Quando olhamos para a série histórica, as margens médias estão mais baixas, mas considerando os preços médios de agosto de 2023 (isoladamente), podemos dizer que a situação piorou bastante; Pecuarista está lutando para conseguir se manter vivo na atividade, apontou Agrifatto.
A pecuária vive um momento complexo e um cenário desafiador para os pecuaristas de todos os tamanhos e sistemas, seja ciclo completo ou não. O ciclo pecuário tem apresentado, ainda mais, as suas fases e não deixa dúvida de que sua presença é forte e deve, em qualquer propriedade, ser o cerne de um planejamento estratégico. Para quem não se recorda, o ciclo pecuário é um fenômeno caracterizado por flutuações nos preços do gado – cria, recria, engorda – e da carne, com períodos de baixa e alta, que se repetem de tempos em tempos.
Segundo o Cepea, o mês de agosto foi se encerrando e ficando marcado pela forte queda nos preços de negociação do boi gordo. No estado de São Paulo, a arroba (Indicador CEPEA/B3) registra média de R$ 222,32 no mês (até o dia 29), com baixas de 11,4% frente ao mês anterior e de significativos 24% em relação à de agosto/22. Trata-se, também, da menor média, em termos reais, desde julho de 2018, quando esteve em R$ 222,06 (as médias mensais foram deflacionadas pelo IGP-DI).
Pecuária vê margem piorar bastante
Conforme trouxe a Agrifatto, consultoria especializada no setor, a situação é bastante desfavorável para as margens dentro da atividade. As margens médias do modelo de ciclo completo em 2023 estão mais baixas, comparáveis às fases de baixa dos ciclos anteriores, conforme imagem abaixo. Ainda segundo a consultoria, “olhando isoladamente os preços médios de agosto/23, podemos dizer que a situação piorou bastante!“.
Quais análises ainda podemos fazer dentro dessa visão? Segundo a Agrifatto, “Isso diz duas coisas: (1) que o pecuarista liquida rebanho, especialmente fêmeas, para se manter vivo – fazendo caixa – e também que (2) comercializar agora pode significar vender rebanho nas mínimas”, ressaltou em sua postagem na última semana.
Olhando os preços da cria, que apresentou queda mais acentuada que a do boi gordo nos últimos meses, “obviamente, essa última análise serve para fêmeas e animais pouco erados, ao passo que animais de giro devem seguir seu destino e serem abatidos dentro de uma busca pela eficiência alimentar e conversão de peso em carcaça”, apontou Agrifatto.
Em momentos assim, ter acesso à melhor informação é vital para a tomada de decisões, Agrifatto

Oferta x Demanda, ditam os preços na pecuária
Segundo pesquisadores do Cepea, a pressão sobre os valores do animal vem tanto da oferta quanto da demanda, reduzindo as margens na pecuária. No campo, além do já maior volume de boi gordo e de fêmeas prontos para o abate, pecuaristas, temendo novas desvalorizações, passaram a ofertar mais lotes de animais no spot nacional.
Do lado da demanda, muitos agentes de frigoríficos consultados pelo Cepea vêm reduzindo o ritmo de aquisição de novos lotes, devido ao alongamento das escalas de abate e também aos menores preços pagos pelos chineses pela carne brasileira.

Arroba do boi gordo: cenário foi ‘desastroso’ em agosto, avalia analista
O mercado brasileiro de boi gordo enfrentou um cenário considerado desastroso em agosto, com forte queda no preço da arroba.
De acordo com o analista de Safras & Mercado, Fernando Iglesias, essa realidade foi determinada pela oferta elevada de boi no país e pela dificuldade dos consumidores em adquirir produtos de maior valor agregado, caso da carne bovina.
Segundo Iglesias, o cenário externo complicado pela queda na receita de exportação em dólar pelas indústrias, puxada especialmente pela crise econômica da China, também acabou contribuindo para uma pressão dos frigoríficos em torno de uma queda nos preços da arroba.
Queda menor em setembro
Para setembro, o analista acredita que o movimento de retração na cotação da arroba deve ser menor.
Ele ressalva de que, se houver uma continuidade do declínio por mais tempo, a rentabilidade média do pecuarista ficará ainda mais comprometida, influenciando na oferta futura de gado, com a redução dos investimentos voltados ao curto e médio prazo.
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