Mercado pet brasileiro mira R$ 81 bilhões em 2026 e país já é o 3º do mundo em número de animais

Pet food responde por mais da metade das receitas do setor, enquanto Brasil reúne 166,8 milhões de animais e amplia sua presença na produção de alimentos para cães e gatos

O mercado pet brasileiro deve movimentar R$ 81,24 bilhões em 2026, segundo projeção da Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação (Abempet). O resultado representa crescimento nominal de 4,21% frente aos R$ 77,96 bilhões registrados em 2025 e reforça o peso econômico de uma cadeia que abrange alimentos, medicamentos, comércio especializado, criação e serviços veterinários. A estimativa divulgada pela entidade foi elaborada a partir dos resultados do primeiro trimestre do ano.

O tamanho do mercado acompanha uma população estimada em 166,8 milhões de animais de estimação, número que coloca o Brasil atrás apenas de China e Estados Unidos no ranking mundial apresentado pela entidade. A escala do setor também cria demanda para diferentes elos ligados ao agronegócio, sobretudo na produção de alimentos industrializados para cães e gatos. Continue a leitura e acompanhe o Compre Rural, onde informação de qualidade ajuda a fortalecer quem vive e produz no campo.

Pet food concentra mais da metade do mercado pet brasileiro

A alimentação segue como o maior segmento dessa economia. A projeção da Abempet aponta R$ 42,94 bilhões em faturamento para o pet food em 2026, equivalente a 52,86% de todo o mercado. Na comparação utilizada pela associação, a receita da categoria avança 3,69%.

Os dados de produção ajudam a dimensionar essa ligação com a indústria de nutrição animal. Levantamento do Sindirações divulgado pelo Compre Rural aponta que a fabricação de alimentos para cães e gatos superou 1 milhão de toneladas no primeiro trimestre e poderá atingir aproximadamente 4,15 milhões de toneladas ao longo de 2026. A produção brasileira de rações deve se aproximar de 98 milhões de toneladas no ano, considerando todas as espécies atendidas pela indústria.

Embora pet food responda pela maior parcela da receita, as projeções mostram crescimento também em outras atividades. A Abempet estima avanço de 5,23% nos serviços gerais, 5,09% em produtos veterinários, o chamado pet vet, e 4,65% nos serviços veterinários. Os percentuais são projeções nominais e não devem ser interpretados automaticamente como crescimento real, já que inflação e variações de preços também influenciam o faturamento.

Pequenos e médios pet shops continuam na liderança

A estrutura de vendas brasileira permanece bastante pulverizada. Pequenos e médios pet shops concentram 48% do faturamento do setor, segundo o levantamento. Clínicas e hospitais veterinários respondem por 17,4%, enquanto megastores representam 9,5%, o varejo alimentar fica com 8,6% e o comércio eletrônico, com 8,5%.

Mesmo com participação menor que a do varejo físico especializado, o canal digital já possui dimensão bilionária. A estimativa para 2026 é de R$ 6,91 bilhões em vendas pelo e-commerce pet. Dentro desse ambiente, operações exclusivamente digitais concentram 38,5% das vendas online, à frente das lojas virtuais das megastores, com 32%, e dos pequenos e médios pet shops, com 19,5%.

A expansão do mercado também alcança a saúde animal. Em outro recorte, que inclui animais de produção e de companhia, dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan) mostram que a indústria brasileira de saúde animal faturou R$ 12,8 bilhões em 2025, alta de 7,9% sobre o ano anterior.

Brasil reúne 166,8 milhões de animais de estimação

O levantamento atribuído à Abempet coloca a China na liderança mundial, com mais de 438 milhões de animais de estimação. Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar, com mais de 290 milhões, e o Brasil vem na sequência, com 166,8 milhões.

