Novo balanço da ação no Paraná aponta 14 prisões preventivas cumpridas e sete flagrantes; polícia também apreendeu oito armas de fogo, 210 munições e dois caminhões durante ofensiva contra grupo suspeito de furtar mais de 2 mil bovinos.
A megaoperação deflagrada nesta quarta-feira (9) contra uma organização suspeita de furtar e comercializar ilegalmente gado no Paraná ganhou um novo desdobramento ao longo do dia. Até a atualização mais recente, 14 dos 17 mandados de prisão preventiva haviam sido cumpridos e outras sete pessoas foram presas em flagrante, elevando para 21 o número de prisões relacionadas à ação, apontou levantamento do Compre Rural.
Além das prisões, o balanço trouxe apreensões que ajudam a dimensionar a estrutura investigada. Segundo as informações divulgadas após o início da operação, foram recolhidos oito armas de fogo, 210 munições, dois caminhões e objetos utilizados para marcação de gado. Os nomes dos suspeitos não haviam sido divulgados oficialmente até a última atualização.
A nova informação amplia o que havia sido divulgado pela manhã, quando Polícia Civil do Paraná (PCPR) e Polícia Militar do Paraná (PMPR) saíram às ruas para cumprir 64 mandados judiciais — 17 de prisão preventiva e 47 de busca e apreensão — em 16 municípios. A operação mobilizou cerca de 210 policiais e teve apoio de cães de faro e helicópteros.
Investigação aponta esquema dividido por funções
A investigação começou após o furto de 29 bovinos em uma propriedade de Alto Paraná, em agosto de 2025, mas avançou para um esquema muito maior. A polícia identificou cerca de 40 pessoas que, segundo a apuração, desempenhavam funções específicas dentro da organização, incluindo reconhecimento de propriedades, execução dos furtos, apoio logístico, fraude documental e posterior escoamento dos animais.
Um dos pontos mais sensíveis para a pecuária é justamente a etapa de comercialização. Conforme a investigação, documentos seriam utilizados para dar aparência de legalidade aos animais furtados, que posteriormente poderiam ser direcionados a receptadores e leilões. A polícia identificou aproximadamente 340 boletins de ocorrência relacionados a crimes semelhantes nos últimos anos.
As autoridades estimam que o grupo tenha atuado desde 2019, período em que teria furtado mais de 2 mil cabeças de gado, provocando prejuízo superior a R$ 10 milhões somente na região investigada. Esse valor e o número de animais ainda podem aumentar conforme avançarem a análise dos materiais apreendidos e os desdobramentos do inquérito.
A operação continua em andamento, e o próximo ponto de atenção passa a ser o balanço definitivo das prisões e apreensões, além da eventual identificação de receptadores, leilões envolvidos e possível recuperação de animais ou valores ligados ao esquema.
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