Megafábrica de celulose de US$ 4,6 bilhões começa a receber 350 tritrens e 721 vagões no Brasil

Equipamentos fazem parte da gigantesca estrutura logística do Projeto Sucuriú da Arauco, em Mato Grosso do Sul, que terá capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano e começa a operar no fim de 2027.

Um dos maiores projetos industriais em implantação no agronegócio brasileiro começa a mostrar também a dimensão da operação necessária para funcionar. A Arauco iniciou a chegada dos primeiros equipamentos da estrutura logística do Projeto Sucuriú, megafábrica de celulose de US$ 4,6 bilhões que está sendo construída em Inocência, Mato Grosso do Sul. São centenas de vagões e tritrens que terão a missão de manter um fluxo gigantesco de madeira chegando à indústria e milhões de toneladas de celulose seguindo para exportação.

A escala chama atenção: 721 vagões serão destinados ao transporte de celulose e 350 conjuntos tritrem atuarão no transporte de madeira das áreas florestais até a fábrica. Os tritrens deverão ser entregues até janeiro de 2027, enquanto a conclusão da entrega dos vagões está programada para novembro do mesmo ano.

O movimento representa mais uma etapa concreta de um empreendimento projetado para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose de fibra curta por ano, colocando Mato Grosso do Sul ainda mais no centro da expansão da indústria florestal brasileira.

Uma operação logística do tamanho da megafábrica

A dimensão da frota ajuda a explicar o desafio por trás do Projeto Sucuriú. Não basta construir uma das maiores unidades de celulose do mundo: será necessário criar uma cadeia capaz de abastecer continuamente a fábrica com madeira e, depois, retirar milhões de toneladas do produto acabado.

É justamente aí que entram os dois modais.

Nas rodovias, os 350 conjuntos tritrem farão a ligação entre as áreas de cultivo florestal e a unidade industrial. Aproximadamente 55 conjuntos serão incorporados à frota própria da Arauco, enquanto os demais serão disponibilizados em regime de comodato às transportadoras parceiras, que ficarão responsáveis pelos respectivos cavalos mecânicos.

Já na saída da produção, a ferrovia assume papel estratégico.

Além dos 721 vagões, o planejamento logístico envolve pelo menos 23 locomotivas e a construção de um ramal ferroviário de aproximadamente 47 quilômetros, conectando a fábrica à malha da Ferronorte. A partir daí, a celulose poderá percorrer cerca de 1.050 quilômetros até o Porto de Santos (SP). Segundo informações publicadas pelo Correio do Estado, vagões, locomotivas e infraestrutura ferroviária representam investimentos da ordem de R$ 2,4 bilhões.

É uma infraestrutura que revela algo importante sobre a nova fronteira da celulose brasileira: o investimento não termina nos portões da fábrica. Estradas, caminhões, ferrovias, terminais e portos tornam-se parte decisiva da competitividade do empreendimento.

Imagem/crédito: Tiago Aguiar

Vagões levam até 98 toneladas de carga

Os equipamentos também foram desenvolvidos para uma operação de grande escala.

Fabricados pela Randon, os novos vagões possuem abertura lateral para carregamento e descarregamento pelos dois lados, além de lonas com trama de aço antivandalismo e sistema desenvolvido para impedir a entrada da umidade da chuva.

Cada unidade tem capacidade bruta total de 130 toneladas e capacidade líquida de 98 toneladas, com 23 metros de comprimento, 3,3 metros de largura e 4,28 metros de altura.

Considerando apenas a capacidade líquida nominal dos 721 vagões, a frota completa representa mais de 70,6 mil toneladas de capacidade de carga por composição equivalente ao uso simultâneo de todos os equipamentos — uma conta que ajuda a dimensionar a escala logística planejada para o projeto.

Segundo Alberto Pagano, diretor de Logística e Suprimentos da Arauco, a escolha dos equipamentos considerou segurança, estabilidade operacional, produtividade e sustentabilidade. A estratégia passa pela utilização de veículos customizados especificamente para as necessidades da companhia.

Tritrens terão diferentes tecnologias de suspensão

No transporte florestal, a empresa também pretende avaliar diferentes configurações dos implementos. A frota terá sistemas de suspensão pneumática e mecânica, permitindo comparar o desempenho das tecnologias nas condições reais das operações.

Rodrigo Sugske Garcia, gerente executivo de Logística Florestal da Arauco, afirma que os equipamentos foram customizados buscando robustez, produtividade e, principalmente, segurança para motoristas e demais usuários das rodovias.

Esse ponto ganha relevância porque a implantação de uma fábrica dessa escala transforma não apenas a produção florestal, mas também o fluxo de veículos pesados de toda a região. Quanto maior o volume de madeira necessário para abastecer a indústria, maior a importância de eficiência operacional, manutenção da frota e segurança viária.

Imagem/crédito: João Carlos Lazzarotto

US$ 4,6 bilhões mudam a escala da indústria em Mato Grosso do Sul

O Projeto Sucuriú representa a entrada da divisão de celulose da Arauco no Brasil. A planta ocupa uma área de aproximadamente 3.500 hectares, a cerca de 50 quilômetros do centro de Inocência e próxima ao Rio Sucuriú.

A terraplanagem começou em 2024 e a previsão informada pela companhia é de entrada em operação no final de 2027.

Com capacidade projetada para 3,5 milhões de toneladas anuais de celulose de fibra curta, a unidade nasce em escala global. O investimento industrial de US$ 4,6 bilhões equivale a dezenas de bilhões de reais, dependendo da cotação cambial, e desencadeia uma cadeia adicional de investimentos em florestas plantadas, máquinas, transporte, infraestrutura, serviços e mão de obra.

Durante a construção, o projeto prevê mais de 14 mil oportunidades de trabalho. Após o início das operações, a expectativa é manter aproximadamente 6 mil pessoas nas atividades industriais, florestais e logísticas.

Celulose avança sobre uma região tradicionalmente ligada ao agro

O impacto do Sucuriú ultrapassa os limites da indústria.

Mato Grosso do Sul já ocupa posição de destaque na produção brasileira de celulose e vem recebendo uma sequência de investimentos ligados às florestas plantadas. Esse avanço cria uma nova dinâmica sobre terras, prestação de serviços, transporte, mão de obra e infraestrutura em regiões historicamente ligadas principalmente à pecuária e à produção de grãos.

No caso de Inocência, a chegada dos primeiros vagões e tritrens mostra que o projeto começa a sair da fase exclusivamente construtiva para preparar também sua futura operação.

Até o final de 2027, o desafio será colocar de pé não apenas uma fábrica capaz de produzir milhões de toneladas por ano, mas toda a engrenagem necessária para fazê-la funcionar: madeira chegando continuamente por rodovia, celulose deixando a unidade por ferrovia e uma cadeia logística conectando o interior de Mato Grosso do Sul ao principal corredor exportador do país.

Os 721 vagões, 350 tritrens, pelo menos 23 locomotivas e o novo ramal ferroviário de 47 quilômetros dão uma dimensão bastante concreta do que está sendo construído. Mais do que uma megafábrica, o Projeto Sucuriú começa a estruturar um novo corredor industrial e florestal no Centro-Oeste brasileiro.

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