Manutenção preventiva é forte estratégia para garantir qualidade da semeadura

Revisão antecipada de componentes mecânicos, hidráulicos e eletrônicos, além da calibração dos sistemas de distribuição, ajuda a evitar paradas no campo e falhas no estabelecimento da lavoura

Segundo o 11º Levantamento da Safra de Grãos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil deve colher 360,8 milhões de toneladas de grãos nesta safra, em uma área estimada em 83,5 milhões de hectares. Em uma operação realizada dentro de uma janela cada vez mais ajustada, falhas mecânicas ou de regulagem podem comprometer o ritmo de semeadura e aumentar os riscos de perdas no estabelecimento da lavoura, portanto a revisão das máquinas agrícolas ganha importância para evitar paradas não programadas.

Para Guillermo Zegna, gerente comercial da Crucianelli, fabricante argentina de máquinas agrícolas, a revisão deve ser realizada antes de a plantadeira ou semeadora chegarem ao campo. “A manutenção deve ser feita pensando na máquina como um sistema completo: estrutura, sistema hidráulico e elétrico, dosagem e agricultura de precisão”, afirma.

No caso do modelo Plantor, um dos primeiros pontos de atenção está na estrutura. A recomendação é verificar chassi, cilindros, mecanismos de dobramento, pinos, buchas, travas, mangueiras e engates. Os rodados centrais, rodas dianteiras e rolamentos também devem ser avaliados, principalmente porque suportam parte relevante do peso do equipamento durante o transporte.

Regulagem interfere diretamente na plantabilidade

Depois da revisão mecânica, hidráulica e elétrica, a regulagem da máquina é outro fator capaz de determinar a qualidade da semeadura. De acordo com Zegna, o primeiro cuidado deve ser garantir que o chassi esteja nivelado e que todas as linhas acompanhem corretamente o terreno.

A partir daí, entram ajustes como profundidade de semeadura, contato das rodas de controle de profundidade com o solo, atuação do disco de corte, pressão das rodas compactadoras e funcionamento do sistema firmador de sementes.

A importância desses parâmetros também é apontada em estudos técnicos da Embrapa. A instituição destaca que a plantabilidade não está relacionada apenas à população final de plantas, mas também à uniformidade na distribuição longitudinal e vertical. Falhas, linhas duplas e diferenças na emergência aumentam a competição dentro da lavoura e podem limitar o potencial produtivo.

Outro ponto de atenção é a velocidade de deslocamento. Aceleração excessiva pode comprometer a uniformidade da profundidade de semeadura, aumentar a ocorrência de falhas e duplas e prejudicar a emergência das plantas. Em soja, as recomendações técnicas reforçam a importância de trabalhar dentro da faixa de velocidade indicada para cada semeadora. “A dosagem deve ser calibrada com o lote de sementes que será utilizado. É necessário regular o vácuo, o dosador pneumático e o singulador e verificar a população, a ocorrência de duplas e falhas”, explica Zegna.

Ainda de acordo com o especialista, os testes também precisam reproduzir as condições reais de trabalho. “Uma regulagem correta em condição estática pode apresentar outro comportamento no campo. Por isso, o teste deve ser repetido na velocidade real de operação”, destaca.

Eletrônica amplia precisão, mas exige integração

À medida que as plantadeiras incorporam recursos de agricultura de precisão, o preparo antes da safra passa a envolver também a comunicação entre diferentes sistemas. Na Plantor, a integração envolve recursos como monitoramento da operação, controle de distribuição, aplicação localizada e ajuste da pressão sobre as linhas.

Antes da operação, a recomendação é testar o carregamento de limites e prescrições, a posição e orientação da máquina, o corte linha a linha, as alterações de taxa, a leitura dos sensores, os alarmes e a resposta dos sistemas hidráulicos e eletrônicos.

Também é necessário avaliar se o trator tem capacidade para atender às demandas do equipamento. Conforme as configurações apresentadas no material técnico da Plantor, determinadas versões exigem sistema hidráulico de centro fechado, quatro válvulas de controle remoto, vazão mínima de 185 litros por minuto e pressão de 200 bar ou 2.900 psi.

Em sistemas equipados com DeltaForce, a pressão hidráulica é ajustada linha a linha de acordo com as condições do solo. “Uma pressão abaixo da necessária pode causar variações na profundidade, enquanto o excesso pode compactar as paredes do sulco e dificultar o desenvolvimento inicial das raízes”, cita o especialista da Crucianelli.

O operador também passa a exercer papel central nesse processo. Não basta que os sistemas estejam conectados: é preciso interpretar os dados fornecidos pelos equipamentos e reagir rapidamente diante de eventuais problemas. “A tecnologia está realmente integrada quando a máquina funciona, as informações são confiáveis e o operador sabe transformá-las em uma decisão agronômica”, conclui Zegna.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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