Dentro do país, os cães formam o maior grupo, com 62,5 milhões. As aves canoras e ornamentais somam 44,3 milhões, enquanto os gatos chegam a 33,3 milhões. Há ainda 23,6 milhões de peixes ornamentais e cerca de 3,1 milhões de pequenos mamíferos e répteis. Somadas, essas categorias correspondem aos 166,8 milhões contabilizados pela entidade.

Os felinos apresentam uma das mudanças mais expressivas. A população de gatos no Brasil avançou 4,5% no período considerado pelo estudo, enquanto o crescimento mundial informado para a espécie foi de 2,3%. O movimento amplia o peso de produtos e serviços desenvolvidos especificamente para esses animais.

A distribuição também é desigual entre as regiões. O Sudeste concentra 48,2% da população pet, ou aproximadamente 80,4 milhões de animais. O Nordeste reúne 23%, seguido pelo Sul, com 17,8%; Centro-Oeste, com 7,2%; e Norte, com 3,8%.

Exportações mostram força da alimentação animal brasileira

O comércio exterior é outra frente relevante para a indústria. Segundo os dados do relatório divulgados em julho, o valor exportado pelos 22 códigos de mercadorias acompanhados pela Abempet aumentou 9% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025.

O pet food domina essa pauta e respondeu por 90,14% das exportações monitoradas, seguido pelo pet care, com 8,90%, e pela comercialização de animais vivos, com 0,96%.

No sentido contrário, as importações recuaram 36% no primeiro trimestre. Áustria, Estados Unidos e China responderam por cerca de 70% do valor importado pelo Brasil no levantamento — portanto, esses países não devem ser apresentados como os três principais destinos das exportações brasileiras, como apareceu em parte do material inicialmente fornecido.

A ampliação dos mercados externos também passa pela abertura sanitária. Em fevereiro, o Ministério da Agricultura e Pecuária confirmou a habilitação de 40 estabelecimentos brasileiros de pet food para exportar à Costa Rica. O país centro-americano importou aproximadamente US$ 98 milhões em alimentos para animais de estimação em 2025, dos quais cerca de US$ 2,8 milhões vieram do Brasil. A abertura do mercado costarriquenho para as plantas brasileiras foi detalhada pelo Compre Rural.

Tributação entra no debate sobre competitividade

Apesar da expansão nominal, a Abempet aponta a carga tributária como um dos principais entraves ao crescimento do setor. Segundo o levantamento divulgado pela associação, a tributação pode variar entre 30% e 51%, dependendo do estado e da composição dos tributos considerados. A entidade compara esse patamar com faixas de 8% a 10% nos Estados Unidos e de 15% a 18% na União Europeia. Por se tratar de uma análise produzida por uma associação empresarial interessada na redução dos tributos do setor, esses percentuais devem ser apresentados como dados e posicionamento da própria Abempet.

A entidade argumenta ainda que uma redução da carga sobre o pet food poderia estimular produção e consumo. Em estudo econômico citado no relatório, a Abempet estima que a arrecadação tributária do segmento poderia alcançar R$ 19,6 bilhões em 2034 em um cenário de alíquota reduzida, contra R$ 16,4 bilhões caso não houvesse mudança. Trata-se de uma projeção elaborada pelo setor, e não de uma estimativa oficial de arrecadação do governo.

Mais do que o crescimento percentual isolado, os números revelam a dimensão que a cadeia pet alcançou no Brasil. Com alimentação respondendo por mais da metade da receita, produção superior a 4 milhões de toneladas projetada para cães e gatos e novas habilitações para exportação, o setor se conecta diretamente à indústria de nutrição animal e a diferentes fornecedores do agronegócio.

A projeção de R$ 81,24 bilhões indica continuidade da expansão em 2026, mas em ritmo bem distante dos saltos registrados nos primeiros anos após a pandemia. O desafio passa agora por transformar o tamanho da população pet brasileira em crescimento sustentável, produtividade industrial e maior presença internacional sem confundir avanço nominal de faturamento com expansão efetiva do consumo.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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