de Minas, com aproximadamente 700 mil toneladas, e pelo Norte de Minas, com cerca de 350 mil toneladas.
Pressão sobre produtores e economias locais
Apesar da força da cadeia, algumas atividades enfrentam forte pressão sobre a rentabilidade. No alho, as cotações caíram, em média, 43% no primeiro semestre de 2026, em relação ao mesmo período de 2025. Batata, cenoura, milho, soja e leite também registram dificuldades relacionadas à combinação de preços pressionados, custos elevados, concorrência externa e riscos climáticos.
Os efeitos ultrapassam as propriedades rurais e atingem as economias de municípios do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, região com forte dependência da atividade agropecuária. “A redução da renda dos produtores tende a afetar a compra de insumos, máquinas e equipamentos, além de transporte, comércio, manutenção e prestação de serviços ligados ao campo. Em Rio Paranaíba, por exemplo, a agropecuária representou cerca de 60% do valor adicionado bruto municipal em 2021. Em Ibiá, a participação chegou a aproximadamente 31%”, destaca Marotta.
“A persistência desse cenário pode levar à descapitalização, à redução dos investimentos, à perda de competitividade e à retração da atividade econômica regional. No caso do alho, a pressão também está relacionada à concorrência do produto importado. Dados do estudo apontam crescimento de aproximadamente 45% das importações brasileiras entre 2022 e 2025”, explica a analista.
A situação do setor também tem mobilizado produtores e autoridades. Em junho, audiência pública realizada em São Gotardo pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais discutiu os impactos das importações de alho da Argentina e da China sobre a produção regional.
Apoio à cadeia
Nesse cenário, assistência técnica, capacitação e acesso a tecnologias são importantes para aumentar a eficiência e a capacidade de adaptação dos produtores. Em 2025, o ATeG atendeu 1.489 produtores, crescimento de 65% em relação ao ano anterior, abrangendo mais de 2.800 hectares. No mesmo período, o Senar realizou 297 cursos, com 3.230 participantes.
A atuação é complementada pelo Centro de Referência em Olericultura, em São Gotardo, e pela Comissão Técnica de Hortaliças e Flores. As iniciativas aproximam conhecimento, tecnologia e produtores e contribuem para fortalecer a competitividade da cadeia.
“Para o Sistema Faemg Senar, o acompanhamento dos dados de produção e das condições econômicas das diferentes cadeias é fundamental para identificar desafios e orientar ações de apoio. No caso do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, a preservação da capacidade produtiva do campo também está diretamente relacionada à manutenção da atividade econômica e da geração de renda nos municípios”, conclui Marotta.
Fonte: Faemg Senar
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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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