México tem 250 mil bovinos prontos para os EUA, mas larva mantém exportação sob alerta

Rebanho estimado em Chihuahua aguarda a retomada do comércio de gado vivo. A abertura gradual de passagens na fronteira depende de inspeções e do controle da bicheira, enquanto os confinamentos americanos precisam de animais para engorda.

Cerca de 250 mil bovinos estão disponíveis para exportação em Chihuahua, no norte do México, segundo estimativa atribuída por veículos locais à Secretaria de Desenvolvimento Rural do estado. O destino esperado é o mercado dos Estados Unidos, mas ter o gado pronto não significa que todo esse volume já esteja autorizado a cruzar a fronteira. A retomada do comércio depende das condições sanitárias e da operação das passagens liberadas pelo governo americano.

O obstáculo é a bicheira causada pela mosca Cochliomyia hominivorax, chamada de gusano barrenador no México. Suas larvas se alimentam de tecido vivo, podem provocar lesões graves e levar o animal à morte. A praga transformou a inspeção de cada bovino em uma condição central para reabrir o corredor que abastece os confinamentos dos EUA.

Uma abertura que exige cautela

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) anunciou uma reabertura gradual de passagens para bovinos mexicanos, condicionada ao cumprimento de um plano sanitário conjunto. Na página de orientação atualizada em 25 de setembro, o serviço de inspeção americano, APHIS, lista Douglas, no Arizona, com data de abertura em 24 de agosto, e Santa Teresa, no Novo México, em 24 de setembro. A data para Columbus, também no Novo México, ainda aparece como indefinida; as demais passagens continuam fechadas para a importação de animais.

O calendário, portanto, não deve ser confundido com a confirmação de que as 250 mil cabeças já foram embarcadas. O USDA prevê inspeção de todos os animais que entrarem pelos pontos autorizados e afirma que o avanço da abertura pode ser ajustado conforme o risco sanitário e os resultados das verificações no México.

Por que o bloqueio pesa nos dois lados

Para o pecuarista de Chihuahua, a restrição atrasa a venda de animais preparados para exportação e prolonga sua permanência no sistema de produção. Para o comprador americano, limita uma fonte tradicional de bovinos jovens destinados à engorda. O efeito sobre oferta e preços dependerá do ritmo efetivo dos cruzamentos, ainda sujeito às exigências sanitárias.

A vigilância começa antes da fronteira. A mosca deposita ovos em feridas e outras áreas vulneráveis; depois da eclosão, as larvas penetram no tecido do hospedeiro. Identificar e tratar rapidamente os animais afetados é essencial tanto para proteger o rebanho quanto para impedir que a praga acompanhe o comércio de gado vivo.

A cifra de 250 mil bovinos mostra o tamanho da expectativa comercial em Chihuahua. O que definirá quando esse gado poderá chegar aos confinamentos americanos, porém, será a combinação entre controle da bicheira, documentação e inspeção de cada lote nas passagens autorizadas.

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