Maior raça de equinos da América Latina alcança novo patamar em sua base genealógica; há 40 anos, eram apenas 100 mil animais registrados
O Mangalarga Marchador acaba de alcançar uma marca que ajuda a dimensionar o tamanho conquistado por uma das maiores expressões da criação de cavalos no Brasil. A Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador (ABCCMM) contabiliza 805.608 animais registrados em sua base, ultrapassando definitivamente a barreira dos 800 mil e estabelecendo um novo marco para a raça brasileira.
O número ganha ainda mais relevância quando colocado em perspectiva histórica. Em 1986, a raça chegava aos primeiros 100 mil animais registrados. Quatro décadas depois, essa base tornou-se mais de oito vezes maior, acompanhando a expansão dos criatórios, da seleção genética, dos eventos e do uso do Marchador em diferentes regiões do país.
De 100 mil para mais de 805 mil
A evolução é uma fotografia da transformação vivida pela raça. O próprio histórico institucional da ABCCMM registra 1986 como o ano em que o Mangalarga Marchador atingiu 100 mil animais registrados. Naquele período, a entidade já avançava na organização de exposições, campeonatos e no fortalecimento do Serviço de Registro Genealógico.
Agora, a marca de 805.608 registros representa um crescimento superior a 700% sobre aquele patamar histórico. E a expansão continua. Somente entre janeiro e maio de 2026, a ABCCMM contabilizou 23.937 nascimentos e 25.816 registros emitidos.
No fechamento de junho, o acumulado de nascimentos no ano já havia avançado para 26.452, enquanto a entidade chegava a 28.102 associados.
“Ultrapassar 800 mil animais registrados mostra muito mais do que o crescimento numérico do Mangalarga Marchador. É o resultado de décadas de seleção, investimento em genética e profissionalização dos criatórios. Poucas raças conseguiram construir no Brasil uma cadeia tão ampla, movimentando criação, reprodução, competições, leilões e milhares de profissionais. Chegar a 805 mil registros reforça a dimensão que o Marchador conquistou dentro da equinocultura brasileira e o potencial que ainda existe para ampliar sua presença internacional”, avalia Thiago Pereira, Diretor de Conteúdo do Compre Rural.
Uma estrutura que acompanha o crescimento da raça
O avanço do plantel não ocorre de maneira isolada. A estrutura em torno do Mangalarga Marchador também ganhou dimensão nacional. A ABCCMM mantém 56 núcleos regionais, responsáveis por fomentar eventos, capacitações e integração entre os criadores. Apenas nos cinco primeiros meses de 2026 foram realizados 162 eventos, incluindo 31 provas esportivas.
No primeiro semestre, esse movimento se intensificou: 214 eventos foram contabilizados pela associação até junho, demonstrando a capilaridade alcançada pela raça no calendário equestre brasileiro.
A força desse ecossistema também apareceu na 43ª Exposição Nacional do Cavalo Mangalarga Marchador. Realizada em Belo Horizonte, a edição de 2026 reuniu 1.639 animais, 552 expositores de 18 estados e recebeu 215 mil visitantes durante 15 dias, tornando-se a maior edição da história do evento.
Muito além do número de cavalos
O recorde também ajuda a compreender a dimensão econômica construída ao redor do Marchador. A cadeia envolve criadores, centrais de reprodução, médicos-veterinários, zootecnistas, treinadores, apresentadores, tratadores, ferradores, transportadores, fabricantes de equipamentos, nutrição animal, medicamentos, leilões e propriedades especializadas.
Em publicação oficial anterior, quando o plantel ainda estava próximo de 780 mil animais, a própria ABCCMM estimava que a raça fomentava cerca de 40 mil empregos diretos e mais de 200 mil indiretos.
Isso ajuda a explicar por que ultrapassar 800 mil registros não representa somente uma estatística genealógica. O avanço amplia a base sobre a qual funciona toda uma economia especializada e evidencia o alcance conquistado por uma raça desenvolvida no Brasil.
De Minas Gerais para o Brasil — e cada vez mais para fora dele
A história do Mangalarga Marchador permanece profundamente ligada a Minas Gerais. Desenvolvida a partir de animais selecionados no estado, a raça transformou características como comodidade, resistência, temperamento e funcionalidade em seus principais diferenciais.
A expansão, porém, deixou de ser apenas mineira há décadas. Hoje o Marchador está presente em todo o território brasileiro, enquanto criadores e a própria associação trabalham para ampliar sua projeção internacional.
A estrutura do Serviço de Registro Genealógico tem papel central nessa trajetória. A ABCCMM é credenciada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária para realizar o registro genealógico oficial dos animais da raça, fazendo com que o avanço da base também represente a expansão documentada de genealogias e gerações selecionadas ao longo de décadas.
Um novo capítulo para o Mangalarga Marchador
Poucos números ilustram tão bem essa trajetória quanto a comparação histórica. De 100 mil animais registrados em 1986 para 805.608 em 2026.
São quatro décadas de crescimento que levaram o Mangalarga Marchador a uma escala difícil de imaginar quando a raça começava a organizar sua estrutura nacional.
Agora, ao romper a barreira dos 800 mil animais registrados, o Marchador estabelece um novo marco de sua história — e os dados de nascimentos, registros, associados e eventos mostram que esse movimento ainda não terminou.
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